Cientistas do RN buscam exoplanetas

Uma pergunta intriga a humanidade desde tempos imemoriais: afinal, estamos sozinhos no universo? A resposta para essa questão ainda está longe de ser dada, mas um novo método teórico desenvolvido por pesquisadores do Departamento de Física da UFRN irá facilitar a localização de planetas com características similares à Terra fora do sistema solar. O estudo, publicado nessa segunda-feira (1º) pela revista especializada The Astronomical Journal dos Estados Unidos, utiliza princípios da Teoria da Relatividade Geral elaborada pelo físico alemão Albert Einstein (1879-1955) no início do século 20, para gerar uma equação capaz de agilizar a varredura de imagens do universo em busca de planetas com tamanho, massa e órbita propícias para a existência da vida.

A pesquisa publicada na revista especializada The Astronomical Journal dos Estados Unidos é orientadorda pelo professor da UFRN, José Dias do Nascimento Júnior

A pesquisa publicada na revista especializada The Astronomical Journal dos Estados Unidos é orientador da pelo professor da UFRN, José Dias do Nascimento Júnior

A pesquisa é assinada por Leandro de Almeida, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Física da UFRN, e por seu orientador, o professor José Dias do Nascimento Júnior; e pode ser entendida de forma simples a partir da analogia de que o novo método funciona como uma espécie de “aplicativo” que torna a busca por novos planetas mais rápida e eficiente em meio ao emaranhado de dados coletados por emaranhado de dados coletados por telescópio na terra e por telescópios espaciais que serão lançados em breve, como o WFIRST da NASA.

Até hoje os astrônomos já identificaram a existência de cerca de cinco mil exoplanetas, todos gigantes e sem possibilidades de possuir água em estado líquido. Com a nova metodologia, essa quantidade será multiplicada devido ao refinamento e sensibilidade da equação desenvolvida na UFRN que pode ser computacionalmente implementadas nos equipamentos.

“O objetivo é construir um censo aprimorado com a quantidade de exoplanetas (planetas fora do sistema solar) que possuem semelhanças com a Terra: saber que existe e a quantidade que existe já é uma coisa muito importante, chegar lá é outra história”, disse o pesquisador Leandro de Almeida.

Leandro Almeida, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Física da UFRN
Leandro Almeida, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Física da UFRN

O estudo de Almeida e José Dias, “Detectando Exoplanetas com Microlentes Gravitacionais”, conforme o próprio título, buscou soluções com base no fenômeno das lentes gravitacionais descrito por Einstein, que comprovou a deformação da luz quando esta sofre influência de um corpo celeste com muita massa como galáxias e/ou aglomerados de galáxias.

No caso das microlentes gravitacionais, esse mesmo fenômeno é observado na relação entre estrelas: quando uma estrela passa na frente de outra, é possível observar a curvatura do espaço-tempo proposto por Einstein, e alterações no comportamento dessas deformações nas microlentes indicam a presença de um sistema planetário em torno da estrela que está mais próxima do observador. Essa proximidade é medida em anos-luz (tempo que a luz leva para alcançar quem observa), e essa distância pode ultrapassar fácil as dezenas (ou centenas) de milhares de anos-luz.

O novo método já foi testado e deverá ser embarcado no “WFirst” (sigla em inglês para Telescópio de Levantamento Infravermelho de Campo Amplo), novo telescópio espacial que a Nasa pretende lançar na próxima década.