Fecomércio Vender turismo rodoviário é oportunidade para a retomada; veja dicas

Um dos principais meios de transporte do Brasil, um país de dimensões continentais, o rodoviário pode ser o protagonista da retomada do Turismo na retomada do setor pós-pandemia. De acordo com especialistas e entidades, como o próprio WTTC (Conselho Mundial de Viagens e Turismo), é justamente o doméstico que deverá ser o motor do retorno das viagens. Participante da live Trocando Ideia desta semana, o head of Partnerships da ClickBus, Marcel Bianchi, não só concorda como vê oportunidade para o agente de viagens gerar tanta receita com o segmento. Tanto quanto no aéreo.

“Na retomada, quando se fala em doméstico, temos a oportunidade de protagonismo”, garante o executivo, que também é membro do Conselho de Turismo da FecomercioSP. “Haverá também oportunidades para viagens entre cidades vizinhas e o litoral, que deverão potencializar o negócio. Esse é um mercado que movimenta bilhões de reais anualmente, mas a grande maioria dos passageiros ainda compra bilhete no guichê da rodoviárias. O agente de viagens pode ter um papel mais importante como intermediário”, complementou.

Bianchi também traça um comparativo de alcance dos modais. O setor rodoviário rodoviário permite acesso em até 80% do território nacional, enquanto o setor aéreo alcança apenas 2,5% das cidades brasileiras. “O rodoviário se tornou muito competitivo em trechos de até 15 horas. E a ClickBus dispõe de uma plataforma que agrega mais de 150 empresas de ônibus”, afirma.

Entre os motivos destacados por Bianchi para viajar de ônibus, além do alcance desse meio de transporte, é a tecnologia, que vai desde a compra da passagem até durante a viagem. Novidade ainda recente em alguns Estados do País, o QR Code para embarque direto nos ônibus, como no setor aéreo, é uma delas. “O e-ticket é uma ferramenta que vem para facilitar a viagem de uma pessoa, que pode realizar a compra a caminho da rodoviária”, disse.

A experiência do viajante é outro item que vem se destacando nos últimos anos. “Houve uma evolução muito grande na questão do conforto. Hoje, os ônibus possuem poltronas que reclinam até 180 graus, o que possibilita, por exemplo, se fazer uma viagem longa. Empresas internacionais vêm ao Brasil aprender nossa maneira de lidar com o setor rodoviário. Em termos de experiência somos muito avançados”, afirmou.

OPORTUNIDADE PARA OS AGENTES DE VIAGENS

Até o início da pandemia de covid-19 no Brasil, o setor rodoviário transportou 70% mais brasileiros do que o aéreo. Foram 160 milhões de passagens emitidas. “Esse montante é o que equivale a R$ 15 bilhões, dos quais R$ 13,5 bilhões, são comprados diretamente na rodoviária. E esse número deverá ser ainda maior no futuro, depois da retomada”, disse Bianchi.

Além disso, contou o executivo, o simples fato de vender passagens rodoviárias em uma agência pode render outros negócios. “O produto na vitrine pode abrir um horizonte enorme, porque além da passagem o viajante pode sair com reserva em hotel, traslados, passeio e outros produtos que a agência comercializa”, exemplificou.

A ClickBus é parceira de consolidadoras e operadoras de Turismo, que segundo Bianchi estão cada cada vez mais interessadas no setor rodoviário. “Esse foi um movimento que conseguimos ganhar mais tração em 2018, depois que a gente mapeou esse mercado e conseguiu contrato com a maioria das consolidadoras”, disse. E-HTL, Europlus, VaiVoando e CVC são algumas das operadoras, enquanto RexturAdvance, FlytourGapnet, BRT, Skyteam, Ancoradouro e Tyller estão no rol das consolidadoras.

“Eles são parceiros estratégicos, pois nos ajudam a conseguir atingir um grande número de agências”, disse. “E em breve colocaremos o ClickBus em alguns dos principais OBTs para entrar de vez no setor de viagens corporativas”, revelou o executivo da ClickBus.

DICAS

Marcel Bianchi também deu dicas para um agente de viagens vender o transporte rodoviário. Para ele, alguns argumentos são fundamentais nesse processo. “O transporte rodoviário não sofre tanto na operação, a respeito das interferências climáticas, diferente do aéreo”, disse. O bagageiro, sem os limites rigorosos do aéreo, também é outro atrativo. “Além disso, as operações são mais facilmente adaptadas”, afirmou.

E em tempos de pandemia, como o que estamos passando, ele enfatizou as regras de combate ao novo coronavírus, como o uso obrigatório de máscara, distribuição de álcool gel 70% e áreas demarcadas para orientar o distanciamento social. “As rodoviárias também estão trabalhando fortemente no combate ao covid-19, com processos de higienização”, contou.

Fonte: Panrotas