
O cenário político e as perspectivas das micro e pequenas empresas foram os principais temas no primeiro dia de programação técnica do 37º Congresso Nacional de Sindicatos Empresariais (CNSE), em Brasília, nesta quinta-feira (18). O evento, que tem participação de cerca de mil dirigentes sindicais, empresários, executivos e gestores do setor está debatendo melhorias como inovação, tecnologia e segurança para os setores produtivos.
O primeiro momento reuniu os jornalistas Alexandre Garcia, Ana Flor, e o professor Fernando Schüler, mediado pelo presidente do Sindilojas Recife, Frederico Leal, para abordar o cenário político e os desdobramentos e impactos para os setores do Comércio, Serviços e Turismo do país.
Para Garcia, o brasileiro mudou de comportamento desde as eleições de 2018 e considera esse pleito como decisório. O jornalista ainda fez uma análise da conduta da equipe econômica do Governo Federal.
A também jornalista Ana Flores comentou sobre a situação econômica do país, que enfrenta as consequências de uma recessão entre os anos de 2015-2016, pandemia, desemprego e alta informalidade.
“Esse cenário dificulta o nosso crescimento. É menos dinheiro circulando, média salarial baixa, poder de compra cada vez menor. É preciso estimular o crescimento e questionar aos candidatos quais medidas serão realmente aplicadas, porque crescendo, é mais salário, mais emprego e mais negócios”, disse.
Seguindo a linha de desenvolvimento, o professor do Insper, Fernando Schüler, afirmou que é preciso persistir com novas reformas, enxugar a máquina pública e oferecer segurança jurídica. “Fizemos reformas importantes, como a Trabalhista, a Lei das Estatais, o Teto de Gastos. Mas é preciso mais”, declarou.
As micro e pequenas foram destaque da segunda palestra no palco principal do 37º CNSE. Responsáveis por 99% das empresas brasileiras, a situação dos pequenos empreendedores foi debatida em painel composto pelo vice-presidente financeiro da CNC, Leandro Domingos, o presidente do Sebrae Nacional, Carlos Melles, e mediado pelo presidente do Sindilojas Belo Horizonte, Nadim Donato.
Para o dirigente da CNC, as micro e pequenas empresas podem se beneficiar do momento econômico do país, principalmente no agronegócio e no turismo, que tem boas perspectivas de fechamento positivo neste ano. “O Brasil é grande e diverso, com muitas oportunidades de negócio que pode ser abarcado pelas micro e pequenas empresas, gerando mais emprego e renda”, disse.
Melles trouxe números das MPE do Brasil. São 14 milhões de Micro Empreendedores Individuais (MEI) no país, que impactam diretamente mais de 86 milhões de pessoas. A situação das micro e pequenas empresas brasileiras ultrapassa países como Alemanha, França, Itália e Reino Unido. Além disso, cerca de 44 milhões de brasileiros são ou querem ser empreendedores.
“O brasileiro é um povo fantástico, com capacidade de sonhar e empreender. E o Sebrae é parceiro nisso. Estamos presente nos quatro cantos do país e atuando fortemente nos municípios, porque a liderança nas cidades é do Comércio”, declarou.
Ainda na sua fala, Melles reforçou a aplicação de recursos no Pronampe e as modificações no programa de acesso ao crédito, além da importância da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas. “O comércio vai além do lucro, de vender e comprar, é uma terapia”, encerrou.


