Líder da corrida presidencial na Argentina visita Lula na prisão e promete ficar ao seu lado

O Globo

Alberto Fernández, que lidera chapa na qual Cristina Kirchner é candidata a vice, criticou acordo UE-Mercosul depois de visitar Lula na prisão Foto: RODOLFO BUHRER / REUTERS
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 Em primeiro lugar nas pesquisas, o candidato à Presidência da Argentina Alberto Fernández visitou nesta quinta-feira o ex-presidente Luiz InácioLula da Silva, que está preso na Superintendência da Polícia Federal do Paraná, em Curitiba . O companheiro de chapa da senadora e ex-presidente argentina Cristina Kirchner , que é candidata a vice, criticou a prisão do líder petista, afirmando que trata-se de uma “mácula ao Estado de Direito”. Ele prometeu se manter ao lado do brasileiro, que cumpre pena de oito anos e dez meses de prisão no caso do tríplex do Guarujá.

— Sou professor de Direito Penal na Universidade de Buenos Aires há mais de 30 anos e vejo com muita preocupação a detenção de Lula — disse Fernández. — Talvez o governo brasileiro não perceba que esteja  criando uma mácula muito grande ao manter preso um nome como Lula.

O ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, que também participou da visita, disse que Fernández é o candidato de Lula na eleição argentina. Na conversa, também foi discutido o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, anunciado na semana passada.

—   O acordo condena a Argentina a um processo de desindustrialização — disse Fernández, afirmando que o tratado foi anunciado agora para que o presidente argentino, Mauricio Macri, candidato à reeleição, possa apresentá-lo como um trunfo na campanha eleitoral.

Analistas argentinos ouvidos pelo GLOBO opinaram que Fernández buscava, com a visita a Lula, reforçar a polarização com  Macri e sua aliança com o presidente Jair Bolsonaro. Além disso, o encontro serve, segundo os analistas, para reforçar a denúncia de Cristina de que líderes de esquerda que governaram países do continente são hoje perseguidos políticos da Justiça.

—  Estar com Lula não agrega eleitores, serve para mostrar-se como o oposto da dupla Macri-Bolsonaro — comentou Carlos Fara, da Fara e Associados.