Semarh lança série com registros na região das nascentes do rio Potengi

O meio ambiente possui conexões entre os seres vivos e o meio natural numa relação de interdependência que torna importante o papel de cada agente natural, de cada ser vivo envolvido, incluindo o ser humano. A função dos seres vivos na natureza transmite esse equilíbrio, seja como espécies polinizadoras ou dispersoras de sementes, seja na influência da regeneração vegetal e até no controle da população entre as espécies da fauna. 

Alterações nessas relações podem causar desequilíbrio, de modo que a retirada de uma única espécie da fauna de um sistema pode causar efeitos em cascata, refletindo em muitas outras, como defendem especialistas. Neste sentido, é importante reconhecer essa interdependência na conservação da biodiversidade, como forma de abrir oportunidades para projetos e políticas ambientais públicas voltados para a qualidade ambiental da natureza com o envolvimento da sociedade.

A Coordenação de Meio Ambiente e Saneamento da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Comeas/Semarh) traz então a público a série temática “Bichos do Mato”, como forma de divulgar a importância dos animais silvestres na natureza, visando a qualidade ambiental do meio onde vivem. 

“A ideia foi pensada como uma forma de levarmos ao público em geral a fauna de regiões que precisam ter a sua devida conservação e preservação ambiental, divulgando a importância das espécies encontradas e o meio onde vivem, visando ações do poder público e da sociedade civil. Tanto que começamos pela fauna encontrada na região das nascentes do rio Potengi”, ressaltou o coordenador da Comeas, Robson Henrique.

Animais Silvestres da região das Nascentes do Rio Potengi

Marina Antongiovanni, subcoordenadora da Comeas fala um pouco mais daquela que será a primeira série temática envolvendo os animais silvestres da Caatinga Potiguar. “Bichos do Mato será inaugurada com registros de animais feitos durante o trabalho da Semarh de identificação de espécies de animais silvestres que vivem ou frequentam a nascente do rio Potengi”. Marina, que já desenvolveu trabalhos de pesquisa na caatinga potiguar juntamente aos pesquisadores da UFRN, explica que a região semiárida ocupa 90% do território do estado do RN e guarda uma diversidade de animais que nos apontam as melhores estratégias para pensarmos na preservação do ambiente local. 

“O levantamento de fauna na região foi feito a partir de uma parceria com o Projeto Caatinga Potiguar, da UFRN. Por meio do pesquisador Paulo Henrique Marinho, o projeto nos auxiliou cedendo e instalando, durante o mês de novembro do ano passado, nove armadilhas fotográficas que capturaram imagens das espécies presentes na área”, completa a subcoordenadora. Foram encontradas espécies ameaçadas de extinção e uma quantidade de mamíferos que representa mais de 40% dos já registrados no RN, nos esclarece a pesquisadora da Semarh, Virgínia Paixão, ecóloga da Comeas.

Sobre a Agenda de Proteção das Nascentes do Potengi

Em junho do ano passado, um grupo de trabalho integrado por agentes públicos e representantes da sociedade civil criou um projeto voltado para Proteção das Nascentes do Rio Potengi com objetivo de estabelecer açõe grandes em prol da recuperação e conservação da região. Foram planejadas atividades científicas, educativas e de gestão que, além do foco preservacionista, prevê a utilização da nascente para fomentar a economia regional. Na prática, é o trabalho conjunto do estado e da sociedade civil reunindo ideias e ações já existentes, e incorporando novos elementos, para proteger e preservar o berço do rio que dá nome ao nosso estado. 

A Agenda de Proteção à Nascente do Rio Potengi é uma ação do Governo do Estado, por meio do Governo Cidadão, SEMARH (Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos), IDEMA (Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente), IGARN (Instituto de Gestão de Águas do RN), Emater (Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural) e Secretaria de Turismo. Os recursos do projeto são oriundos de empréstimo com o Banco Mundial, em parceria com a Prefeitura de Cerro Corá, Ministério Público Estadual, universidades, outras instituições públicas e entidades do movimento ambientalista.