Sensação de calor em Natal aumenta ao longo dos anos

Natal virou uma ilha de calor. É o que dizem os meteorologistas sobre a capital potiguar que, ano a ano, vem sentindo cada vez mais cedo e mais intensamente a chegada do verão. Nas últimas semanas, a população da capital potiguar vem enfrentando temperaturas que chegaram aos 31ºC, com mínima de 25ºC. A baixa variação de temperaturas, aliadas às poucas chuvas e a elevada umidade do ar, vêm aumentando a sensação de calor na cidade. O aumento no número de prédios, a impermeabilização do solo causada pelo asfalto e a retirada de cobertura verde, no entanto, contribuíram ainda mais para a sensação, de acordo com a Empresa de Pesquisas Agropecuárias do RN (Emparn).

Variação de temperatura tem sido de 25ºC a 31ºC na capital potiguar. Expansão urbana aumenta sensação de calor

Variação de temperatura tem sido de 25ºC a 31ºC na capital potiguar. Expansão urbana aumenta sensação de calor

De acordo com Gilmar Bristot, chefe da unidade de meteorologia da Emparn, “Natal vem se transformado em uma ilha de calor devido a sua expansão urbana. A impermeabilização do solo, o asfaltamento de avenidas, a retirada da cobertura verde… Tudo isso contribui para que haja formação de calor. Isso faz com que a sensação típica da chegada do verão se intensifique ainda mais”, afirma.

Além da intensificação do fenômeno da ilha de calor, a elevada umidade do ar também vem influenciando na sensação de clima “abafado” a respeito da qual muitos natalenses têm reclamado. “Além de estarmos nos aproximando do verão, dos meses mais quentes, temos também a sensação de mais calor em função da umidade relativa do ar mais alta. A umidade do ar está em torno de 70%, 75%. Isso funciona, de certa forma, como um efeito estufa, que aumenta a sensação térmica de calor”, explica Bristot.

Há, ainda, dois outros fatores que vêm influenciando no calor da cidade: a ausência de chuvas e a baixa renovação do ar, causada pelo enfraquecimento dos ventos. De acordo com meteorologistas, não há previsão, por enquanto, de ocorrência de muitas chuvas para Natal. O que pode acontecer são apenas pancadas de chuvas, que aliviam momentaneamente a sensação de calor. “Mas nada que vá modificar de forma mais acentuada o que os natalenses vêm sentindo nesse período”, completa o chefe da unidade de meteorologia da Emparn. “A mudança desse quadro só vai acontecer quando houver chuvas mais intensas. Isso deve demorar”.

Em relação aos ventos, que estão fracos, Gilmar explica que isso dificulta a renovação do ar, o que faz com que as partículas de umidade fiquem mais tempo paradas, suspensas na atmosfera, o que também contribui para o calor sentido pelos natalenses nas últimas semanas.

Para o comércio, a elevação das temperaturas vêm sendo positiva para aqueles que trabalham com a venda de praticamente qualquer produto que refresque: sorvetes, picolés, águas e ventiladores vêm sendo muito vendidos, de acordo com alguns comerciantes e ambulantes do Alecrim e da Cidade Alta, dois dos principais bairros comerciais da cidade. “As pessoas têm preferido comprar ventilador, porque gasta menos energia que o ar condicionado. Mas os dois estão saindo bem”, afirma Francisco Júnior, que trabalha como vendedor em uma loja de eletrodomésticos no bairro do Alecrim. Para os meteorologistas, a expectativa é de que o calor continue aumentando, até a chegada dos meses tradicionalmente mais quentes do ano: dezembro, janeiro e fevereiro.