Moro duvida de autenticidade de novos vazamentos no caso triplex

R7

Vazamentos apontam suposta orientação de Moro
Dida Sampaio/Estadão Conteúdo – 27.3.2019

Novas conversas divulgadas pelo site “The Intercept Brasil” sugerem que o então juiz Sérgio Moro teria passado orientações ao procurador da Lava Jato Carlos Fernando dos Santos Lima sobre o processo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do triplex do Guarujá, no litoral de São Paulo.

De acordo com informações da Record TV, do jornal Fala Brasil, as mensagens indicam que Moro havia tomado depoimento de Lula e orientado o procurador da Lava Jato a editar uma nota mostrando contradições entre o depoimento do ex-presidente e o restante das provas.

Segundo o site, o procurador Carlos Fernando entrou em contato com o coordenador da operação Lava Jato Deltan Dallagnol repassando as orientações passadas por Moro. O ministro não se pronunciou sobre o vazamento dessas mensagens que teriam sido encaminhadas por ele.

O ministro da Justiça comentou os primeiros vazamentos de supostas conversas publicadas pelo site. “Não posso afirmar autenticidade nessas mensagens. Não tenho esses registros. Não estava no Telegram há muito tempo. Aquele episódio em particular, que é afirmado que seria a situação mais grave em relação a minha pessoa, é o simples repasse de uma notícia crime”, disse.

“Nós da 13ª Vara, pela notoriedade das investigações, recebíamos várias dessas (notícias) por dia. Recebi aquela informação, foi até um descuido meu, passei pelo aplicativo. Simplesmente receber uma notícia crime e repassar informação não pode ser qualificado como uma conduta imprópria.”

O ministro da Justiça chamou a divulgação das conversas de “manipulação sensacionalista” em relação ao conteúdo das mensagens. “Isso tem sido tratado de maneira equivocada como um ataque a Lava Jato, mas acho que tem sido um ataque às instituições brasileiras”, afirmou Moro. “Não é porque eu sou vítima e os procuradores. Temos informações de possíveis ataques a parlamentares. Eles vão ser identificados e vão ser punidos na forma da lei.”

Os investigadores trabalham com a possibilidade de um profissional de tecnologia de informação brasileiro atuar em parceria com hackers de fora do País para ter acesso ao conteúdo das mensagens.