19 de agosto de 2025

Coluna Versátil News

Transformação digital na saúde: Quando a inovação salva vidas e ganha eficiência

Hexa IT

 

Por Andréa Rangel, Head de Negócios em Saúde da Hexa IT

Em um mundo onde é possível abrir uma conta bancária em minutos pelo celular, pagar com um simples toque e aprender a distância com professores de qualquer lugar do planeta, um setor em especial clama por urgência na digitalização: a saúde.

A chamada “transformação digital” não é mais um luxo ou promessa futura. Para hospitais, clínicas e gestores da área, ela se tornou uma questão de sobrevivência e de salvar vidas com mais precisão, agilidade e humanidade.

Pressões e oportunidades: O que está em jogo?

O cenário global é desafiador, com o envelhecimento da população, aumento da demanda por atendimentos e orçamentos cada vez mais apertados. No Brasil, o gasto com saúde gira em torno de 9,4% do PIB, número expressivo, mas ainda abaixo de países como Estados Unidos (16,6%) e Alemanha (12,7%). A lição é clara, não basta gastar mais, é preciso gastar melhor.

E é nesse ponto que a transformação digital entra como força estratégica. Não se trata apenas de informatizar processos ou trocar papel por telas. É uma mudança estrutural de cultura, gestão e assistência.

O que realmente significa transformar digitalmente a saúde?

Transformar digitalmente não é sobre instalar sistemas. É sobre repensar o cuidado ao paciente desde a base. Na prática, isso se traduz em uso inteligente de dados clínicos e administrativos, automação de tarefas repetitivas, aplicação de IA no apoio à decisão médica, expansão da telemedicina, interoperabilidade entre sistemas e instituições, e plataformas digitais centradas na experiência do paciente.

O objetivo? Um sistema mais ágil, preciso, integrado e sustentável, com o paciente no centro de tudo.

Onde estamos: O retrato da maturidade digital no Brasil

Apesar dos avanços, a maturidade digital dos hospitais brasileiros ainda é mediana. Segundo o relatório “Mapa da Transformação Digital dos Hospitais Brasileiros 2024”, elaborado pela consultoria FOLKS, com base em 189 hospitais em todo o país, a média nacional é de 46,2%. Embora 62% das instituições já contem com o digital em sua estratégia, apenas 18% possuem uma governança estruturada. O prontuário eletrônico chegou a 81% dos hospitais e a prescrição digital a 83%, mas somente 9% das unidades são realmente paperless. Em outras palavras, o caminho começou a ser trilhado, mas ainda há muito a construir.

Digitalizar é ganhar tempo e salvar vidas

Os impactos práticos da digitalização são incontestáveis. Durante a pandemia, plataformas de telemedicina escalaram rapidamente e milhões de brasileiros passaram a receber atendimento remoto em questão de minutos. Casos concretos provam o potencial:

– Inteligência artificial em diagnósticos de pneumonia com 92% de acurácia e 85% de redução no tempo de emissão de laudos;

– Admissão digital de pacientes, reduzindo o tempo médio de entrada de 15 para apenas 1 minuto;

– Automação administrativa, que libera equipes para tarefas assistenciais e não burocráticas.

Além disso, a digitalização aumenta a segurança da informação, reduz deslocamentos desnecessários e fortalece a sustentabilidade institucional.

Os cinco pilares da transformação digital na saúde

1 – Cultura e mindset digital: Tecnologia não é inimiga. Profissionais devem ser capacitados para ver nela uma aliada do cuidado.

2 – Experiência do paciente: Jornada mais fluida, humana e personalizada. É possível, mesmo com tecnologia.

3 – Processos inteligentes e interoperáveis: Fluxos integrados eliminam redundâncias e aceleram decisões clínicas.

4 – Decisão baseada em dados: Dashboards e analytics transformam informação em ação segura e eficiente.

5 – Autonomia e hiperpersonalização: O histórico do paciente o acompanha onde ele estiver, dentro e fora do hospital.

Os obstáculos que ainda persistem

Mas nem tudo são avanços. O setor ainda enfrenta desafios consideráveis, como processos manuais e fragmentados, sistemas legados e desatualizados, falta de conectividade, longas filas de espera, resistência cultural à mudança, ciberataques crescentes e exclusão digital de pacientes e profissionais.

As soluções que estão transformando o jogo

Entre as tecnologias que já estão mudando a realidade da saúde, destacam-se o prontuário eletrônico (PEP), BI e analytics para gestão estratégica, automação de processos (RPA), internet das coisas médicas (IoT), telemedicina e telessaúde, interoperabilidade, IA para triagem e diagnóstico, cibersegurança e governança de dados.

O resultado? Mais acesso, menos desperdício, maior eficiência e melhores desfechos clínicos.

Casos de sucesso: lições que vêm do outro lado do mundo

Na China, o “Sun Yat-sen Cancer Center”, com mais de 45 mil cirurgias por ano, já realiza telecirurgias a distâncias superiores a 12 mil km. No “Hospital Ruijin”, robôs entregam medicamentos e tecnologias de ponta, e oferecem radioterapia por prótons com precisão milimétrica, poupando tecidos saudáveis. Esses hospitais digitalmente maduros mostram que inovação salva tempo, reduz custos e melhora a vida, literalmente.

Saúde digital também é saúde sustentável

Digitalizar também é cuidar do planeta. Com menos papel, menos deslocamentos e mais automação, os hospitais passam a ser também aliados da sustentabilidade. E mais, a transformação digital viabiliza a tão discutida migração do modelo “fee for service” para o “value-based healthcare”, onde o foco deixa de ser o volume de procedimentos e passa a ser o resultado clínico do paciente.

O futuro chegou: Hospital 5.0

O hospital do futuro já está sendo desenhado. Chamado de Hospital 5.0, ele será centrado no paciente, altamente conectado, inteligente, sustentável e eficiente. Com recursos, como IA para diagnósticos precoces, realidade aumentada em cirurgias, chatbots clínicos, interoperabilidade, e infraestrutura robusta e segura.

A transformação digital na saúde não é uma escolha opcional. É uma urgência ética, econômica e operacional. Alinhar tecnologia, cultura e gestão é mais do que modernizar hospitais, é revolucionar o cuidado com as pessoas.

Investir em capacitação, infraestrutura e tecnologias integradas é o caminho para um sistema de saúde mais justo, eficiente e humano. Porque, no fim das contas, cada segundo economizado por uma solução inovadora é um segundo a mais para cuidar de quem mais importa: o paciente.

Perfil da autora

Andréa Rangel é Bacharel em Letras com habilitação para tradutor e intérprete, e possui especialização em Comércio Internacional pelo Institute of Export, em Londres. Além de uma pós-graduação em Automação na saúde e na Medicina, pela FMUSP – Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Atualmente, é Head de Negócios em Saúde da Hexa IT.

Sobre a HEXAIT

A HEXA IT é uma das maiores provedoras de soluções de TI do Brasil, especializada em Segurança da Informação, Conectividade e Infraestrutura, Sistemas Cloud, Centro de Serviços e Operações (SOC e NOC), Professional Services e alocação de profissionais.

Presente em todo o território nacional, a empresa está há dez anos no mercado, entregando soluções que aceleram a transformação digital nas empresas, reduzem custos e aumentam a eficiência e produtividade dos processos.

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Furúnculo pode matar? Dermatologista explica os perigos da manipulação caseira da infecção

O caso da jovem que ficou paraplégica após uma infecção repercute nas redes sociais sobre os riscos de tratar furúnculos em casa

Tema frequente de vídeos virais nas redes sociais, o furúnculo costuma ser retratado como uma “acne gigante”, e cenas em que pessoas tentam espremer a lesão em casa batem milhões de visualizações. Até que surge o caso de Jéssica Avelino, jovem de 26 anos que manipulou a lesão em casa e contraiu bactéria que se espalhou pela corrente sanguínea, atingiu a medula espinhal. O quadro evoluiu rapidamente, comprometendo os nervos da coluna e deixando a paciente paraplégica. Ademar Schultz, dermatologista e professor de Medicina do Centro Universitário de Brasília (CEUB), explica que manipular furúnculo em casa não é seguro e pode gerar uma série de consequências graves.
O dermatologista explica que o furúnculo é uma infecção causada pela bactéria Staphylococcus aureus. Segundo ele, ela penetra na pele por pequenos cortes, arranhões ou folículos inflamados e, ao encontrar um ambiente favorável, se multiplica. “A bactéria, que normalmente vive na pele sem causar problemas, pode penetrar na pele através de pequenas lesões, cortes ou feridas e causar a infecção. Isso gera uma inflamação local com acúmulo de pus, o que deixa a região inchada, dolorida, avermelhada e quente ao toque”, detalha.
Apesar de ser uma condição comum, o furúnculo não deve ser subestimado. O docente do CEUB explica que o tratamento correto depende da gravidade da infecção. Segundo ele, em quadros mais leves, compressas mornas ajudam na drenagem espontânea da secreção. Já nos casos mais intensos, pode ser necessária a drenagem cirúrgica e o uso de antibióticos, sempre sob orientação médica. “Espremer a lesão com as mãos ou usar pomadas por conta própria é extremamente arriscado. Isso pode facilitar a entrada da bactéria na corrente sanguínea e causar complicações graves.”
O professor adverte que, no caso da paciente, ao tentar drenar o furúnculo sozinha, a infecção se espalhou. Ademar explica que, nesses casos, a bactéria pode atingir qualquer parte do corpo, inclusive a medula espinhal, como no caso dela. “O nome disso é bacteremia, quando a bactéria circula pelo sangue e encontra outros locais para se instalar. Se ela atinge estruturas delicadas, como as vértebras ou os nervos da coluna, o risco de sequelas graves aumenta muito”, alerta.
Sobre a possibilidade de reversão da paraplegia, o especialista afirma que tudo depende do estágio em que a infecção é detectada. “Se for tratada logo no início, há boas chances de recuperação. Mas, se o comprometimento nervoso for extenso, o dano pode se tornar permanente. Por isso, qualquer sinal de infecção deve ser levado a sério.”
Para o dermatologista, casos como estes reforçam a importância da informação e da busca por atendimento especializado. “O corpo dá sinais. Dor forte, aumento da lesão, febre ou localização em áreas sensíveis como o rosto são alertas. Nesses momentos, o mais importante é deixar de lado as receitas caseiras e procurar ajuda médica”, completa o professor.
Confira o relato da paciente Jéssica no TikTok: https://vm.tiktok.com/ZMBsNJq3V/
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