Baixa imunidade causa problemas bucais

Pacientes com o sistema imunológico comprometido estão predispostos a uma variedade de manifestações bucais. Estes, muitas vezes, apresentam imunodeficiências que exigem tratamento multidisciplinar, pois, geralmente, apresentam doenças com complexas, exigindo que o cirurgião-dentista entenda os processos primários da doença e coordene os cuidados com especialistas médicos, pois a sobrevida dos pacientes seguida de melhoria da qualidade de a vida é o objetivo essencial.

Débora Mercez Rodrigues Marques, odontóloga e coordenadora do curso de Odontologia da UNINASSAU Natal, explica que as imunodeficiências surgem quando o sistema imunológico do corpo se torna incapaz de realizar sua função normal de proteção do organismo. Elas podem ser primárias, quando causadas por alterações em genes e transmitidas através da hereditariedade, ou podem ser secundárias, quando adquiridas ao longo da vida do indivíduo.

As imunodeficiências secundárias são mais frequentes do que as primárias, pois se relacionam a outros distúrbios sistêmicos, entre eles diabetes, desnutrição, infecção pelo HIV ou tratamentos imunossupressores, como quimioterapia e radioterapia.

Na cavidade bucal, tanto as imunodeficiências primárias quanto as secundárias vão aumentar o risco de desenvolvimento de inflamações e infecções oportunistas, como gengivite e periodontite, candidíase, leucoplasia pilosa oral (placa branca que não se destaca localizada em língua associada ao vírus epstein-barr) e lesões pelo vírus do herpes simples. “É importante informar que, quanto maior a imunodeficiência, mais graves serão as manifestações orais e mais desafiador será o tratamento”, explicou.

Segundo Débora, portanto, devido ao aumento da expectativa de vida da população, “os profissionais da saúde bucal vão se deparar, cada vez mais, com pacientes imunocomprometidos e devem estar preparados para assumir mais responsabilidade no tratamento dessa população em expansão”, destacou.