Ao Jornal Nacional, Bolsonaro inventa ‘9º seminário LGBT infantil’

Candidato se referia na verdade ao 9º seminário LGBT no Congresso, que em 2012 debateu o tema “infância e sexualidade”
Mauro PIMENTEL / AFP
Bolsonaro

O candidato concedeu entrevista ao Jornal Nacional nesta terça 28

Em entrevista ao Jornal Nacional, da Rede Globo, Jair Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PSL, inventou um suposto “9º seminário LGBT infantil”. Em 2012, ocorreu na verdade o 9º seminário LGBT no Congresso Nacional, cujo tema era “infância e sexualidade”.

O seminário é realizado anualmente. No 15º seminário LGBT no Congresso, de junho deste ano, o encontro tratou de temas como justiça inclusiva, envelhecimento e acesso à saúde, violência e abandono familiar, mercado de trabalho, todos sob a ótica da população LGBT. O tema da sexualidade na infância foi, portanto, apenas um dos debates realizados no Congresso pelos seminários.

À época, Bolsonaro criticava o chamado kit anti-homofobia, chamado pelo deputado de “kit gay”. O kit educativo, que faz parte do projeto Escola sem Homofobia, foi avaliado pelo Conselho Federal de Psicologia, pela Unesco e pelo Unaids, e teve parecer favorável das três instituições, mas acabou vetado por Dilma Rousseff em 2011. Bolsonaro chegou a levar uma suposta cartilha ao Jornal Nacional, que não foi mostrada pela emissora.

O 9º Seminário LGBT foi organizado pela Frente Parlamentar Mista Pela Cidadania LGBT, coordenada pelo deputado Jean Wyllys, do PSOL. À época, Wyllys e outros convidados alertaram para a violência infantil contra quem não se encaixa nos padrões de gênero definidos pela sociedade. 

“Tem o tema e o lema. O lema vai ser “Todas as Infâncias são Esperança”. Em torno desse tema a gente quer discutir o próprio reconhecimento de uma sexualidade infantil, proteger as crianças que escapam dos papéis de gênero definidos pela sociedade da violência. A gente sabe que tem muita criança que sofre violência doméstica terrível, são queimadas, são espancadas porque não se enquadram em papéis de gênero. Ou seja, aquele garoto que, com 6, 7 anos de idade, quer brincar de boneca e os pais batem”, disse Wylls ao portal da Câmara à época.