Entrevistas
Por: Max Almeida E-mail: maxalbrn@gmail.com

Entrevista/Véscio Lisboa

“Fazer contemporâneo um Auto popular”

Véscio Lisboa, ou simplesmente Subhadro, aos 58 anos, aceitou o convite da Prefeitura de Natal para dirigir a 10ª edição do Auto de Natal. Diretor teatral, Véscio largou alguns projetos socias no interior, e vem se dedicando ao espetáculo desde abril, quando mergulhou na pesquisa do “O Menino da Paz”, texto assinado pelo poeta Paulo de Tarso Correia de Melo, adaptado para o espetáculo. Lisboa vai levar para o palco a visão que transformou em arte há 15 anos nos projetos sociais desenvolvidos no interior potiguar.No elenco, estão: artistas profissionais, amadores, ASGs, crianças portadoras de necessidades especiais — algumas com paralisia cerebral, câncer e surdez. 

Como você ver a concepção dos autos natalinos em Natal?
Véscio: Olha, é uma coisa que faz parte da arte contemporânea. Os grandes autos têm essa dimensão, uma relação direta com a atualidade. Eu vejo um auto popular na era do shopping
Você imaginava um dia montar um espetáculo com essa concepção?

Véscio- Imaginem vocês, não sou católico...Nunca tinha passado pela minha cabeça dirigir um trabalho com essa concepção. Não curtia esse gênero, até nem aceitei de início o convite. Mas foi quando eu vi as edições anteriores que me apaixonei pela idéia do projeto.

Como artista como você se define?

Véscio- Me considero um artista comprometido com o momento atual e em conseqüência disso procuro estar antenado com o compromisso social. Dentro dessa visão, vamos estamos levando ao palco crianças com paralisia cerebral, surdas, crianças da Casa de Apoio Contra o Câncer, adolescentes do CDUC. Esse é o nosso compromisso, trabalhar a arte com a inclusão social.


Como foi a parceria com Paulo de Tarso Correia de Melo?

Véscio- Paulo de Tarso é um poeta da academia que elabora a palavra artesanalmente, ele manufatura a palavra. Esse texto “O Menino da Paz” é um poema do qual fazem parte outros poemas publicados em livros dele. O texto é todo poético, não houve cortes, nem senti dificuldade para adaptá-lo. E o trabalho foi todo completado com a criação musical de Carlos Zens, fizemos um trabalho em equipe, o que foi muito prazeroso.

Para você, qual a grande a marca do Auto 2007?

Véscio- Procuramos fazer um trabalho além da inclusão social, transformando o espetáculo em contemporâneo. Então essa é a marca: um Auto de Natal popular, contemporâneo com essa visão e fazendo uso da multimídia

Finalizando, a sua experiência se reflete de alguma maneira no Auto?

Véscio -Olha, eu diria que: o espetáculo é um espelho da minha preocupação artística voltada para uma provocação, questionamento, contemplação. Toda minha criação artística, também tem essa marca: provocar, Auto não será diferente. 

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