13 de fevereiro de 2022

Coluna Versátil News

Governo do RN: Sesap lança consultoria UNESCO voltada à saúde integral da população LGBTQIA+

Sesap lança consultoria UNESCO voltada à saúde integral da população LGBTQIA+

A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), através do Programa RN Mais Saudável e UPTPS/DPIPS esteve no município de Pendências, na quinta-feira (10), lançando a Consultoria da Unesco, voltada à Saúde Integral da população LGBTQIA+.

O encontro aconteceu na Escola de Artes e foi coordenado pelo enfermeiro Vinicius Maia, idealizador e coordenador do consultório municipal de saúde integral da população LGBTQIA+ Valeska Rayara.

“A consultoria possibilitará novos horizontes para a construção de políticas resolutivas no campo da promoção da equidade em saúde, além de nos dar um panorama sobre os desafios da situação de saúde dessa população”, explicou Paula Érica, subcoordenadora da Unidade de Políticas Transversais e Promoção à Saúde-UPTPS/DPIPS.

Brígida Albuquerque, consultora da UNESCO, informou que a coleta de dados para diagnóstico seguirá em outros municípios com a mesma proposta. A próxima roda de conversa estava prevista para acontecer na sexta-feira, 11, em Assú e, na próxima semana, nas cidades de Caicó, Currais Novos e Santa Cruz.

 

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Semana de Arte Moderna é considerada marco, mas não iniciou movimento

A Casa Mário de Andrade, onde viveu um dos principais escritores e intelectuais do Modernismo, integra a Rede de Museus-Casas Literários de São Paulo.

Evento realizado no Theatro Municipal de São Paulo completa um século

Há exatos 100 anos, o Theatro Municipal em São Paulo abria suas portas para uma exposição de pintura e escultura, saraus e apresentações musicais do compositor Villa-Lobos e da pianista Guiomar Novaes. Esse evento, que ocorreu entre os dias 13 e 17 de fevereiro de 1922, veio a ficar conhecido como a Semana de Arte Moderna, considerado um marco oficial do movimento modernista no Brasil.

Os principais nomes do evento foram os escritores Mário de Andrade, Menotti del Picchia e Oswald de Andrade e os artistas Anita Malfatti e Di Cavalcanti. A ideia era provocar a imprensa, fazer muito barulho, para apresentar ideias de vanguarda.

A Casa Mário de Andrade, onde viveu um dos principais escritores e intelectuais do Modernismo, integra a Rede de Museus-Casas Literários de São Paulo.
A Casa Mário de Andrade, onde viveu um dos principais escritores e intelectuais do Modernismo, integra a Rede de Museus-Casas Literários de São Paulo. – Rovena Rosa/Agência Brasil

“Com certeza os agentes da semana, os artistas que fizeram esse festival, tinham em mente essa ideia de ter impacto na mídia, de fazer barulho, de se alinhar a uma ideia de vanguarda, de desafio das tradições”, disse Heloísa Espada, curadora do Instituto Moreira Salles (IMS), organização que, no ano passado, realizou um ciclo de palestras [disponíveis no site da instituição] para discutir o evento junto com o Museu de Arte Contemporânea (MAC) e a Pinacoteca do Estado.

A semana foi realizada pouco tempo depois do fim da Primeira Guerra Mundial e da pandemia de gripe espanhola e no ano em que o Brasil celebrava o centenário de sua independência.

São Paulo iniciava o seu processo de industrialização, com a economia ainda baseada no café. O Brasil se modernizava e alguns intelectuais e artistas da época, influenciados pelas vanguardas europeias, também propunham um novo olhar sobre a arte brasileira.

“A ideia de arte moderna acaba tendo relação com a ideia de cidade, com a criação de espaços urbanos. Esse momento, de início de século, é um momento de urbanização, de transformação das cidades, de modernização”, disse a curadora do IMS.

“São Paulo passa a se desenvolver com o comércio do café na segunda metade do século 19. E quem banca a semana, quem põe dinheiro para a semana existir, é uma elite cafeeira que ganha dinheiro no interior, nas fazendas, mas que não quer mais viver nas fazendas; que tem possibilidade de viajar para fora do país e quer viver em uma cidade que tem os benefícios da modernidade. É a riqueza do campo que paga essa ideia da arte moderna. Essa urbanização, esse desenvolvimento, é fomentada por essa riqueza que vinha, principalmente, das lavouras de café”, explicou.

A Casa Mário de Andrade, onde viveu um dos principais escritores e intelectuais do Modernismo, integra a Rede de Museus-Casas Literários de São Paulo.
A Casa Mário de Andrade, onde viveu um dos principais escritores e intelectuais do Modernismo, integra a Rede de Museus-Casas Literários de São Paulo. – Rovena Rosa/Agência Brasil

A semente da Semana de Arte Moderna foi plantada em 1921, em uma reunião no Grande Hotel da Rotisserie Sportsman, onde hoje é a prefeitura paulistana. Lá, intelectuais e artistas se encontraram com o escritor e diplomata Graça Aranha.

“Nessa ocasião, ele [Graça Aranha] teve contato com esse pequeno grupo formado pelo Di Cavalcanti, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Guilherme de Almeida e muitos outros. A Anita Malfatti é convidada a participar desse encontro. Ela vai acompanhada de uma moça, uma amiga, porque não ficava bem ela ir sozinha, já que era solteira e mulher. Surge a ideia de se fazer um grande evento, reunindo artes como pintura, poesia e música, além de comida”, contou Luiz Armando Bagolin, professor do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da Universidade de São Paulo (USP).

É de Graça Aranha a ideia de que o grupo procure Paulo Prado, um grande exportador de café de São Paulo. “Eles então se encontram com Paulo Prado, em sua casa no bairro de Higienópolis, e ali surge a ideia da semana. Foi Paulo Prado quem sugeriu o nome [do evento] e o financiou”, destacou o professor da USP.

Exposição Era Uma Vez o Moderno [1910-1944], com curadoria do pesquisador Luiz Armando Bagolin e do historiador Fabrício Reiner, no Centro Cultural Fiesp, Avenida Paulista.
Exposição Era Uma Vez o Moderno [1910-1944], com curadoria do pesquisador Luiz Armando Bagolin e do historiador Fabrício Reiner, no Centro Cultural Fiesp, Avenida Paulista. – Rovena Rosa/Agência Brasil

Meses depois da reunião, o Theatro Municipal recebeu uma exposição de artes em seu saguão e três noites de sessões literárias e musicais. O evento foi inaugurado com uma palestra do escritor e diplomata Graça Aranha, no dia 13 de fevereiro de 1922.

Na programação, constava ainda a leitura da poesia de Manuel Bandeira, chamada Os Sapos, uma crítica ao parnasianismo – movimento literário que se preocupava com o fazer poético: a arte pela arte. Pela obsessão com a precisão, os parnasianos foram criticados pelos modernistas que pregavam a liberdade estética. A leitura feita por Bandeira foi muito vaiada pelo público presente. Aliás, vaias e críticas foram a tônica de toda a semana. E foi isso que a tornou um sucesso, na visão dos artistas responsáveis pelo evento.

“A leitura que eles [os modernistas] fizeram, terminada a semana, foi que eles conseguiram provocar os araras. Quem são os araras? Os jornalistas. O Mário [de Andrade] diz assim: ‘os araras morderam a isca. Os araras foram provocados e aí tivemos êxito’. A semana, no momento em que aconteceu, foi um evento muito bem sucedido do ponto de vista da propaganda, por uma estratégia de propaganda”, descreveu Luiz Armando Bagolin.

“Ao contrário de todas as iniciativas individuais e coletivas que tinham acontecido antes, foi a primeira vez que isso atraiu a fúria dos araras. No tempo deles, a semana teve importância não tanto pelas obras que foram apresentadas – e muitas delas nem era modernas. Mas como essa estratégia de propaganda gerou uma reação em cadeia na imprensa”, acrescentou o professor do IEB e curador da exposição Era uma Vez o Moderno, em cartaz na Federação das Industrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Construção histórica

Exposição Era Uma Vez o Moderno [1910-1944], com curadoria do pesquisador Luiz Armando Bagolin e do historiador Fabrício Reiner, no Centro Cultural Fiesp, Avenida Paulista.
Exposição Era Uma Vez o Moderno [1910-1944], com curadoria do pesquisador Luiz Armando Bagolin e do historiador Fabrício Reiner, no Centro Cultural Fiesp, Avenida Paulista. – Rovena Rosa/Agência Brasil

Antes da semana, outras iniciativas culturais modernas já tinham sido realizadas no país, tais como as duas exposições individuais de Anita Malfatti, em 1914 e 1917.

“É preciso sublinhar uma questão que me parece de fundamental importância: o modernismo no Brasil não começa com a semana. Essa ideia de que a semana vem, apresenta obras que marcam uma ruptura em relação ao que estava sendo feito, é uma ideia falsa. Houve muitas iniciativas antes da semana e depois da semana e, ao conjunto de todas essas iniciativas, algumas individuais, outras coletivas, a gente dá o nome de modernismo brasileiro”, explicou Bagolin.

A Semana de Arte Moderna só se tornou um marco muitos anos após ter sido realizada, num processo de construção histórica.

“Sabemos hoje que, por exemplo, imediatamente à semana, nos anos 30, ninguém falava da semana. Essa ideia da Semana de Arte Moderna é uma coisa que também foi construída pela historiografia. E só lá nos final dos anos 40, nos anos 50, quando se formam os museus de arte moderna no Brasil e também quando foi lançada a primeira Bienal, em 1951, houve todo um trabalho de resgaste e de reconhecimento público desses nomes, principalmente da Anita Malfatti e da Tarsila do Amaral, que não participou da semana, mas logo se uniu ao grupo”, disse Heloisa Espada, em entrevista à Agência Brasil.

“É preciso falar que houve uma construção histórica da narrativa da Semana de Arte Moderna como um evento fundador do nosso modernismo. Isso foi construído, principalmente, com ajuda da Universidade de São Paulo (USP), a partir do início dos anos 70, sobretudo quando a universidade comprou o acervo da família do Mário de Andrade e esse acervo foi para o IEB. Começa-se então a ver uma série de pesquisas, que se transformam em teses de mestrado e doutorado, em duas áreas sobretudo: a área de teoria literária e a área de ciências sociais”, explicou Luiz Armando Bagolin.

Exposição Era Uma Vez o Moderno [1910-1944], com curadoria do pesquisador Luiz Armando Bagolin e do historiador Fabrício Reiner, no Centro Cultural Fiesp, Avenida Paulista.
Exposição Era Uma Vez o Moderno [1910-1944], com curadoria do pesquisador Luiz Armando Bagolin e do historiador Fabrício Reiner, no Centro Cultural Fiesp, Avenida Paulista. – Rovena Rosa/Agência Brasil

Além disso, o livro Artes Plásticas na Semana de 22, escrito por Aracy Amaral, historiadora de arte, lançado na década de 70, ajudou a construir a importância da Semana. “Esse trabalho marcou a historiografia”, destacou Heloisa.

Tudo isso foi contribuindo para que o evento passasse a ter um caráter positivo, de enaltecimento. “A gente vai vendo o quanto, na verdade, o assunto da semana vai surgindo ao longo da história de acordo também com as conveniências de cada época. Acho que falar da Semana de Arte Moderna de 1922, cem anos depois, é lembrar de como os assuntos vão sendo construídos e de quais são os interesses em falar sobre esses assuntos”, disse.

Esta é a primeira matéria de uma série que a Agência Brasil publica ao longo dos próximos dias sobre o centenário da Semana de Arte Moderna.

Fonte: Agência Brasil

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“Há estado querendo devolver vacina para o ministério”, reclama Queiroga

“Há estado querendo devolver vacina para o ministério”, reclama Queiroga

Foto: Igo Estrela/Metrópoles

Durante agenda em Maceió, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, voltou a defender o trabalho do governo federal no combate à pandemia de Covid-19, doença causada pelo coronavírus. De acordo com o cardiologista, a gestão do presidente Jair Bolsonaro (PL) fez um bom trabalho, inclusive na campanha de imunização.

Neste sábado (12/2), Queiroga subiu o tom contra governadores. Segundo o ministro, há em estoque mais de 70 milhões de doses das vacinas que ainda não foram aplicadas.

“Há estado querendo devolver vacina para o ministério. Vamos aplicar as vacinas”, reclamou, ao discursar em um polo de imunização.

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Entenda como vai funcionar o site para consultar dinheiro esquecido

Site exclusivo para identificar contas paradas em bancos será liberado a partir da zero hora desta segunda-feira (14)

Novo serviço permite devolução de valor parado em conta de banco

BC (Banco Central) vai retomar a patir da zero hora desta segunda-feira (14) a consulta de dinheiro esquecido em contas de banco por meio do novo site valoresareceber.bcb.gov.br.

Segundo o BC, tanto a consulta como o pedido de resgate do valor parado deverá ser realizado no novo endereço. Não será possível consultar ou solicitar valores no site principal do BC.

O novo endereço foi criado após o aumento da demanda de acesso ter provocado pane no portal do Banco Central, em 24 de janeiro deste ano, quando foi lançado o SRV (Sistema de Valores a Receber), que permite que a população confira se tem dinheiro em contas encerradas com saldo disponível ou devido a tarifas cobradas indevidamente em operações de crédito, por exemplo.

A consulta aos valores esquecidos será feita em duas fases. O BC calcula que há R$ 3,9 bilhões em valores esquecidos nas instituições financeiras nessa primeira etapa, de 28 milhões de CPF e CNPJ. No total, são R$ 8 bilhões.

Veja o passo a passo para fazer a consulta

– Acesse o endereço valoresareceber.bcb.gov.br a partir do dia 14/02;

– Use o CPF ou CNPJ para saber se tem algum valor a receber;

– Se não tiver, acabou a consulta. Mas, caso tenha, a pessoa receberá uma data em que será possível saber o valor e retirar a quantia.

– O acesso precisará ser feito com login e senha do Gov.br, domínio do governo federal. O endereço é neste site

– Caso você ainda não tenha, dá para fazer isso por este site, por celulares android ou iOS.

– O grau necessário de autenticação, que inclui verificação facial ou confirmação de dados por open banking, por exemplo, deverá ser de nível prata ou ouro.

– Neste material do governo, há uma breve explicação sobre cada um deles. Em resumo, quanto maior o nível de segurança do login, maior a certificação. Depois de criar o login, você precisará retornar à página do BC exclusiva (valoresareceber.bcb.gov.br) a este serviço para ter acesso à informação.

– Caso você tenha dinheiro a receber, depois de feita a solicitação, com o login Gov.br, será necessário retornar ao site valoresareceber.bcb.gov.br na data informada para ter acesso ao valor e solicitar a transferência.

– Se você perder a data de resgate, é só fazer o processo de solicitação novamente, com outras datas que serão disponibilizadas pelo sistema.

– Caso o dinheiro esteja parado, mas você demore para solicitar uma retirada, ele não vai deixar de ser seu. Quando você solicitar, será depositado. Enquanto isso não for feito, vai ficar parado na conta esquecida.

Os cuidados para evitar golpes

Veja a seguir as orientações do Banco Central 

– O único site para consulta ao SVR e para solicitação de valores é valoresareceber.bcb.gov.br.

– O Banco Central não envia links nem entra em contato com o cidadão para tratar sobre valores a receber ou para confirmar seus dados pessoais.

– Ninguém está autorizado a entrar em contato com o cidadão em nome do Banco Central ou do Sistema Valores a Receber.

– Portanto, o cidadão nunca deve clicar em links suspeitos enviados por e-mail, SMS, WhatsApp ou Telegram.

– O cidadão não deve fazer qualquer tipo de pagamento para ter acesso aos valores. É golpe!

– Por fim, uma informação importante: apenas após o cidadão acessar o sistema (ou se já o acessou nos dias 24 e 25/01) e somente no caso de pedir o resgate sem indicar uma chave Pix, a instituição financeira que o cidadão escolheu entrará em contato com ele para realizar a transferência. Mesmo nesse caso bastante específico, essa instituição não pode pedir que o cidadão informe seus dados pessoais nem sua senha.

Fonte: R7

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Viva o SUS: crise sanitária estreita laços dos brasileiros com sistema de saúde

Pandemia nivelou saúde pública e privada; campanha de imunização e postos de testagem causam boa impressão na população
Charles Nobili, Anna Santanna e os filhos, Conrado e Francisco, se vacinaram contra a Covid e aprovaram qualidade do serviço Foto: Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo
Charles Nobili, Anna Santanna e os filhos, Conrado e Francisco, se vacinaram contra a Covid e aprovaram qualidade do serviço Foto: Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo

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SÃO PAULO — Na última terça-feira, a publicitária Anna Sant’Anna foi com o marido, Charles Nobili, e os dois filhos, Conrado, de 9 anos, e Francisco, de 7, tomar vacina contra a Covid-19 em um posto de saúde na Vila Madalena, em São Paulo. Na saída, o mais velho perguntou aos pais:

— Mas não tem que pagar?

Alerta: Em alta no Brasil, dengue tem sintomas que se confundem com Covid-19

Um serviço bom e gratuito ainda é algo que provoca surpresa no Brasil, mas é o que famílias como a de Anna e Charles têm encontrado no Sistema Único de Saúde (SUS). Reconhecendo a importância do sistema na assistência às vítimas da pandemia e na campanha de vacinação, a população passou a valorizar o SUS como nunca ocorreu na história do país.

— Sabemos das filas, demora e condições precárias em muitos lugares. Então, usamos o sistema privado, mas depois dessa ótima experiência nos postos, pretendo passar a usar para coisas pontuais, mesmo tendo plano de saúde —diz Anna.

A aproximação do brasileiro com o sistema é refletida no Índice de Confiança Social de 2021, do Ipec, instituto de pesquisa que sucedeu ao Ibope, que aponta um crescimento significativo da confiabilidade no serviço público: numa escala de 0 a 100 — na qual zero significa “nenhuma confiança” e cem, “confiança absoluta” — o SUS tinha um índice de 45 no levantamento realizado em 2019. Na pesquisa de 2020, o número saltou para 56 e, no ano passado ,ficou em 57. Desde que o índice passou a ser avaliado, em 2009, o sistema só conquistou mais de 50 pontos nos últimos dois anos.

O SUS se configura como o maior sistema público do país, com cerca de 60 mil unidades ambulatoriais e 6 mil unidades hospitalares. A cada ano, são realizadas 150 milhões de consultas médicas.

Reencontro

O afastamento do músico carioca Flávio Dana, 59, dessa rede gigantesca durou mais de 20 anos, época que as filhas cumpriam o calendário de vacinação infantil. No ano passado, ele voltou ao sistema para tomar sua primeira dose contra a Covid em um posto em Sepetiba, onde também levou seu pai. Já com a mãe, foi a um posto drive-thru na Barra da Tijuca. Depois, vieram segundas e terceiras doses. O serviço foi aprovado todas as vezes.

— Fiquei surpreendido. Me impressionou a capacidade de organização. Fui testemunha da competência do SUS para atender uma grande demanda. — afirma o músico.

A família ganhou confiança e, na hora que sua mulher precisou fazer um teste para Covid, decidiu procurar um posto de saúde em vez de um hospital particular. O resultado do exame foi positivo, assim como o atendimento médico recebido.

CovidPico de mortes da Ômicron deve ocorrer no fim de fevereiro

Parte da população só tem contato com o SUS para a vacinação infantil, ainda assim muitos preferem as clínicas particulares. Para o infectologista e pediatra Renato Kfouri, presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria, há diferenças entre as vacinas oferecidas na rede pública e na privada: algumas não estão disponíveis no SUS (como a de meningite B), outras estão desatualizadas no sistema público (pneumonia e coqueluche) e outras, restritas a faixas etárias específicas.

— Mesmo quando as vacinas são iguais, como febre amarela, sarampo, catapora, tem gente que não quer ir ao posto e prefere o privado por uma questão de ambiente — afirma Kfouri.

Mas, além da vacina da pólio, a da gotinha, só os imunizantes contra Covid-19 são exclusivos do SUS. Isso foi fundamental para que a cobertura fosse abrangente e igualitária, já que o número de doses disponíveis também é restrito.

Para a médica Lígia Bahia, especialista em Saúde Pública da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ficou claro para toda a sociedade que, se houver oferta pública boa todos vão querer aderir.

— Aos olhos da população brasileira, ficou evidente que sem o SUS nesta pandemia estaríamos lascados. Na emergência sanitária, o SUS estava ali. Não dá para continuar dizendo que privado é bom e público é ruim. Há privados e privados e públicos e públicos — afirma Bahia, citando a excelência não só na vacinação, mas também na testagem em algumas cidades, como o Rio, e no atendimento aos pacientes.

Por outro lado, a explosão de doentes por todas as classes sociais escancarou as mazelas do sistema privado. Viu-se, subitamente, filas intermináveis e a falta de insumos importantes no combate à infecção nos melhores hospitais do país.

O médico Luis Fernando Paes Leme, diretor do Hospital Municipal Vereador José Storopolli, em São Paulo, presenciou em seu dia a dia a gratidão da população com os colegas.

— Durante toda a minha vida trabalhei no SUS. Sempre lutamos muito para prestar um serviço de excelência, e a pandemia evidenciou o nosso trabalho. Recebemos inúmeros elogios dos pacientes, inclusive de famílias de pessoas que não sobreviveram, mas que reconhecem o esforço das nossas equipes em desempenhar o melhor trabalho possível. Vi muitos profissionais dando tudo de si. As pessoas estão procurando o SUS e o SUS está dando a resposta que elas precisam. Muitas pessoas nunca tinham usado o sistema e agora estão descobrindo — comemora o médico.

A enfermeira Jurema da Silva Herbas Palomo, diretora da coordenação de Enfermagem do Instituto do Coração e São Paulo (InCor) sentiu que a confiança da população nos profissionais foi crescendo enquanto o coronavírus avançava.

— Tivemos um paciente que passou quase seis meses conosco no hospital. Ele estava com um comprometimento grande no pulmão e precisava de um transplante. No entanto, permaneceu lúcido por todo o tempo e sempre fez questão de agradecer à equipe que cuidou dele. A alegria e o reconhecimento dele nos fez muito bem — conta Palomo.

Patrimônio Nacional

Para o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, que estuda saúde pública há 20 anos, com a pandemia, a necessidade do SUS para a sobrevivência dos brasileiros se escancarou. E, com isso, a defesa do sistema deixou de ser feita apenas por intelectuais, estudiosos da medicina e classes mais baixas e passou a ser feita pela população como um todo.

— As pessoas viram os sacrifícios dos profissionais da linha de frente para salvar vidas e perceberam que estavam tendo um atendimento de igual para igual com quem tem convênio particular. A necessidade e importância do SUS se escancararam e passou a haver uma defesa contra quem atacava o sistema. A população entendeu que o SUS é do estado, é um patrimônio nacional — afirma Meirelles.

O Sistema Único de Saúde foi criado na Constituição de 1988 e, para alguns, é sua principal marca e grande novidade: uma política pública universal. O SUS unia o Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência (Inamps), dirigido a quem tinha carteira assinada, e as redes públicas municipal, estadual, federal e filantrópica.

Fonte: Globo

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