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FLASHES E BRILHOS

‘Day use’ é opção para quem busca um dia de lazer diferente

Tirar um dia para sair da rotina e usufruir de algumas horas bem diferentes do cotidiano, não precisa ser uma aventura radical. Pelo contrário: sol, sombra e água fresca são a melhor fórmula de relaxamento para combater qualquer estresse. O conceito de ‘day use’ (usar por um dia), que já vem sendo adotado há anos por diversos hotéis e resorts, tem se tornado uma das melhores alternativas de lazer para quem deseja um escape diferente. É a opção para quem aprecia ficar na beira da piscina, mas não quer se hospedar ou não tem dinheiro para pagar a diária do hotel. A infraestrutura elaborada desses lugares também fazem a empreitada valer a pena.

No Imirá, o não hóspede pode usufruir dos serviços do hotel

No Imirá, o não hóspede pode usufruir dos serviços do hotel 
 
Um dia em Natal
Morar no lugar onde os outros passam férias, tem vantagem extra quando se pode curtir aquele ‘day use’ num hotel. O melhor para o natalense: é perto de casa. O tradicional Vila do Mar, na Via Costeira, tem day use diariamente, das 6 às 17h. Termina na hora de almoço do restaurante. Durante esse dia, o cliente pode curtir as quatro piscinas (uma infantil), os bares, o restaurante Canguleiro (com buffet), área de spa (com hidromassagem e sauna), e quadra poliesportiva. Há ainda acesso à praia. O preço é R$30 por pessoa (de segunda à sexta) e R$60 (aos sábados, domingos e feriados). O valor é revertido em consumo. Criança até 12 anos não paga. Tel.: 4009-4999.

Vila do Mar abre suas dependências para serviço ‘day use’

Vila do Mar abre suas dependências para serviço ‘day use’
O Imirá Plaza Hotel & Convention, na Via Costeira, tem day use diário, com preços diferentes ao longo da semana: R$40 de sexta a domingo, e R$20  de segunda à quinta. Tudo é revertido em consumo. O cliente pode desfrutar de toda a estrutura   de lazer da casa, com piscina, salão de jogos, ginástica, restaurante (com buffet e a la carte), duas piscinas, sauna, e espaço kids. Tem acesso à praia. Horário: das 8 às 20h. Mais informações pelo 4005-0505.

O Coral Plaza Apart Hotel, em Ponta Negra, tem day use diário das 10h30 às 18h, ao preço de R$70 por pessoa (revertido para consumo). Crianças até 12 anos não pagam. O Coral conta com três piscinas, espaço kids, restaurante, e bar com drinques especiais. Mais informações pelo 3642-7400/99950-9014.

Paraíso de Touros
Além de ser um lugar de grande importância histórica, Touros também entrou na rota turística potiguar graças ao Beach Resort Paraíso do Brasil. Além de sua estrutura, conta com as belezas naturais do balneário em suas redondezas. O day use funciona da seguinte forma: R$30 de segunda à quinta tudo é revertido em consumo, e de sexta a domingo, só R$20 é revertido. O resort fica de frente pro mar, com piscina próxima à praia, barraquinhas à beira-mar, e um restaurante que segue a linha gastronômica de praia, com peixes e frutos do mar frescos em destaque. Aos domingos tem buffet, e a la carte nos demais dias. O resort fica ao lado do farol. Tel.: 99212-4812/99170-3806.

Garças de Mipibu
O Eco Resort Rio das Garças, em São José de Mipibu, sai do clima litorâneo e embarca numa paisagem campestre, com muito verde. O day use funciona apenas aos sábados, domingos e feriados, incluindo acesso à área de lazer com passeios de pedalinho, caiaque, charrete, tirolesa, piscinas (adulto e infantil) e trilhas ecológicas. Há ainda feijoada e música ao vivo a cargo do cantor Berthone Oliveira. O horário é das 9 às 16h. O preço é de R$50 por pessoa (revertido em 50% de consumação para reservas pagas antecipadas). Mais informações pelo 98129-2505/3645-6660.

Resort Rio das Garças oferece lazer com paisagem campestre

Resort Rio das Garças oferece lazer com paisagem campestre

Um dia em Tibau

O Ponta do Pirambu é um day use com estrutura de resort em Tibau do Sul, a 7km de Pipa. Abre diariamente, das 9 às 17h. Os preços são os seguintes: R$60 de segunda à sexta, e R$80 aos sábados, domingos e feriados. O cliente tem à disposição a premiada gastronomia da casa,  a piscina com borda infinita, espreguiçadeiras ao sol, e redário na beira da praia. O resort fica em frente à Praia do Giz, numa região conhecida por suas praias, falésias e mata nativa. Crianças até sete anos não pagam.

Em Tibau do Sul, a Ponta do Pirambu combina boa gastronomia à beira da piscina

Vila do Mar abre suas dependências para serviço ‘day use’
 
Um dia em Pipa

Entre as dunas e o mar, fica o Acquapipa Resort, inaugurado há um ano. O day use é diário, das 10 às 17h, com preços de R$30 durante a semana, e R$50 às sextas, sábados e feriados. Crianças de 6 a 12 anos pagam a metade. O valor é revertido em 50% de consumo só para quem mora em Pipa e Goianinha. O local conta com três piscinas (duas infantis), parque temático com recreação, brinquedos e área de lazer. Para adultos tem salão de jogos, arco e flecha, quadra de vôlei de areia, jacuzzi e campo de futebol. O menu do restaurante é a la carte. O resort tem ainda uma escadaria particular com acesso à praia da Cacimbinha. Tel.: 2030-3340.

Paraíso tailandês
Pelo caminho da badalada São Miguel do Gostoso, chega-se ao Tao Paradise, no povoado de Catolé, em Pureza. Em meio a um bananal de 25 hectares, foi construído um refinado bangalô de inspiração tailandesa. O acesso é feito apenas através de buggys e carros 4×4. É um day use que funciona de quarta a domingo, das 10h30 às 16h. Foi construído às margens do rio Punaú, que também é cenário do local. O preço é de R$150 por pessoa, com água, petisco, almoço completo (entrada, macarrão, prato principal, sobremesa e café) – com direito a menu do mar e menu da terra. Reservas pelo 99427-5445.

Maracajaú
O Manoa Park é considerado o maior complexo de lazer do estado, tendo a praia de Maracajaú como moldura. Funciona diariamente das 9 às 16h. O local conta com diversas opções de lazer, como toboáguas, piscinas, restaurante, bar molhado, e o espaço beach Manoa – este tem camas balinesas, cadeiras de bronzeamento e gazebos tropicais numa área verde. Tel.: 9987-6747 ou 3261-6261

Manoa vai além do parque aquático e oferece outros atrativos

Manoa vai além do parque aquático e oferece outros atrativos
FLASHES E BRILHOS

A mesa boêmia da Cidade Alta

Berço e primeiro bairro de Natal, a Cidade Alta tem muita história pra contar, e uma delas está em sua gastronomia. O local que já foi epicentro da vida social natalense atravessou séculos, décadas, e deixou um sabor todo próprio – que mesmo diante da diversidade dos dias de hoje, ainda mantém viva sua mistura entre interior, cidade grande, boemia, e província.

Antropóloga Thárgila e sua orientadora de mestrado, Julie Cavignac: estudo da cozinha boêmia do Centro

Antropóloga Thárgila e sua orientadora de mestrado, Julie Cavignac: estudo da cozinha boêmia do Centro

“É uma culinária específica. Essencialmente, uma cozinha de boteco, mas o boteco de uma cidade nordestina do interior, que se caracteriza pelos alimentos que são da nossa região”, afirma Thágila Oliveira, uma antropóloga apaixonada por gastronomia, que saboreia a comida do centro por prazer e também por estudo.

O tema de sua dissertação de mestrado é “A cozinha boemia: estilo alimentar, identidade local e sociabilidade na Cidade Alta”, um estudo feito entre degustações e observações.

A culinária da Cidade Alta tem perfil sertanejo e de boteco

A culinária da Cidade Alta tem perfil sertanejo e de boteco

Thágila não vê a gastronomia da Cidade Alta pelo viés da refeição, mas de uma comida de festa, daquelas pensadas para acompanhar uma bebida. “Não é comida para encher a barriga. Até pode, claro, mas a sinto mais como acompanhante para uma cerveja ou aguardente. É sabor para lazer, para uma festa”, analisa. Ela sabe que o centro está hoje repleto de restaurantes diferentes, entre self-services, cozinha oriental, europeia, e fast foods variados, mas é na comida de bar que o bairro mantém sua identidade.

O roteiro antropológico e gastronômico de Thágila passa pelo bar de Zé Reiera e se serve da galinha caipira, o chambaril com pirão, e a bisteca de porco, que ela destaca como seus favoritos. Já no Bar da Nazaré, outro local favorito, ela destaca o carneiro com macaxeira, a fava, e a galinhada que é servida só às sextas-feiras.  E ainda tem carne de sol, paçoca, picado, e baião de dois, alguns clássicos da área. Para Thágila, os bares e restaurantes que servem essa comida ajudam a manter a identidade de espaços que não costumam ter visibilidade. “A boemia faz parte da história do centro antigo. Não é só comer para saciar, mas também se sentir pertencente ao lugar. A culinária ressignifica esse ambiente”, diz.

Maioria dos comes do centro são a melhor companhia para uma cerveja gelada ou cachacinha

Maioria dos ‘comes’ do centro são a melhor companhia para uma cerveja gelada ou cachacinha

Almoço temático terá sorvete de “meladinha”

A pesquisadora e cozinheira Adriana Lucena transformou as memórias culinárias, baladeiras e afetivas dos anos 80 e 90 no cardápio de seu novo almoço temático, “A cozinha pop da Cidade Alta”, que ela servirá nesta sexta-feira na Galeria de Arte B-612, na Ribeira (com reservas já esgotadas). No cardápio terá caldo de mocotó, um cozido completo com arroz de pirão, e um sorvete baseado na histórica receita de cachaça e mel do Bar da Meladinha. E um cafezinho pra encerrar.

Chef Adriana Lucena serve hoje almoço em homenagem a cozinha da Cidade Alta

Chef Adriana Lucena serve hoje almoço em homenagem a cozinha da Cidade Alta

Adriana conta que não frequenta mais os sambas e festas do centro, mas continua aparecendo durante a semana, sem as badalações, para saborear as iguarias da área. “A comida da Cidade Alta, no geral, tem um perfil caseiro, por isso que é tão saborosa. Apesar do centro ter mudado muito, a comida se mantém a mesma”, afirma. O próximo almoço temático de Adriana já tem um tema: “Inspirações no Sertão”, no qual ela fará releituras de receitas antigas, de família, mas sem cair no regionalismo óbvio. Histórias sempre podem ser contadas de outra forma.

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Jornalista potiguar, Arlindo Freire morre aos 84 anos

Faleceu em Natal, na madrugada desta sexta-feira (5) o jornalista Arlindo Freire, aos 84 anos de idade. Arlindo foi o primeiro presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Norte (Sindjorn/RN) e foi correspondente do jornal o Estado de S. Paulo por doze anos. Nos veículos de comunicação do Estado, ele atuou também na Tribuna do Norte e TV Universitária, além de rádios locais.

O jornalista Arlindo Freire foi o primeiro presidente do Sindicato de Jornalistas do RN que foi fundado em 1979
O jornalista Arlindo Freire foi o primeiro presidente do Sindicato de Jornalistas do RN que foi fundado em 1979 

Natural da cidade de Pendências, no Oeste potiguar, Arlindo Freire chegou a Natal aos nove anos de idade. O profissional militou nas emissoras de rádio e nas diversas redações da capital potiguar contra a ditadura.

Além de jornalista, Arlindo Freire, era escritor e publicou o livro “Guerra Infinita”, sobre o extermínio de indígenas no RN. Em 2012, ele recebeu o título de Cidadão Natalense pela Câmara Municipal de Natal.

A assessora de Comunicação do Lais (Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde), Valeria Credidio que é parente do jornalista, informou que Arlindo estava hospitalizado e muito debilitado devido a complicações renais. Ele faleceu por volta de 1h30 desta sexta-feira (5).

O velório teve início às 8h no Morada da Paz, em Emaús e está marcada nesta manhã às 10h uma missa de corpo presente que será celebrada pelo arcebispo Dom Jaime Vieira Rocha que é amigo da família. Às 11h será realizado o enterro.

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Mutirão de mamografias gratuitas começa na segunda-feira (8) na Zona Norte de Natal

Mutirão de mamografias gratuitas começa na segunda-feira (8) na Zona Norte de Natal — Foto: Reprodução/ TV TEM

Mutirão de mamografias gratuitas começa na segunda-feira (8) na Zona Norte de Natal — Foto: Reprodução/ TV TEM

Começa nesta segunda-feira (8), a partir das 8h, o mutirão de mamografias gratuitas promovido pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), na UBS de Santarém, Zona Norte de Natal. O evento acontecerá dentro da programação do Outubro Rosa, mês de conscientização e combate ao câncer de mama.

O atendimento será feito na Unidade Móvel Savana Galvão, do Grupo Reviver, e é voltado para mulheres com idade entre 50 e 69 anos. As pacientes poderão fazer os exames pelo Sistema Único de Saúde (SUS), sem a necessidade de pedido médico

As ações acontecerão em quatro bairros da Zona Norte da capital e seguem até o dia 2 de novembro.

Confira as datas e locais:

  • 08/10 a 12/10 – UBS Santarém (Avenida Rio Doce, 12 – Santarém)
  • 15/10 a 19 /10 – Policlínica Oeste (Avenida Pernambuco, 166 – Cidade da Esperança)
  • 22/10 a 26/10 – Unidade Rosângela Lima (Rua Santa Beatriz, 11 – Planalto)
  • 28/10 a 02/11 – Policlínica Zeca Passos (Praça Augusto Severo, 281- Ribeira)
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De biquíni branco, Pabllo Vittar grava novo clipe com a camisa da Argentina

Pabllo Vittar
Pabllo Vittar Foto:AgNews

A cantora Pabllo Vittar deixou o corpo à mostra durante uma gravação na tarde desta quarta-feira (3). Ela surgiu de biquíni branco e camisa da seleção da Argentina em uma praia no Rio de Janeiro. Com o cabelo loiríssimo, a artista jogou uma partida de futebol junto com outras mulheres e esbanjou simpatia para a câmera.

Pabllo gravou o clipe da músicaCaliente, que faz parte do novo álbum da cantora argentina Lali Esposito e tem que tem a sua participação. A canção foi feita em português e em espanhol e será lançada em breve.

“Eu tinha dez anos na quinta série e foi muito difícil para mim que era uma criança gordinha afeminada no meio daquele monte de gente. Estava muito feliz por entrar na quinta série, achei que faria muitos amigos, mas no primeiro dia me bateram. E eu não tinha a quem recorrer. Eu tinha minhas irmãs que estudavam comigo, mas os professores não faziam nada”, revelou.

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Ana Maria Braga se atrapalha, dá informação equivocada sobre as eleições e é corrigida

Ana Maria Braga se atrapalha, dá informação equivocada sobre as eleições e é corrigida
Ana Maria Braga se atrapalha, dá informação equivocada sobre as eleições e é corrigida Foto:Reprodução

 

A apresentadora Ana Maria Braga se confundiu e deu uma informação errada no Mais Você desta quinta-feira (4).

Conversando sobre as eleições com o jornalista Alexandre Garcia, ela deu uma informação equivocada sobre o processo eleitoral.

“No próximo domingo a gente vai votar para presidente, governador, senador… A votação para senador acontece de oito em oito anos, por isso a gente estranha. Há quatro anos a gente não votou para senador”, disse a comandante do matinal.

Ela então foi corrigida por Garcia, que explicou melhor como funciona o sistema.

“É que cada senador tem mandato de oito anos, mas não empata oito com oito. Vão dois de uma vez e um de outra. Por isso na anterior foi um senador por estado!”, disse ele.

Apesar da explicação, muitos fãs reclamaram nas redes sociais sobre o assunto afirmando que tudo continuou confuso mesmo após a intervenção do jornalista.

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O mundo de hoje é classe média

O mundo moderno é de classe média e alta: pela primeira vez na história contemporânea, um pouquinho mais de 50% da população global de 7,6 bilhões de pessoas pode ser considerado de classe média ou alta, sendo 3,59 bilhões só no segmento médio.

É o que informa o World Data Lab, baseado em Viena e financiado, entre outros, pelo governo alemão e pelo Unicef, o braço da ONU para a infância. O resultado decorre da análise da renda e de gastos de lares compilados por 188 países e agregados pelo Banco Mundial.

Pena que o Brasil não siga essa tendência mundial. Afinal, classe média costuma ser elemento de estabilidade, porque, em geral, seus integrantes têm um desejo existencial (ascender ao andar de cima) e um receio primordial (evitar descer para o andar de baixo), para usar expressões consagradas por Elio Gaspari.

É óbvio que instabilidade, econômica ou política, conspira contra a ascensão e facilita a derrapagem.
Homi Kharas, um dos coordenadores da pesquisa, traz a classe média para a situação do Brasil às vésperas da eleição de domingo: “A classe média estava saturada da corrupção, saturada dos pobres serviços públicos e vinha consistentemente optando por mudanças no governo”, disse.

No Brasil, de fato, a classe média foi espremida nos anos Lula/Dilma, como prova a mais completa e confiável pesquisa sobre desigualdade, feita pelo grupo liderado pelo francês Thomas Piketty e que desmontou a propaganda governamental de que havia diminuído a desigualdade no período.

O estudo deles demonstra que os 10% mais ricos viram sua fatia da riqueza nacional aumentar de já obscenos 54% para 55%. Os 50% mais pobres também tiveram um ganho de um ponto percentual (de ínfimos 11% para insignificantes 12%).

Quem perdeu esses dois pontos percentuais foi justamente a classe média, que passou a ficar com 32% da renda.

Que esteja enfurecida, se entende. Mas, do meu ponto de vista, não se justifica que penda para um candidato que faz apologia da tortura.

 

Na teoria, o comportamento deveria ser diferente, como comenta Kristofer Hamel, operador-chefe do World Data Lab: o rápido crescimento da classe média, diz ele, “terá significativos efeitos econômicos e políticos, na medida em que as pessoas se tornarão mais exigentes com as empresas e os governos”.

O World Data Lab põe na classe média quem ganha entre US$ 11 e US$ 110 por dia (de R$ 43 a R$ 423), com base na paridade do poder de compra, o cálculo que leva em conta os preços em cada país.

No Brasil também houve notável progresso, mas a maioria da população ainda é ou pobre ou de baixa renda (ganha entre US$ 2 e US$ 10 por dia).

É o que mostra outro estudo, do Centro Pew de Pesquisas, feito em 2011: a maioria (50,9%) ficava entre a pobreza (7,3%) e a baixa renda (43,6%).

Na classe média (US$ 10 a US$ 20), estavam apenas 27,8% dos brasileiros, de todo modo um auspicioso crescimento de dez pontos percentuais em relação a 2001.

Como os anos mais recentes, não cobertos pelo estudo, foram de crescimento econômico negativo ou muito reduzido, parece razoável deduzir que a classe média encolheu ou estacionou desde 2011.

Ou, posto de outra forma, também nesse quesito, o da classe média, o Brasil está fora de sintonia com o mundo.

 

Clóvis Rossi

Repórter especial, membro do Conselho Editorial da Folha e vencedor do prêmio Maria Moors Cabot.

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Eleição do ‘marketing zero’ apaga reinado dos publicitários

As verbas secaram, o tempo encurtou, a tecnologia mudou, e a campanha eleitoral de 2018 se consolida como aquela em que a era dos marqueteiros-estrelas foi atropelada pelo “marketing zero”.

Líder nas intenções de voto, com 32%, segundo o Datafolha desta segunda (1º), Jair Bolsonaro (PSL)nem marqueteiro tem. Com tempo ínfimo na TV, o próprio candidato, seus filhos e o presidente do PSL, Gustavo Bebianno, decidem a estratégia de comunicação.

É uma campanha “amadora”, segundo o candidato a vice, Hamilton Mourão (PRTB).

O acesso dos eleitores a redes sociais ajuda a entender melhor essa mudança: 81% dos eleitores do capitão reformado têm acesso a elas, segundo o Datafolha, acima da média nacional (68%).

Entre os eleitores de Fernando Haddad (PT), só 59% acessam as redes. A parcela sobe a 72% entre os de Ciro Gomes (PDT), mas volta a ficar abaixo da média para Geraldo Alckmin (PSDB), com 53%, e Marina Silva (Rede), 60%.

A diferença é expressiva também no uso do WhatsApp, apontada por especialistas como a mais poderosa (e perigosa) rede social, por ser muito difícil de monitorar. Ataques a concorrentes e notícias falsas podem se disseminar com rapidez sem a possibilidade de direito de resposta ou reações.

São 79% os eleitores de Bolsonaro que usam o WhatsApp, e 40% compartilham por ali notícias sobre a eleição.

Entre seus principais concorrentes, o que chega mais perto é Ciro, com 71% dos eleitores —mas apenas 20% usam a rede para a política.

“Nunca o marketing foi tão insignificante. Não fez diferença nenhuma o tipo de profissional, sua capacidade ou estratégia”, diz o publicitário Bob Vieira da Costa, especialista em comunicação pública.

A questão não é apenas de plataforma, mas de conteúdo. Desde o começo do ano, pesquisas qualitativas mostravam descrença do eleitor nos políticos e nas promessas de governo. “Não é um processo comum, que um marqueteiro consegue corrigir.”

As pesquisas, segundo o publicitário, mostravam um eleitor à procura de “atitude”: “Uma demonstração mais eloquente de compromisso e disposição”. No diagnóstico de analistas e profissionais da área, há menos razão e mais emoção nesta eleição.

Há também menos espaço para erro numa campanha “de uma onda só”, em oposição às anteriores, de “duas ondas”. A duração caiu à metade —de 90 para 45 dias— e os comerciais na TV ocupam 35 dias, e não mais 45. É preciso definir logo o rumo e corrigir rotas muito rapidamente.

O tempo dos programas encolheu, e quase metade dos eleitores (49%) diz não ter interesse no horário eleitoral, segundo o Datafolha.

Mesmo as inserções publicitárias, apostas dos marqueteiros para atingir mais audiência, não têm correlação com as intenções de voto nestas eleições. Com apenas um comercial a cada três dias, Bolsonaro nunca teve menos que 20% das intenções de voto, enquanto Alckmin, com 12 inserções de 30 segundos por dia, não ultrapassou 10%.

“Não adianta ter tempo maior se não comunicar o que as pessoas esperam ouvir”, diz Vieira da Costa.

“Com o encolhimento da TV, o marketing volta a ter cinco pernas, e não apenas uma superatrofiada”, diz o consultor político Gaudêncio Torquato.

Segundo ele, nas campanhas passadas marqueteiros como João Santana e Duda Mendonça eram considerados tão ou mais importantes que os próprios candidatos.

“Faziam grandes produções com recursos cinematográficos, uma verdadeira mistificação. O candidato passava os dias dentro do estúdio.”

Os escândalos do mensalão e da Lava Jato arranharam a imagem da função, a ponto de quatro ex-marqueteiros ouvidos pela reportagem preferirem não ser identificados.

Regras de financiamento eleitoral aprovadas em 2017 ajudaram emagrecer a perna da comunicação, porque tornaram inviáveis superproduções e os salários pagos em eleições anteriores.

No máximo, cada candidato a presidente pode gastar no primeiro turno R$ 70 milhões —incluindo todas as atividades, como publicidade, aluguel, transporte, alimentação etc. É o equivalente ao que um único marqueteiro diz ter recebido em 2014: João Santana, responsável pela campanha de Dilma Rousseff (PT).

Os envolvidos neste ano não declaram valores, mas profissionais da área falam em honorários de cerca de R$ 1 milhão —menos de 2% do que ganhou Santana em 2014.

Avanços tecnológicos permitiram uma campanha mais barata. Em vez de equipes de TV com equipamento caro e cinco pessoas (repórter, cinegrafista, assistente de áudio, de luz e motorista), há campanhas feitas só com celular.

Desapareceram as longas temporadas em estúdios, com comida e bebida 24 horas por dia e centenas de pessoas.

Por outro lado, diz Torquato, cresce a relevância relativa das outras quatro pernas: a análise de pesquisas, o posicionamento do discurso, a elaboração de propostas e a articulação social e mobilização de massa.

Funções que antes eram segmentadas hoje se integraram. Filmes feitos nas ruas são usados na TV e nas redes sociais.

Analistas e concorrentes reconhecem o sucesso da estratégia de Bolsonaro na internet, mas afirmam que ela não deve ser superestimada. “Sem atitude, as redes ficam mornas, chochas. Ninguém vai se manifestar sobre aquilo que não mobiliza. Fica sem combustível”, diz Vieira da Costa.

Outros limites das redes sociais, segundo marqueteiros, é que elas são mais úteis para destruir que para construir e pregam para convertidos.

O segredo de Bolsonaro foi consolidar uma rede de apoiadores fora da internet. Como outras decisões da campanha, não foi um trabalho de profissional de marketing, mas do núcleo próximo do candidato.

Essa articulação no mundo real —com sindicatos e movimentos sociais— ajudou partidos como o PT e o PDT a ampliar sua bolha, dizem analistas.

QUEM SÃO (OU NÃO) OS MARQUETEIROS

JAIR BOLSONARO (PSL)
Marqueteiro: não tem. O candidato dá a palavra final sobre as estratégias
Outros nomes: os filhos Eduardo, Flávio e Carlos e o presidente do partido, Gustavo Bebianno, participam das discussões de campanha

FERNANDO HADDAD (PT)
Marqueteiros: Raul Rabelo, publicitário, e Otávio Antunes, jornalista
Perfis: Rabelo é descrito como seguro, apesar de jovem, e capaz de liderar sem arrogância. Tem como mentor o baiano Sidônio Palmeira, marqueteiro de Jaques Wagner e Rui Costa
Otávio é militante petista. Ganhou projeção na Fundação Perseu Abramo e é visto como muito envolvido com o partido e “pau para toda obra”
Outros nomes: Olga Curado, jornalista, é responsável pela imagem de Haddad

CIRO GOMES (PDT)
Marqueteiros: Manoel Canabarro e Augusto Fonseca, jornalistas
Perfis: Experiente, Canabarro é descrito como tranquilo e sociável, mas o único capaz de enfrentar Ciro e fazê-lo mudar de opinião. Pupilo de Duda Mendonça, assumiu a campanha de Marta Suplicy à prefeitura em 2004. É marqueteiro da família Gomes desde 2006, e fez a campanha de Gabriel Chalita a prefeito de SP em 2012. Fonseca, ex-repórter premiado, trabalhou para FHC em 1994 e Marta Suplicy em 2000. Próximo de João Santana, fez a campanha de Aloizio Mercadante, em 2010

GERALDO ALCKMIN (PSDB)
Marqueteiro: Lula Guimarães, jornalista
Perfil: é descrito como competente na comunicação, mas pouco experiente em redes sociais e na guerra de poderes da campanha tucana. Foi o marqueteiro de Eduardo Campos (PSB) e Marina Silva em 2014. Em 2016, liderou a campanha de João Doria à Prefeitura de SP
Outros nomes: Átila Francucci, publicitário, é responsável pela criação. O jornalista Marcio Aith e o cientista político Luiz Felipe D’ Avila disputam a estratégia política. André Lacerda, jornalista, faz a análise política

MARINA SILVA (REDE)
Marqueteiro: não tem. Decisões são tomadas por grupo de até 12 pessoas, sempre com a candidata
Outros nomes: Lourenço Bustani e Andrea Gouvêa coordenam a campanha. Filho de diplomata, Bustani é consultor em sustentabilidade e assume da produção de vídeo à imagem e mobilização de rua. Andrea, ex-vereadora, cuida da articulação política. Toinho Alves, militante, é conselheiro político e redator dos discursos

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A pedido do MEC, governo adia horário de verão para 18 de novembro

MEC não havia levado em conta decreto sobre horário de verão feito em 2017 Foto: Bárbara Lopes / .

RIO – O horário de verão começará no dia 18 de novembro — depois da realização das provas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

A data de início estava prevista para 4 de novembro, mas foi adiada a pedido do Ministério da Educação para não prejudicar os estudantes que farão o exame, nos dias 4 e 11 do mês que vem.

O martelo foi batido ontem pelo presidente Michel Temer em reunião com o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco. O decreto presidencial com o horário de verão será publicado no Diário Oficial da União nos próximos dias.

Um dos exemplos citados pelo tribunal foi o Acre, onde as urnas são fechadas três horas depois da contagem de votos já ter sido iniciada nas regiões Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste.

Atualmente, adotam o horário de verão os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal.

DURAÇÃO MENOR

Já a data final para o horário de verão foi mantida para o terceiro domingo de fevereiro de 2019. Com isso, ele terá duração menor na comparação com outros anos. Em 2017, o horário de verão começou no dia 15 de outubro e terminou em 18 de fevereiro de 2018.

A confusão aconteceu porque, ao marcar a data do Exame Nacional do Ensino Médio, técnicos do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacional Anísio Teixeira (Inep) não levaram em consideração um decreto que havia sido editado pela Presidência em 2017, fixando o início do horário de verão no primeiro domingo de novembro.

Ao perceber que as datas coincidiam, o que aconteceu somente na semana passada, o ministério enviou um ofício à Presidência solicitando o adiamento da mudança para não atrapalhar a realização da prova.

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Posts irregulares em propaganda eleitoral geram 633 denúncias

Políticos de diferentes cargos eletivos e seus apoiadores, muitas vezes no anonimato, estão fazendo propaganda eleitoral sem identificar quem pagou por elas nas redes sociais. O aplicativo Pardal, criado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já recebeu 633 denúncias relacionadas às redes sociais no período eleitoral, desde agosto, 82 delas por falta de identificação de CNPJ ou CPF – quase duas por dia. Os dados foram obtidos pela reportagem pela Lei de Acesso à Informação.

Aplicativo do TSE, Pardal ajuda a eleitores a enviar denúncias de anúncios irregulares e de propagandas proibidas
Aplicativo do TSE, Pardal ajuda a eleitores a enviar denúncias de anúncios irregulares e de propagandas proibidas 

Não é incomum encontrar casos do tipo. Um levantamento feito pela reportagem no Facebook identificou ao menos 70 propagandas sem essas informações dos pagantes. São, principalmente, candidatos ao Legislativo e páginas anônimas de militantes dos presidenciáveis.

Apesar da facilidade em encontrá-las, há pouca fiscalização desses anúncios. Só 11 tribunais eleitorais procurados pela reportagem, nas 27 unidades federativas, confirmaram ter recebido alguma representação do tipo, mas os casos não costumam resultar em multa.

Uma resolução de dezembro de 2017 estabelece diversas regras para as propagandas eleitorais das eleições deste ano. Entre as novidades está a obrigação de que qualquer publicação impulsionada na internet (quando há pagamento para aumentar o número de pessoas que terão acesso ao conteúdo) deve conter, “de forma clara e legível”, o CNPJ ou número de inscrição no CPF do responsável, além da expressão “propaganda eleitoral”.

Para o professor de marketing digital da FGV André Micelli, há dificuldade em se fiscalizar esse tipo de anúncio por causa da grande quantidade de conteúdo nas redes sociais. “É um terreno muito vasto para ser fiscalizado, que tende ao infinito. Quantas páginas existem no Facebook?”, disse.

Quem não for candidato, partido ou coligação não pode contratar nenhum tipo de impulsionamento a favor de políticos. A multa por violar a legislação pode chegar a R$ 30 mil.

Casos
A coligação da candidata à Presidência da Rede, Marina Silva, entrou na última semana com representação no TSE contra o candidato a deputado estadual pelo Rio Grande do Sul Ruy Irigaray (PSL) por promover anúncios do presidenciável de seu partido, Jair Bolsonaro, em uma página chamada Armas S.A. Por impulsionar imagens em favor de Bolsonaro sem informar quem pagou, o pedido de remoção dos conteúdos foi deferido.

Uma análise feita pela reportagem em postagens no Facebook identificou diversos outros casos. Quando confrontados, responsáveis pelos impulsionamentos dizem desconhecer tal legislação ou que foi um “equívoco”. Para fazer o levantamento, foram consultadas as páginas de todos os candidatos à Presidência, ao Senado e aos governos estaduais que têm Facebook. Também foram consideradas as páginas mais populares de militantes dos presidenciáveis, a partir de dados da ferramenta Crowdtangle. Ao todo foram analisadas 619 páginas.

Foram encontrados anúncios sem indicação do pagante feitas por páginas a favor dos presidenciáveis Jair Bolsonaro e Marina Silva, nas oficiais de João Amoêdo (Novo) e Guilherme Boulos (PSOL), e também do Legislativo, como os candidatos ao Senado Plínio Valério (PSDB-AM) e Marivaldo (PSOL-DF).

Procurada, a assessoria de Amoêdo alegou que a falha foi causada “por uma instabilidade na plataforma”, mas que corrigiu e incluiu a identificação após o aviso da reportagem. A campanha de Marina diz que tem não tem relação com a página apontada e lembrou que tem orientado a militância a seguir a legislação vigente. A assessoria de Valério disse que foi “pega de surpresa” pois havia feito o anúncio corretamente. Boulos negou irregularidade. Bolsonaro e Marivaldo não se manifestaram. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Estadão Conteúdo

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