O FRACASSO AMOROSO DE CLARICE LISPECTOR
Postado em: 18/06/2010-10:28
| Por: Antonio Nahud Júnior
Os bombeiros espanhóis posaram para um calendário, os jogadores de rúgbi e futebol de diversos países também, mas não só atletas e oficiais instigam o pecado. O Vaticano lançou um calendário
Clarice Lispector amou o romancista mineiro Lúcio Cardoso – um dos meus escritores favoritos -, num sentimento impossível que alimentou sua literatura. Tal revelação está em “Clarice - A Vida de Clarice Lispector” (Cosac Naify, 648 págs., R$ 79), biografia do jornalista norte-americano Benjamin Moser - que chega com o status de ser a mais completa sobre a autora de “Felicidade Clandestina”, e sugere que, mesmo quando o amor é impossível, ele estimula a escrita.
Casada com o diplomata Maury Gurgel Valente, Clarice nunca escondeu que se sentia sufocada pela vida conjugal. Se o casamento "deu certo" - gerou dois filhos e perdurou por 16 anos - a paixão por Lúcio Cardoso foi muito mais importante para sua escrita, mesmo "dando errado". Quando se conheceram, em 1940, Clarice tinha 20 anos, e Lúcio - brilhante e sedutor -, 28. Mas era um amor excêntrico: ele era um homossexual assumido.
Foi esse amor não correspondido que levou Clarice a cultivar a solidão - condição essencial para a escrita. Mais que isso: foi o fracasso no amor que a empurrou para a literatura. E ela amou incondicionalmente Lúcio Cardoso até o fim de seus dias.
sabe precisar quantos ensaios de mulheres nuas assinou. Dos vários que produziu, alguns resultaram em disputadas capas da revista Playboy. Missões dessa natureza não costumam inibi-lo.