Ex-presidente do Peru, Alan García se suicida após receber ordem de prisão no caso Odebrecht

O Globo

García, que tentou pedir asilo ao Uruguai, chega à Promotoria para depor em novembro de 2018 Foto: ERNESTO BENAVIDES / AFP
García, que tentou pedir asilo ao Uruguai, chega à Promotoria para depor em novembro de 2018 Foto: ERNESTO BENAVIDES / AFP

LIMA — O ex-presidente do Peru Alan García se matou na manhã desta quarta-feira em Lima com um tiro na cabeça, depois de receber uma ordem de prisão preventiva emitida pela Justiça. García, de 69 anos, era um dos quatro ex-chefes de Estado do Peru investigados sob a acusação de terem recebido suborno da construtora brasileira Odebrecht. Ele negava ter se envolvido em atos de corrupção.

Eram 6h30 desta quarta-feira quando das escadas de sua casa no bairro de San Antonio, em Miraflores, o ex-presidente ouviu a chegada de uma equipe especial com a ordem de prisão preventiva por dez dias. García, então, subiu rapidamente para o segundo andar, dizendo que ia ligar para o seu advogado, contou o ministro do Interior, Carlos Morán. Em vez disso, o ex-presidente trancou a porta. Quando os agentes tentaram entrar, ouviram o disparo. Levado para o  hospital Casimiro Ulloa, ele foi submetido a uma cirurgia, mas não resistiu e morreu depois de três horas.

Orador habilidoso que liderou por décadas um partido tradicional do Peru, o Apra (Aliança Popular Revolucionária Americana), García governou o país como um nacionalista de 1985 a 1990 antes de se reinventar como um defensor do livre mercado e ganhar um novo mandato de cinco anos em 2006. No ano passado, ele pediu asilo político ao Uruguai depois que uma ordem judicial  o proibiu de sair do Peru para evitar que fugisse ou interferisse nas investigações do caso Odebrecht. Montevidéu não aderiu à tese de perseguição política e rejeitou o pedido.