Representante russo nas negociações com Ucrânia diz que delegações podem chegar a ‘posição conjunta’ em breve

Negociador ucraniano afirma que resultados podem ser alcançados ‘em dias’, porque Moscou está ‘falando de forma mais construtiva’
Leonid Slutsky, representante russo nas negociações com a Ucrânia e chefe do Comitê de Assuntos Internacionais da Duma Foto: MAXIM GUCHEK / BELTA / AFP / 7-3-2022
Leonid Slutsky, representante russo nas negociações com a Ucrânia e chefe do Comitê de Assuntos Internacionais da Duma Foto: MAXIM GUCHEK / BELTA / AFP / 7-3-2022
MOSCOU E LVIV, UCRÂNIA — Um representante russo nas negociações com a Ucrânia disse neste domingo que as duas partes fizeram progressos significativos e que é possível que as delegações possam chegar em breve a uma “posição conjunta”, segundo a agência de notícias russa RIA. Também neste domingo, o negociador ucraniano e conselheiro presidencial Mykhailo Podolyak afirmou que resultados podem ser alcançados em dias.

— Não vamos ceder em princípio em nenhuma posição. A Rússia agora entende isso. A Rússia já está começando a falar de forma construtiva. Acho que vamos alcançar alguns resultados literalmente em questão de dias — disse o negociador ucraniano em um vídeo postado on-line.

O representante russo Leonid Slutsky, chefe da Comissão de Assuntos Internacionais da Duma — a câmara baixa do Parlamento russo —, foi citado pela agência RIA afirmando que o estado das negociações é melhor do que quando elas começaram e que houve “progresso substancial”.

— De acordo com minhas expectativas pessoais, esse progresso pode crescer nos próximos dias para uma posição conjunta de ambas as delegações, em documentos para assinatura — Slutsky

Apesar de nenhum dos dois lados terem indicado qual seria o escopo de um eventual acordo, as declarações, que ocorreram basicamente ao mesmo tempo, são os balanços mais otimistas até agora das negociações, que ocorrem em paralelo à guerra.

 

Em entrevista coletiva no sábado, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, já havia dito que há mudanças significativas nas negociações entre seu país e a Rússia, afirmando “estar feliz” por perceber ”passos positivos” nas últimas negociações bilaterais.

— A Federação Russa nos deu ultimatos desde o início, que não aceitamos — disse Zelensky. — Agora, eles começaram a falar sobre algo, não apenas lançando ultimatos. É um enfoque fundamentalmente diferente.

Neste domingo, a número dois da diplomacia americana disse que a Rússia está mostrando sinais de boa vontade para se engajar em negociações substanciais sobre a Ucrânia, apesar de apontar uma intenção de Moscou de “destruir” o país vizinho.

Vice-secretária de Estado dos Estados Unidos, Wendy Sherman disse em entrevista ao “Fox News Sunday” que os EUA estão exercendo “enorme pressão” sobre o presidente russo, Vladimir Putin, para que concorde com um cessar-fogo em sua invasão de semanas à Ucrânia e para permitir a criação de corredores humanitários para permitir a fuga de civis.

— Essa pressão está começando a surtir algum efeito. Estamos vendo alguns sinais de negociações sérias e reais. Mas devo dizer… até agora parece que Vladimir Putin tem a intenção de destruir a Ucrânia — disse Sherman.

À CNN, o conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, ecoou a alarmante avaliação do governo sobre as intenções de Putin:

— Como as coisas estão agora, Vladimir Putin não parece estar preparado para parar o ataque.

No entanto, antes das declarações das delegações russa e ucraniana, Podolyak, o negociador da Ucrânia e conselheiro presidencial, dissera que Kiev está trabalhando com Israel e Turquia como mediadores para finalizar um local e uma estrutura para as negociações de paz com a Rússia.

— Quando estiver resolvido, haverá uma reunião. Acho que não demorará muito para chegarmos lá — disse ele em rede nacional.

Quase 125 mil evacuados

O presidente ucraniano Zelensky informou em um discurso em vídeo neste domingo que quase 125 mil pessoas foram evacuadas por corredores humanitários de zonas de conflito na Ucrânia

— Hoje a principal tarefa é Mariupol — disse ele, acrescentando que um comboio de suprimentos humanitários estava agora a apenas 80 km da cidade portuária, que está sitiada, onde mais de 400 mil pessoas estão presas.

Fonte: O Globo

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