15 de março de 2018

CLICKS E EVENTOS

Tela de Antonio Bandeira restaurada é entregue à Federal do Ceará

Restauro é fruto de parceria do Museu de Arte da Universidade (MUAC) com a galeria Almeida e Dale

 

                                              Remoção de sujidades feita por Denise Guiglemeti

No próximo dia 21, quarta-feira, a obra Cidade em Festa, tríptico do artista cearense Antonio Bandeira (1922–1967), retorna à coleção do Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará (MAUC). O painel passou por um minucioso processo de restauro, que se estendeu por oito meses. A iniciativa foi apoiada pela galeria Almeida e Dale, parceira da Federal do Ceará (UFC). Aberta ao público, a cerimônia de entrega ocorre às 15h.

A restauração foi realizada no Rio de Janeiro e assinada pela especialista Denise Guiglemeti e Wallace Alonso Guiglemeti. Cidade em Festa é um óleo sobre tela de 1961, que possui grandes proporções: são mais de 5 metros de largura e 2 metros de altura. Antes de ser reparada, a peça apresentava problemas estruturais.

Muito fino, o tecido da tela possuía uma série de rasgos nas bordas. No processo de restauro, o painel ganhou reforço de um tecido sintético, colado em seu verso, mantendo a transparência da assinatura do artista. O chassi de madeira foi substituído por um de alumínio, mais resistente.

Também foram realizadas limpezas em manchas ocasionadas pela umidade. A pintura ganhou ainda uma série de pequenos retoques, realizados com tinta específica para restauração. Antes disso, foi aplicado verniz para a saturação das cores. Com isso, a obra voltou a ganhar os aspectos de seu estado original, tal como foi concebida por Bandeira.

“Os artistas entregam em vida algo que deve ser eternizado. O restauro da obra de Bandeira, um dos mais importantes artistas do Ceará, é uma de nossas formas de contribuir com a legitimação da arte brasileira”, diz o galerista Antonio Almeida.

Participam da cerimônia Henry Campos, reitor da UFC; Pedro Eymar e Graciele Siqueira, diretor e museóloga do MAUC; Antonio Almeida e Denise Mattar, galerista e curadora da Almeida e Dale, e ainda a restauradora Denise Guiglemeti.

Parceria

Entre os anos de 2016 e 2017, a galeria Almeida e Dale realizou a exposição Raimundo Cela – Um mestre brasileiro, que homenageou outro dos mais importantes pintores e gravuristas cearenses. A mostra, que teve curadoria de Denise Mattar, passou pelo Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Álvares Penteado (MAB FAAP), em São Paulo; pelo Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), no Rio de Janeiro, e encerrou sua itinerância no Dragão do Mar, centro cultural vinculado à Secretaria da Cultura do Estado do Ceará.

Parte dos trabalhos expostos ao longo do percurso da exposição foi emprestada pela UFC, pelo Governo do Estado do Ceará e ainda pelo Dragão do Mar. Como contrapartida, a galeria realizou o restauro da obra de Bandeira e ainda de um painel de Raimundo Cela, Catequese. Este trabalho integrou, inclusive, a última das paradas da itinerância.

Sobre Antonio Bandeira

Pintor, desenhista e gravador influenciado pelo expressionismo, Bandeira retrata, no começo de sua carreira, aspectos dramáticos da vida nos subúrbios de Fortaleza. Foi uma figura importante na fundação do Centro Cultural de Belas Artes e dois anos depois da Sociedade Cearense de Belas-Artes, que foram importantes para mobilizar as artes visuais cearenses.

Contemplado com uma bolsa de estudos, viaja para Paris em 1946, cidade onde passa longas estadias até o fim de sua vida. Em busca de uma arte que fosse além do ensino da academia, Bandeira larga os estudos e passa a participar de reuniões de artistas como Camille Bryen (1907 – 1977) e Wols (1913-1951). Formam o grupo BanBryols que, embora de duração efêmera, tem presença significativa na história da pintura abstrata – os quadros produzidos por ele nessa época o consagraram como um grande pintor da abstração lírica. Seus trabalhos em guache e nanquim não mais contornavam figuras, mas apenas sugeriam formas, incorporando manchas, riscos e borrões à obra.

Sobre Galeria Almeida e Dale

Estabelecida no mercado de arte como uma das principais galerias da cidade de São Paulo, a Galeria de Arte Almeida e Dale vem atuando no mercado secundário de arte brasileira e latino-americana.

Localizada no bairro Jardim Paulista, em São Paulo, capital, a Almeida e Dale desenvolve, desde 2012, um projeto que opta por mostrar exposições solo, baseadas em uma pesquisa histórica por um curador selecionado, para que a trajetória de artistas pudesse ser mostrada em seus diversos aspectos.

 

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Governo assume gestão e investe R$ 5 milhões no Forte dos Reis Magos

O Forte dos Reis Magos, um dos pontos mais visitados pelos turistas na capital potiguar será restaurado. A edificação histórica, que era de responsabilidade da União através do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), passa a partir de agora, a ser administrada pelo Governo do Estado. O termo de cessão foi assinado na manhã desta quinta-feira (15), pelo governador Robinson Faria e representantes do órgão federal. Com a gestão estadual, o monumento será reformado e está recebendo investimento de cerca de R$ 5 milhões por meio do programa Governo Cidadão.

Na solenidade, Robinson recebeu de forma simbólica a chave da Fortaleza. “Oficializamos hoje um trabalho que vem sendo realizado há meses para trazer de volta ao Governo à administração do Forte. Vamos devolver o equipamento à população restaurado, estruturado e mais atrativo. A preservação deste monumento é muito importante para a história, turismo e educação do Rio Grande do Norte”, explicou o Chefe do Executivo Estadual.

O equipamento vai passar por obras de restauração de piso, teto e acessibilidade. O tempo de duração do termo de transferência é de 20 anos. Neste período, será responsabilidade do Governo do Estado a conservação do imóvel, despesas de uso, guarda e preservação. “O projeto executivo está pronto para ser licitado”, destacou o diretor da Fundação José Augusto (FJA), Iaperi Araújo.

O superintendente do IPHAN no RN, Marcio Alexssander Granzotto, ressaltou que a transferência de gestão “foi uma decisão dos governos federal e estadual como uma política nacional de proteção ao patrimônio. O executivo passa a ser responsável em gerir o equipamento com ações culturais e turísticas para manter a candidatura desta edificação como Patrimônio da Humanidade”.

Participaram da assinatura secretários de Estado, técnicos do IPHAN, além do superintendente da Secretaria do Patrimônio da União no RN, Esdras Queiroz.

História

A Fortaleza dos Reis Magos conta parte da história da capital e de todo o estado do Rio Grande do Norte. Construído para proteger Natal ainda na época da colonização, a fortificação está localizada na Praia do Forte, Zona Leste da cidade. A construção demorou 30 anos para ser construída e foi concluída em 6 de janeiro de 1598, Dia de Reis. A Fortaleza foi tombada em 1949 e esteve sob administração da Fundação José Augusto até 2013.

Assecom-RN

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Comandante da Guarda Municipal de Natal recebe homenagem na Câmara

Por proposição do vereador Kleber Fernandes (PDT), a Câmara Municipal de Natal concedeu o Título de Cidadão Natalense ao Comandante da Guarda Municipal, Michel Araújo Dantas. Participaram da solenidade autoridades civis e militares, além de familiares e amigos do homenageado. Há dois anos à frente da corporação, o comandante conquistou a admiração da população através do seu trabalho no combate à violência.

Ao fazer uso da palavra, o autor da propositura disse que a homenagem é o mínimo que o Poder Legislativo pode ofertar a Michel Araújo pelos seus relevantes serviços prestados à comunidade em tão pouco tempo. “Quando propusemos esse título foi uma forma de reconhecermos o brilhante trabalho desenvolvido em nossa cidade, principalmente nos momentos de crise. Portanto, deixo aqui meu carinho e e agradecimento ao comandante por tudo que tem feito em prol da nossa segurança”, destacou Kleber Fernandes.

“Nada mais justo do que este título de cidadania concedido ao Comandante Michel Araújo, onde lhe torna um cidadão natalense. É um privilégio testemunhar a entrega de uma distinção tão importante para um profissional sério e dedicado. Desejamos sucesso ao nosso mais novo conterrâneo na continuidade da sua missão”, afirmou a vereadora Nina Souza (PEN), que subscreveu a proposição.

Michel Araújo fez questão de ressaltar a parceria firmada entre a Guarda Municipal de Natal e as demais forças na luta contra a violência. “Trata-se de unir esforços para proteger o cidadão. Agradeço aos vereadores de Natal e, em nome deles, a toda população da capital potiguar. Está sendo possível construir uma relação harmônica e respeitosa com a sociedade. Agora como natalense de fato e de direito, minha responsabilidade aumentou ainda mais. Tenho muito orgulho deste título!”, comemorou.

Texto: Junior Martins
Fotos: Verônica Macedo

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Cia. Deborah Colker pela primeira vez em Natal com seu novo espetáculo “Cão Sem Plumas”

Baseada em poema de João Cabral de Melo Neto, produção será encenada no Teatro Riachuelo dia 20 de março

Deborah Colker faz em Cão sem plumas, baseado no poema homônimo de João Cabral de Melo Neto (1920-1999), seu primeiro espetáculo de temática explicitamente brasileira. A estreia internacional aconteceu em junho de 2017, no Teatro Guararapes, em Recife. A Cia. Deborah Colker conta com o patrocínio da Petrobras desde 1995.

Publicado em 1950, o poema acompanha o percurso do rio Capibaribe, que corta boa parte do estado de Pernambuco. Mostra a pobreza da população ribeirinha, o descaso das elites, a vida no mangue, de “força invencível e anônima”. A imagem do “cão sem plumas” serve para o rio e para as pessoas que vivem no seu entorno.

“O espetáculo é sobre coisas inconcebíveis, que não deveriam ser permitidas. É contra a ignorância humana. Destruir a natureza, as crianças, o que é cheio de vida”, diz Deborah.

A dança se mistura com o cinema. Cenas de um filme realizado por Deborah e pelo pernambucano Cláudio Assis – diretor de longas-metragens como Amarelo Manga, Febre do Rato e Big Jato – são projetadas no fundo do palco e dialogam com os corpos dos 13 bailarinos. As imagens foram registradas em novembro de 2016, quando coreógrafa, cineasta e toda a companhia viajaram durante 24 dias do limite entre sertão e agreste até Recife.

A jornada também foi documentada pelo fotógrafo Cafi, nascido em Pernambuco. Na trilha sonora original estão mais dois pernambucanos: Jorge Dü Peixe, da banda Nação Zumbi e um dos expoentes do movimento mangue beat, e Lirinha (ex-cantor do Cordel do Fogo Encantado, poeta e ator), além do carioca Berna Ceppas, que acompanha Deborah desde o trabalho de estreia, Vulcão (1994). Outros antigos parceiros estão em cenografia e direção de arte (Gringo Cardia) e na iluminação (Jorginho de Carvalho). Os figurinos são de Claudia Kopke. A direção executiva é de João Elias, fundador da companhia.

Os bailarinos se cobrem de lama, alusão às paisagens que o poema descreve, e seus passos evocam os caranguejos. O animal que vive no mangue está nas ideias do geógrafo Josué de Castro (1908-1973), autor de Geografia da fome e Homens e caranguejos, e do cantor e compositor Chico Science (1966-1997), principal nome do mangue beat. O movimento mesclava regional e universal, tradição e tecnologia. Como Deborah faz.

Para construir um bicho-homem, conceito que é base de toda a coreografia, a artista não se baseou apenas em manifestações que são fortes em Pernambuco, como maracatu e coco. Também se valeu de samba, jongo, kuduro e outras danças populares.

“Minha história é uma história de misturas”, afirma ela.

Tendo a Petrobras como mantenedora desde 1995, seu grupo se firmou como fenômeno pop em Velox (1995), Rota (1997) e Casa (1999). Os espetáculos Nó (2005), Cruel (2008), Tatyana (2011) e Belle (2014) trataram de temas existenciais, como os afetos. Em Cão sem plumas, Deborah reúne aspectos de toda a sua carreira.

“Cabem a elegância do clássico, a lama das raízes e o olhar contemporâneo. O nome disso é João Cabral”, diz ela.

Reconhecida internacionalmente, Deborah recebeu em 2001 o Laurence Olivier Award na categoria Oustanding Achievement in Dance (realização mais notável em dança no mundo). Em 2009, criou um espetáculo para o Cirque de Soleil: Ovo. Em 2016, foi a diretora de movimento da cerimônia de abertura das Olimpíadas do Rio de Janeiro.

João Cabral vivia em Barcelona, como diplomata, quando leu numa revista que a expectativa de vida no Recife era menor do que na Índia. A notícia foi o impulso para fazer O cão sem plumas. Publicou em 1953 O rio ou Relação da viagem que faz o Capibaribe de sua nascente à cidade do Recife e, três anos depois, sua obra mais conhecida, Morte e Vida Severina. Sua poesia, das mais importantes do Brasil, é marcada pelo rigor e pela rejeição a sentimentalismos.

 

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