Tratamento para diabéticos promete acabar com as doses de insulina

Um estudo realizado pela USP de Ribeirão Preto, no interior de
São Paulo, descobriu que o uso de células-tronco é eficiente para o tratamento
de diabetes tipo 1. A pesquisa é a primeira no mundo a usar esse tipo de célula no
combate à doença

Carlos Couri, endocrinologista e um dos autores do estudo,
explica que a pesquisa teve grande repercussão
na comunidade científica mundial após ser publicada em uma importante revista: “Outros
centros do mundo replicaram nossa pesquisa com sucesso”.

A diabetes tipo 1 é uma doença autoimune, que se desenvolve por volta dos 10 anos, sem causas específicas. De uma hora para a outra, o corpo passa a combater as células que produzem insulina.

O novo tratamento age na raiz do problema. O paciente é submetido a sessões de
quimioterapia para ter as células do sistema imunológico destruídas. Em
seguida, as células-tronco, extraídas do paciente previamente, são injetadas novamente.

As células-tronco fazem com que novas células imunológicas
sejam criadas e multiplicadas novamente do zero, sem vícios. Assim, as novas células não atacarão a insulina produzida pelo organismo e o paciente não dependerá de injeções de insulina para
viver.

A pesquisa comparou o estado de saúde dos voluntários que não receberam esse tratamento. Depois de oito anos, 25% dos que receberam o tratamento convencional sofreram sequelas pela doença, como a perda da visão.

Por outro lado, nenhum dos voluntários submetidos ao tratamento com transplante de células-tronco
sofreu qualquer tipo de sequela. Cerca de 84% dos pacientes deixaram de usar a
insulina por uma média de seis anos.

Um desses pacientes é Renato. Ele melhorou tanto que resolveu seguir carreira na medicina.
Após o transplante de células tronco, ele passou 11 anos sem precisar das
injeções de insulina. E, há dois anos, voltou a usar a medicação com doses mais
baixas.

Agora, uma segunda fase dos estudos está sendo realizada com a ideia de intensificar a quimioterapia contra as células imunológicas e destruí-las completamente. Espera-se que, no futuro, pacientes transplantados não voltem a precisar da medicação e injeções de insulina.

Ainda sim, o endocrinologista alerta que o processo do
tratamento tem riscos: “O paciente fica com a imunidade muito deteriorada,
então ele corre risco de ter infecção e corre risco de óbito. Por isso, temos
critérios. Infelizmente, não é para qualquer paciente.”