9 de dezembro de 2018

FLASHES E BRILHOS

Número de livrarias e papelarias no Brasil encolhe 29% em 10 anos

Em recuperação judicial, Livraria Saraiva anunciou em outubro o fechamento de 20 lojas — Foto: Divulgação

Em recuperação judicial, Livraria Saraiva anunciou em outubro o fechamento de 20 lojas — Foto: Divulgação

Com as redes de livraria Saraiva e Cultura em processo de recuperação judicial, o setor livreiro vive em 2018 a sua maior crise, com fechamento de lojas, demissões em massa e calote de milhões nas editoras. Mas as dificuldades surgiram anos antes, sobretudo para as micro e pequenas empresas do setor.

Levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a partir de dados do Ministério do Trabalho, mostra que o número de livrarias e papelarias em funcionamento no Brasil encolheu 29% em 10 anos. No final de 2017, eram 52.572 estabelecimentos – 21.083 a menos do que o país reunia em 2007.

Das mais de 21 mil lojas que fecharam as portas em 10 anos, metade delas encerraram as atividades de 2013 para cá. Somente em 5 anos, o número de papelarias e livrarias encolheu 22%. Veja gráfico abaixo:

Número de livrarias e papelarias no Brasil
Em milhares
73,773,773,973,973,873,872,472,471,171,167,567,5666663,163,160,360,356,256,252,652,620072008200920102011201220132014201520162017020406080

2009
73,8
Fonte: CNC

Os estados com maior número de fechamento de livrarias e papelarias entre 2007 e 2017 foram São Paulo (-8.764), Rio Grande do Sul (-2.449), Minas Gerais (-2.251), Paraná (-1.659) e Rio de Janeiro (-971). Só no Amazonas o número de estabelecimentos cresceu no período: 62 lojas a mais, elevando para 561 o número de empresas do gênero no estado.

O levantamento da CNC foi feito com base nos números da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e considera todos os estabelecimentos comerciais cadastrados como especializados na venda de livros, jornais, revistas e papelaria.

Os números consolidados da Rais de 2018 só serão divulgados em meados do ano que vem. Mas somente a Saraiva e Fnac encerraram neste ano no país mais de 30 lojas.

Novos hábitos e modelo de gestão

Para o economista da CNC Fabio Bentes, trata-se de uma crise estrutural diretamente relacionada aos novos hábitos de consumo de livros, jornais e revistas, impulsionados pelo avanço tecnológico e do comércio eletrônico.

“Hoje, até mesmo quem vende o livro físico utiliza plataforma online. Então, além de toda a crise que atingiu a economia brasileira, o estabelecimento tradicional passa por uma crise estrutural, que aliás não é só no Brasil – vide o exemplo da Amazon engolindo setores de toda a economia nos Estados Unidos”, afirma.

A presidente da Liga Brasileira de Editoras (Libre), Raquel Menezes, defende que a crise que abateu as grandes livrarias não se restringe à venda de livros. No 1º semestre, meses antes dos pedidos de recuperação das grandes livrarias, o setor livreiro mostrou uma ligeira recuperação, com um faturamento 10% maior, segundo o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel).

Número de exemplares de livros vendidos no Brasil
Vendas cresceram entre o 1º semestre de 2017 e o 1º semestre de 2018
Em milhões22,9622,9624,1724,171º semestre de 20171º semestre de 2018051015202530
Fonte: Fonte: Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) e Nielsen

Para Menezes, o problema está na escolha de um modelo de gestão que apostou em uma rápida expansão e também na venda de produtos eletrônicos, que se mostrou insustentável.

“As grandes livrarias cresceram demais e prejudicaram muito as menores com este modelo de negócio. Não dá para querer ser uma megastore e vender de tudo. Vimos que esse crescimento não foi nada saudável”, diz a presidente da Libre.

Ela também acredita que a estratégia de uma “guerra de preços”, na qual grandes livrarias passaram a oferecer descontos desproporcionais em datas comemorativas como Dia das Mães e Black Friday, também prejudicou o segmento e tornou a concorrência desleal com as pequenas livrarias.

Funcionários demitidos da Fnac de Brasília, durante protesto em outubro na Livraria Cultura do Shopping Casa Park — Foto: Arquivo pessoal

Funcionários demitidos da Fnac de Brasília, durante protesto em outubro na Livraria Cultura do Shopping Casa Park — Foto: Arquivo pessoal

Microempresas foram as que mais fecharam

Embora o recente fechamento de lojas de grandes redes tenha sido o que mais causou comoção e preocupação do mercado editorial, o levantamento mostra que a grande maioria dos estabelecimentos que encerraram as atividades entre 2007 e 2017 (20.912) foi de microempresas, com até 9 empregados.

O número de livrarias e papelarias de médio e grande porte, com mais de 50 empregados, chegou até a registrar uma expansão desde 2007. Foi neste período que as grandes livrarias ampliaram os negócios, enquanto as menores sofreram e tiveram que fechar as portas.

Mas, no comparativo de 2017 com 2016, o número de fechamentos superou o de aberturas em todos os tipos de porte de empreendimento. Segundo o Bentes, da CNC, os microestabelecimentos são os mais afetados em razão da mudança do mercado nos últimos anos.

Número de livrarias e papelarias no Brasil em 2017
Distribuição por porte
Micro: 50.150Pequeno: 2.280Médio: 112Grande: 30
Fonte: CNC

“Como o setor está sendo engolido pelas lojas de departamento e pelo varejo eletrônico, que tem um poder de barganha muito maior para negociar com fornecedores e importadores, os mais fracos são os primeiros a morrer”.

No entanto, com a recente crise financeira dos dois grandes players – Saraiva e Cultura – abre-se um espaço para pequenas e médias livrarias ganharem projeção, na avaliação de Menezes, da Libre.

“É uma grande oportunidade para o mercado se reinventar”, afirma ela, para quem a valorização de negócios independentes pode tirar o setor livreiro da crise. “As livrarias independentes não estão sofrendo da mesma forma que as grandes redes em 2018, acrescenta.

Somente em 2017, foram 3.594 fechamentos, e a distribuição por porte foi assim:

  • Micro: -3.529
  • Pequeno: -57
  • Médio: -1
  • Grande: -7
Falências e pedidos de recuperação judicial
Em número de registros entre livrarias e papelarias
Falências decretadasPedidos de recuperação judicial20162017jan-nov/201802,557,51012,51517,5
Fonte: Serasa Experian

15 falências no ano

Segundo dados da Serasa Experian, o número de falências decretadas também aumentou em 2018 entre livrarias e papelarias, e já chega a 15. Além disso, foram registrados 10 pedidos de recuperação no país. Em 2017, foram outros 9. Veja gráfico acima.

Saraiva, maior rede de livrarias do país, entrou em recuperação judicial

Saraiva, maior rede de livrarias do país, entrou em recuperação judicial

Setor perde 1.189 empregos formais em 1 ano

Outro termômetro que indica que o setor continuou encolhendo em 2018 são os números da mão de obra empregada. O levantamento da CNC mostra em que, em outubro, as livrarias e papelarias somavam 110.666 postos de trabalho com carteira assinada – 1.189 a menos do que o registrado no mesmo mês do ano passado.

“O setor de livrariais e papelarias está na contramão do comércio. Houve uma queda de 1,1% no pessoal ocupado em 1 ano, ao passo que o varejo como um todo está apresentando no período uma crescimento de 2,4% no número de vagas formais”, diz Bentes.

O economista destaca ainda que o segmento de livros, jornais, revistas e papelaria é a atividade com o pior desempenho do varejo brasileiro em 2018. Segundo dados do IBGE, no acumulado no ano até setembro as vendas caíram 10,1%, ante uma alta média de 2,3% do comércio varejista.

“Por que isso está acontecendo? As pessoas continuam consumindo livros, revistas e artigos de papelarias. Mas está havendo uma absorção por outros segmentos do varejo, principalmente os supermercados, lojas departamento e o varejo online”, diz Bentes.

Segundo a CNC, o segmento tem um peso pequeno no faturamento anual do varejo, de 1,3%, mas representou 5% do número de lojas fechadas no ano passado em todo o setor (76.416 mil). “Se o setor não tivesse piorando, os percentuais teriam de ser parecido”, afirma o economista.

(Colaborou Cauê Muraro)

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Réveillon da Avenida Paulista terá fogos de artifício sem estampido

Agência Brasil
Em caso de descumprimento da legislação, está prevista multa de R$ 2 mil

Pela primeira vez, a festa de Réveillon da Avenida Paulista, organizada pela Prefeitura de São Paulo, será com fogos de artifício sem estampido. A mudança cumpre a Lei Municipal 16.897/18, sancionada em maio, que proíbe o uso e a fabricação de quaisquer artefatos pirotécnicos com efeito exclusivamente sonoro. A medida tem como objetivo evitar o mal-estar que esse tipo de barulho provoca em idosos, crianças e animais domésticos.

A lei ainda será regulamentada pelo Executivo. Mesmo assim, a prefeitura informou que decidiu cumprir a lei antes mesmo da regulamentação e adquiriu fogos que produzem o mínimo barulho possível. Serão usados na comemoração de fim de ano produtos apenas com efeitos visuais, sem estampido, que produzem som de baixa intensidade.

Em caso de descumprimento da legislação, está prevista multa de R$ 2 mil. O valor é cobrado em dobro se houver reincidência. De acordo com o projeto apresentado pelos vereadores Reginaldo Tripoli e Mário Covas Neto, o uso de fogos de artifício de estampido é nocivo às pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo, bebês, idosos e aos animais de estimação.

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Álvaro Dias destaca importância do Natal em Natal para a economia da capital

José Aldenir / Agora RN
Prefeito de Natal Álvaro Dias (MDB)

O prefeito Álvaro Dias (MDB) celebrou o início das festividades do Natal em Natal 2018, e projetou um crescimento para a economia da capital potiguar. Ele destacou a beleza da cidade e os atrativos que fazem dela uma das grandes atrações nesta época de ano.

“Mesmo com as dificuldades inerentes ao momento econômico do país, a cidade se preparou para viver o brilho do Natal em Natal, nossa festa maior. Vamos dar um tremendo impulso à nossa economia com o incremento da receita tanto dos cidadãos como do município, da mesma forma que promovemos a economia criativa, através do incentivo aos nossos produtores culturais”, afirmou Álvaro em artigo escrito para a Tribuna do Norte.

De acordo com o prefeito, recente estudo da Fundação Getúlio Vargas mostrou que, quando incluídos os gastos com o turismo, o retorno de cada R$ 1 investidos em projetos culturais chegou a R$ 13.

“Importante ressaltar os incentivos da Lei Djalma Maranhão, que estão possibilitando, através da renúncia fiscal, a manutenção de uma extensa programação cultural, com destaque para a música, as artes plásticas, a dança, o teatro, a literatura, o audiovisual e o artesanato”.

O chefe do Executivo Municipal comemorou as parcerias com a Câmara dos Dirigentes Lojistas e outras entidades, que vão proporcionar um fluxo acelerado de consumo por meio de sorteio de prêmios.

“Acreditamos muito numa iniciativa em conjunto com a Câmara dos Dirigentes Lojistas denominada ‘Natal de Luz e Prêmios’ voltada para as chamadas lojas de rua, que irão oferecer a troca de notas fiscais por cupons aos consumidores que poderão concorrer a prêmios, a exemplo do que já fazem os grandes shoppings da cidade”, disse.

“Outra ideia que estamos reforçando é o concurso de Decoração Natalina, igualmente em parceria com a CDL, que dá um colorido especial à cidade e também recompensa os trabalhos mais criativos. Iniciativa que se soma ao trabalho da Prefeitura na decoração natalina para tornar nossa cidade ainda mais bonita nesta época do ano. Cabe destacar ainda a parceria que estamos desenvolvendo com a Associação Viva o Centro no sentido de se criar uma movimentação maior do comércio local a partir de uma nova iluminação, mais atrativa e que leve mais segurança a lojistas e consumidores, e também da realização de eventos musicais na região para movimentar ainda as ruas da Cidade Alta”, complementou o prefeito.

Para Álvaro Dias, o Natal em Natal é uma oportunidade tanto para que o povo natalense se orgulhe da beleza de sua cidade, quanto para enriquecê-la economicamente. Por isso, deve ser fomentada.

“Com tudo isso, acreditamos que o Natal em Natal, além de elevar a autoestima de nossa gente, de celebrar os ritos cristãos da época e promover o incremento de nossa cultura popular, é um forte agente para fazer avançar nossas receitas, seja pelo impulso ao turismo ou pelo incremento ao nosso comércio, principalmente aquele ligado aos pequenos e médios empreendedores. Este é o espírito do Natal em Natal que entendemos e incentivamos”, concluiu.

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TRE-RN realiza eleição suplementar em Guamaré neste domingo

Novo pleito ocorre nas mesmas condições de uma eleição convencional

Está tudo pronto para as eleições suplementares que o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) realiza no município de Guamaré neste domingo, 9, para os cargos de prefeito e vice-prefeito.

O calendário eleitoral foi disponibilizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para este ano. As eleições suplementares serão realizadas em conformidade com a Resolução do TSE nº 23.280/2010, em virtude da cassação e perda de mandato do prefeito Hélio Willamy, e sua vice, Iracema Maria.

O município de Guamaré pertence à 30ª zona eleitoral e possui 13.726 eleitores. O novo pleito ocorre nas mesmas condições de uma eleição convencional. O presidente do TRE-RN, desembargador Glauber Rêgo, acompanha a eleição no município.

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Partidos políticos gastam R$ 692 milhões em um ano

Os partidos políticos gastaram, em um ano, R$ 692,4 milhões. O valor se refere às despesas dos diretórios nacionais das legendas partidárias, em 2017, agora sistematizados no Relatório de Análise das Prestações de Contas Anuais dos Partidos Políticos Brasileiros, divulgado, neste fim de semana, pelo Movimento Transparência Partidária, uma Organização Não Governamental. Confira a tabela ao final da matéria.
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PT e MDB são os partidos que aparecem nas primeiras posições do ranking
O maior gasto foi do Partido dos Trabalhadores que utilizou R$ 119,5 milhões nos doze meses. Isso representa 17,27% dos recursos financeiros usados pelos partidos no período.
Em segundo lugar na lista dos gastos partidários, ficou o MDB, com R$ 80,5 milhões, ou 11,64% do total. O PSDB, logo depois, teve a terceira maior despesa, com R$ 76,4 milhões (11,04%).
O PSB gastou R$ 46 milhões (6,66%) e o PSD, R$ 39,4 milhões (5,7%).
Segundo o relatório da ONG,  a maior despesa do PT foi em transferência de recursos aos diretórios estaduais, que receberam R$ 33,6 milhões. Segundo o Movimento Transparência Partidária, um montante de R$ 20,2 milhões não podem ser identificadas de forma clara.
A maior despesa do MDB também foi na transferência de recursos aos diretórios estaduais: R$ 38 milhões. Há R$ 16 milhões declarados de forma genérica.
O PSDB transferiu R$ 29,9 milhões a diretórios estaduais, sua principal despesa (27,32%). Os gastos genéricos desse partido chegam a R$ 7,3 milhões.
O PSB destinou R$ 10 milhões aos diretórios estaduais e R$ 8 milhões para despesas genéricas.
Confira o ranking dos gastos dos partidos políticos em 2017
Gastos dos partidos políticos em 2018
Gastos dos partidos políticos em 2017
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