18 de janeiro de 2023

Coluna Versátil News

Corrida para fugir de cobranças da lei trouxe mais de 124 mil sistemas de energia solar nos últimos 60 dias no País, segundo Portal Solar

De acordo com levantamento da franqueadora de venda e instalação de painéis fotovoltaicos, volume de projetos fotovoltaicos que entraram em operação nos telhados superou a marca de 1,1 gigawatt no período

Janeiro de 2023 – A corrida dos consumidores para garantirem a isenção de cobranças pelo uso da rede elétrica previstas no marco legal da geração própria de energia renovável (Lei 14300/2022) levou o Brasil a registrar a instalação de mais de 124 mil novos sistemas de energia solar em telhados nos últimos 60 dias. O levantamento foi feito pelo Portal Solar, franqueadora para venda e instalação de painéis fotovoltaicos, com base em dados oficiais da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), e mostra que, desse montante, cerca de 80% são instalações em residências. De acordo com o mapeamento do Portal Solar, o volume de projetos fotovoltaicos que entraram em operação nos telhados, fachadas e pequenos terrenos de residências e empresas superou a marca de 1,1 gigawatt entre novembro e dezembro de 2022. O período limite que garantia tal isenção era o dia 7 de janeiro deste ano, quando começaram a valer as novas regras de cobranças aos consumidores que protocolam, a partir desta data, o pedido de conexão do sistema de energia solar. O levantamento mostra ainda que os 124 mil novos sistemas de geração própria de energia solar que entraram em operação entre novembro e dezembro de 2022 representam um crescimento 9% em relação a todo o acumulado de telhados solares instalados atualmente no País (hoje, com cerca de 1,5 milhão). Quando comparado aos 118 mil telhados fotovoltaicos registrados nos 60 dias anteriores (setembro e outubro de 2022), o volume acrescentado de sistemas solares distribuídos entre novembro e dezembro do ano passado teve um crescimento de 5%. Para o CEO do Portal Solar, Rodolfo Meyer, mesmo com as cobranças gradativas da nova lei, o uso da energia solar em telhados vai continuar bastante atrativa, já que o preço dos equipamentos cai de forma drástica no mercado internacional. “Há também oferta crescente de crédito para financiamento de projetos, que troca o valor economizado na conta de luz pela parcela da prestação, eliminando assim quaisquer necessidades de recursos próprios para a instalação de painéis solares”, explica. “O avanço dos projetos fotovoltaicos no País reflete a busca dos consumidores por alternativas sustentáveis para reduzir gastos na conta de luz. A energia solar é atualmente um investimento bastante rentável e ajuda a aliviar o orçamento das famílias brasileiras e ampliar a competividade das empresas”, conclui Meyer, que também é conselheiro da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR). Sobre o Portal Solar   O Portal Solar está no mercado desde 2014 e acumula mais de 18 mil sistemas fotovoltaicos instalados. Com inspiração australiana, começou como portal de conteúdo, tendo até hoje a maior audiência do segmento. Em maio de 2021 o Portal Solar lançou o modelo de franchising home-based de baixo investimento, e já conta com mais de 200 unidades espalhadas pelo país. Para mais informações, contatar:Thiago Nassa (MTb. 30.914)TOTUM Comunicação
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Como o financiamento digital de automóveis pode ajudar os pequenos lojistas do setor

Por Daniel Abbud* 

Em um país como o Brasil, que conta com milhares de estabelecimentos responsáveis por comercializar carros seminovos e usados, a atenção em otimizar os processos de análise de crédito deve ser prioridade na agenda dos pequenos lojistas que atuam no setor. Segundo informações divulgadas em agosto de 2022 pela Associação das Montadoras de Veículos (Anfavea), a cada 10 pedidos de financiamento de automóvel, uma média de sete costuma ser aprovada.

Outro desafio observado, é que nos últimos meses, a aprovação caiu para pouco mais da metade devido a preocupação dos bancos com casos de inadimplência, que advém da alta dos juros. Contudo, a análise de crédito é um meio e não um fim para uma concessionária, já que a sua principal atividade é a compra de veículos para a revenda. No entanto, solicitações recusadas podem sim comprometer as vendas no dia a dia.

Diante desse contexto, surgiram no mercado startups dispostas a diminuir esse risco ao oferecer uma intermediação em todas as etapas do processo, em um formato 100% on-line. O grande diferencial dessa proposta é que os pequenos empreendedores podem ter a vivência de uma experiência multibancos. Em contato com mais de 10 instituições financeiras, as chances de aprovação de um financiamento ampliam em até três vezes, chegando a recuperar cerca de 15% das demandas recusadas no modelo tradicional.

A concessionária precisa apenas fazer o cadastro em uma plataforma digital, informar os dados do cliente e acompanhar o andamento da proposta. Trata-se de uma total desburocratização da parte de documentação e formalização do contrato, fazendo com que o lojista tenha mais tempo livre para focar no gerenciamento da loja e no atendimento de outros clientes. Além disso, tal iniciativa promove a digitalização do segmento sem grandes investimentos por parte desses pequenos lojistas, beneficia o consumidor com mais chances de ter o financiamento aprovado e fomenta a expansão de empresas de tecnologia como as fintechs, isto é, todos ganham com esta inovação.

*Daniel Abbud, CEO e sócio-fundador da Dryve, fintech com foco no financiamento digital de automóveis
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26 de Janeiro – Dia da Gula: conheça seis franquias que oferecem pratos para quem gosta de comer bem

Redes apresentam seus cardápios com pizzas, doces e até comida fit para celebrar a data

Quem gosta de saborear um prato de comida logo se identifica com o Dia da Gula, celebrado em 26 de janeiro. A data, momento ideal para sair totalmente da rotina e aproveitar o melhor da gastronomia, também é um convite para experimentar novos sabores, considerando todas as possibilidades do prazer em comer. Para quem quer se aventurar nesta ocasião, conheça seis franquias com pratos que encantam os olhos e atendem todos os tipos de paladar.

Casa de Bolos – A maior rede de franquias de bolos caseiros e pioneira no segmento no Brasil tem em seu cardápio mais de 100 sabores, como versões para aniversário, diet, integral, funcional, caseiro no pote, bolo baby, além de tortas e cucas para os amantes de sobremesa. Com mais de 400 unidades em todo o país, a rede leva a sensação de comer o “bolo da vovó” para qualquer lugar. Uma das delícias para essa data é o Bolo Caseiro no Pote, com 18 sabores gelados que combinam com o verão e que pode ser encontrado nas lojas da rede a partir de R$ 9,00.

Pizza Prime – Para quem adora pizza, a rede de pizzarias 100% brasileira é uma boa opção para aproveitar esse prato que é um dos favoritos de muita gente. Com sabores que remetem a regionalidade de onde está localizada a unidade, a franquia oferece versões salgadas, doces e veganas, em opções individuais, para dividir com a galera e rodízios em algumas das 70 lojas pelo país. Uma das escolhas recomendadas para a data é a pizza Primezzita, que, para comer em uma porção individual, está a partir de R$ 25,90.

Mais1.Café – Os amantes de café encontram diversas variedades da bebida na Mais1.Café, maior rede de cafés to go do Brasil. Com mais de 500 unidades em todo o país, a franquia oferece um cardápio com bebidas especiais, desde o clássico coado até drinques gelados com grão especial. Para comer, há salgados e doces importados da Espanha e França, que possibilitam diversas combinações. Uma das novidades da rede para o Verão é a Soda Italiana, nas versões Maçã Verde, Cranberry e Melancia, com preços a partir de R$ 11,90.

Home Sushi Home – Para quem prefere a culinária japonesa e chinesa, a rede de delivery de comida oriental e havaiana oferece opções de dar água na boca para serem degustadas no conforto do seu lar. Presente em mais de 18 estados com 23 unidades, a rede traz em seu menu sushis, temakis, yakissobas, sashimis e outras delícias que podem ser degustadas em combos ou em porções individuais. Os pratos estão disponíveis a partir de R$ 15,00.

Seu Churros – Para quem gosta de doces, o Seu Churros oferece receitas exclusivas em seu cardápio e dispõe de nove variedades de doces elaborados a partir do doce. Uma das maiores redes de franquias de churros do país é também especializada em receitas artesanais e com ingredientes premium, adotando o compromisso de sempre ter massa fresca e frita na hora. As delícias estão disponíveis nas lojas a partir de R$ 3,50.

Mr. Fit – Especialmente para quem deseja sair da rotina sem impactar tanto a dieta, a rede pioneira em fast-food de alimentação saudável no Brasil dispõe de refeições, sanduíches, sucos e outras iguarias como estrogonofe de biomassa de banana verde e sucos funcionais, além de um cardápio low carb. As opções estão disponíveis a partir de R$ 6,90.

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Verão: conheça 4 delícias gastronômicas que vão te ajudar a refrescar até os dias mais quentes dessa estação

Estamos em pleno verão e, apesar de o início da estação ter sido marcado pelo fenômeno La Niña, que provocou aumento no volume de chuvas e queda no termômetro, a previsão meteorológica, de acordo com o Climatempo, é de que as temperaturas voltem a subir ainda na segunda quinzena deste mês. Para te ajudar a refrescar os dias mais quentes que virão, listamos 4 delícias gastronômicas. Confira:

Seu Shake

Lançamento da rede Seu Churros, uma das maiores franquias de churros do país, o Seu Shake é uma linha exclusiva de milkshakes composta por sete sabores, sendo eles: Chocolate Belga, Café, Doce de Leite Crocante, Morango, Negresco, Ovomaltine e Nutella.  Os produtos estão disponíveis nas lojas a partir de R$ 14,00.

Açaí na tigela

Em dois tamanhos, sendo eles de 300 ml e 500 ml, o açaí da Mr. Fit, rede pioneira em fast-food de alimentação saudável no Brasil, pode ser montado com até três frutas, cinco complementos e três coberturas. As opções são todas saudáveis e vão desde o Whey Protein até o leite condensado light. O produto pode ser adquirido a partir de R$ 12,00.

Bolo Caseiro no Pote

Com 18 sabores, o Bolo Caseiro no Pote da Casa de Bolos, maior rede de bolos caseiros do Brasil e pioneira no segmento, é uma opção de sobremesa individual e gelada para os dias quentes. O doce pode ser encontrado nas mais de 400 lojas a partir de R$ 9,00.

Soda Italiana

Uma outra opção para ajudar a refrescar o dia a dia na estação mais quente do ano é a Soda Italiana da Mais1.Café, maior rede de cafés ‘to go’ do Brasil. Nos sabores Maçã Verde, Cranberry e Melancia, a bebida gelada está disponível a partir de R$ 11,90 nas mais de 500 unidades da rede em todo o país.

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Oito bilhões de habitantes e subindo: algumas alternativas para termos alimentos para todos

Por Sérgio Medeiros, engenheiro agrônomo, pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste e membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS)

Em meados de novembro, foi anunciado o nascimento do oitavo bilionésimo ocupante do planeta Terra. A notícia suscitou novamente a dúvida se há lugar para tantos terráqueos ou, melhor, se nossa Terra é capaz de suportar tanta gente assim. Afinal, ocupamos espaços, demandamos energia, ar respirável, água potável e alimentos.

O medo da fome sempre assombrou a humanidade e, no final do século XVIII, parecia matematicamente inevitável, conforme previa a teoria malthusiana, segundo a qual o aumento da população criaria uma demanda de alimentos de alcance inexequível. O colapso previsto não ocorreu, em especial, graças aos avanços do conhecimento científico e à incorporação de tecnologia que permitiram um aumento na produção agropecuária muito acima do previsto.

Hoje, já está suficientemente claro que a produção de alimentos precisa ser feita com cautela, de maneira a evitar que as mudanças no ambiente não comprometam o funcionamento dos serviços ecossistêmicos que garantem a estabilidade dos sistemas ambientais. A ruptura dos ciclos naturais coloca em risco a produção de alimentos.

A previsão da ONU é que os 9 bilhões sejam atingidos até 2050 e os 10 bilhões, antes do final de 2100. Com mais restrições à vista, à medida que os ambientes naturais escasseiam, mais pressão é colocada no setor agropecuário que, ao mesmo tempo, tem que responder à maior demanda, mas com menores margens de manobra. Tudo isso em um contexto em que a fome ainda se faz presente de forma relevante, pois, atualmente, temos mais de 800 milhões de pessoas em privação alimentar.

Importante entender que as estatísticas indicam haver produção suficiente de alimentos para todos, mas a má distribuição da produção e, especialmente, a falta de renda restringem a aquisição de comida, sobretudo em países pobres. A distribuição desigual fica evidente pela ocorrência, concomitante de surtos de obesidade e fome, até mesmo em uma mesma localidade. Uma grande ironia completa esse triste cenário: a estimativa que, da colheita até o consumidor, mais de um terço do alimento produzido no mundo é desperdiçado.

Em seguida, dez opções para reduzir o risco do flagelo da fome, tanto hoje, como na trilha do 10°. bilionésimo habitante.

1. Aumentar a eficiência de produção para redução do preço do alimento

O preço dos alimentos costuma ser determinado pela lei da demanda e oferta e, assim, quando a oferta é alta os preços caem. O limite para a redução de preço corresponde às condições em que os produtores se consideram minimamente recompensados economicamente a produzir. Abaixo dele, a atividade inviabiliza-se. Nesse caso, a oferta cai, a demanda fica maior do que ela e há encarecimento do alimento. Com isso, mais pessoas se interessam em produzir, a oferta aumenta, o preço cai… e segue o ciclo.

O que o aumento na eficiência permite é, ao reduzir o custo de produção, ampliar a janela em que a atividade é viável economicamente, ou seja, mesmo mais barato, ele segue sendo produzido. Isso é particularmente aplicável à pecuária, cujo preço de venda depende do mercado e, nesse caso, o exemplo da decisão por confinar ou não a cada ano ilustra bem essa situação.

Assim, um produtor pode desistir de confinar o bovino cujo custo da arroba produzida esteja maior do que o valor previsto de venda. Todavia, caso ele seja apresentado a um aditivo que aumente 10% seu ganho ou reduza 10% a ingestão de alimentos com o mesmo desempenho pode refazer os cálculos e perceber que, agora, há margem positiva de ganho, decidindo confiná-lo.

2. Maiores cuidados na colheita, transporte, comercialização e uso dos alimentos

Ao longo das cadeias de produção há relatos de perda de até mais de 40% de alimentos, o que tem feito brotarem iniciativas visando a redução do desperdício.

Na colheita de grãos, por exemplo, um melhor ajuste das máquinas e testes, que permitam quantificar as perdas antes da colheita, podem fazer grande diferença. O pastejo por curtos períodos dessas áreas recém colhidas permite que os grãos que tenham ficado no campo ainda sejam aproveitados pelos animais, que são eficientes na tarefa de resgatá-los.

No transporte, a pecuária tem um bom exemplo: a colocação de uma lance adicional horizontal no embarcadouro, logo após a rampa. Essa simples providência reduz o choque da garupa do bovino na parte superior da entrada do caminhão, evitando muito as perdas de carne por contusão. Isso, junto com motoristas bem capacitados, que seguem uma série de recomendações de como dirigir para causar menos estresse aos animais e evitar novas contusões, permite reduzir as perdas no transporte até o frigorífico.

Ainda na cadeia da carne, no caso da comercialização, a manutenção das peças com bom resfriamento, garante que o prazo de validade estabelecido se efetive. Por fim, ao ser usado na cozinha, perde-se em toaletes excessivas ou preparo inadequado, que podem ser revertidos com melhor capacitação dos manipuladores.

3. Aumento da base de alimentos usados

A lista dos alimentos que formam a base da alimentação mundial é extremamente pequena, especialmente se considerarmos o enorme número de opções que temos, mas ficam fora ao não se enquadrarem nos nossos hábitos alimentares. Por exemplo, ao contrário de brasileiros, mexicanos apreciam comer a palma forrageira como mais um ingrediente da saladas.

Para ir além dessa possibilidade de “aprender” a usar novos recursos alimentares com outros povos e culturas, há um movimento que visa incentivar a ampliação do nosso repertório alimentar. Ele busca reconhecer plantas comestíveis não convencionais (PANCs), que tenham bom valor nutricional e outros atributos, como boa palatabilidade, e possam cair no gosto dos consumidores. Alguns exemplos de PANCs que já tiveram algum sucesso: ora-pro-nóbis, chicória-do-campo, taioba, azedinha, peixinho, dente-de-leão, hibisco e serralha.

Além da vantagem trazida pela biodiversidade em termos agronômicos, como o fato de poderem ter resistências a determinadas doenças ou pragas, há chances de ganho nutricional da dieta, por enriquecimento de alguns nutrientes em teores mais elevados nesses alimentos.

4. Maior aproveitamento de resíduos e coprodutos

Resíduos e coprodutos podem ser usados na alimentação de animais, reduzindo a necessidade de compra de alimentos mais caros. Os ruminantes, em particular, podem fazer uso de uma grande gama de resíduos e há casos de uso intenso de resíduos e coprodutos nas dietas.

Muitas vezes o limitante para o uso deles é a questão de logística ou de conservação. No caso da logística, novas tecnologias de geolocalização podem ajudar o uso, ao indicarem os meios, rotas, compartilhamento de cargas etc. que viabilizem esses alimentos em uma região maior do que só contando com os meios tradicionais de comercialização.

5. Fontes alternativas de alimentos mais radicais (insetos)

Comer insetos faz parte do hábito alimentar de alguns países, especialmente, na Ásia, portanto, uma das alternativas é seguir esse exemplo. Todavia, a produção crescente, devido aos bons resultados obtidos, vai mais no sentido de ser fonte de alimento para a nutrição animal, notadamente para aquicultura.

No rol de positividades, a produção é feita com base em resíduos e, assim, são resolvidos dois problemas ao mesmo tempo: mais recursos alimentares e menos lixo. Outro ponto importante que deve ser destacado é que, ao contrário da cena da pessoa colocando um inseto boca abaixo, o consumo para humanos deverá ser majoritariamente pela farinha dos insetos, incorporada como um ingrediente a mais, em alimentos processados.

6. Sistemas Integrados

As produções integradas, seja Lavoura-Pecuária (ILP), silvipastoril (IPF), ou Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), têm se mostrado como casos de sucesso, pois há muita complementariedade entre as atividades, bem como sinergias, que reduzem seu impacto ambiental.

O fato é que se produz mais por área, com a pastagem produzindo mais carne após a lavoura, a lavoura mais grãos depois do pasto. Adicionalmente, a mão-de-obra de uma atividade pode colaborar com a outra e as sombras das árvores melhoram o conforto térmico dos animais, ao mesmo tempo que se está diversificando a renda.

O aumento de área com sistemas integrados no Brasil de 2010 a 2020, passando de 5 para 17 milhões de hectares, dá uma boa ideia de como elas são atraentes, com a vantagem adicional de sua adoção ser possível mesmo para pequenos produtores.

7. Economia circular

Nela, o resíduo de um processo é o insumo da seguinte, fechando o ciclo em alguma parte do processo. Um exemplo pecuário seria o uso do esterco bovino como substrato para produzir uma alga que, em seguida, seria incorporada na ração dos animais confinados. O esterco do confinamento, então, seria levado às áreas de produção das algas, fechando o ciclo.

Além da redução de insumos, a circularidade também resolve o manejo dos resíduos. Uma outra oportunidade que pode ser considerada no futuro de economia circular seria o uso de farinha de carne e ossos calcinada retornando à dieta dos animais como fonte de cálcio e fósforo.

8. Tecnologia da informação (TI) e otimização além das cercas das fazendas

A TI pode ajudar ao otimizar não só uma unidade produtiva, mas toda uma região. A ideia seria implantar uma plataforma central com todas as informações de determinada região com dados sobre as fazendas, prestadores de serviço de transporte de bovinos, lojas de insumo etc. Ao cruzar os dados da plataforma, o sistema procuraria encontrar situações em que alguém com sobra de alimento poderia se juntar a outro com excesso de animais e propor um negócio em que ambos se beneficiariam em uma engorda conjunta dos animais.

Os algoritmos utilizados garantiriam o sistema como uma ferramenta justa e imparcial, de forma a quebrar resistências e permitir a otimização além das porteiras das propriedades.

9. Inteligência artificial (IA) para as complexidades crescentes geradas pelos avanços científicos

Os avanços científicos têm se acelerado e trazido complexidades que desafiam nossa limitada capacidade mental. Para compensar isso, ferramentas sofisticadas de análises têm sido criadas, mas, mesmo elas acabam sendo limitadas pela capacidade interpretativa humana. A IA aparece como uma alternativa para contornar nossas limitações.

Um experimento realizado recentemente, em que um sistema de IA projetado para achar novas ligas metálicas foi sendo alimentado com informações sobre o assunto da década anterior ao tempo atual, tendo sido capaz de propor uma “nova” liga com alguns anos de antecedência em relação ao que realmente aconteceu.

Mais recentemente, a empresa Deepmind, criou uma plataforma baseada em IA, chamada Alphafold, que prevê a estrutura das proteínas com exatidão, o que já foi um enorme feito. Agora, a Deepmind anunciou que irá conseguir ampliar seu banco de dados de 1 milhão de estruturas proteicas para cerca de 200 milhões, o que representaria quase todas as proteínas catalogadas pela ciência hoje.

No caso da pecuária, um dos campos que pode se beneficiar muito da IA é a nutrigenômica, que promete uma nutrição feita sob medida para cada animal baseada na composição do seu genoma, o que, em tese, deve ser o ápice da eficiência alimentar. Importante que, muito antes de chegarmos a esse ponto, existirão benefícios ao conhecimento em nutrição pelo aprendizado ao longo do processo.

10. Educação

A educação entra aqui em várias vertentes. No patamar mais elementar, temos o efeito dela no aumento da renda média das pessoas que, por si só, resolve muito da questão de acesso à comida por poder de compra. Num nível mais elevado, temos o fator capacitante da educação com o qual as pessoas são capazes de fazer melhor uso dos recursos, reduzindo, por exemplo, o desperdício de alimentos. Com um pouco mais de elaboração, pode-se compreender o efeito das suas ações em relação à sua saúde e ao ambiente, permitindo fazer escolhas sobre o que é melhor consumir.

Por fim, em um nível mais sofisticado de educação, serão as pessoas que assumirão papéis na pesquisa, desenvolvimento e inovação e, nesse caso, podem colaborar para a ocorrência de grandes avanços, como no exemplo acima da empresa Deepmind.

Importante ressaltar que o sucesso desse último nível é dependente dos sucesso nos níveis mais básicos de educação, com especial ênfase para os primeiros ano da infância. Quanto mais inclusiva for a educação, mais teremos possibilidade de descobrir talentos, além de, ao juntar pessoas criadas em realidades distintas, criar um caldo de cultura favorável à inovação.

Obviamente, com esses dez itens não se tem a pretensão de esgotar as alternativas à produção de alimentos, mas apenas apresentar uma coleção relevante para o desafio de alimentar tantas bocas.

A relevância de darmos soluções para mais alimento com menos impacto ambiental é muitas vezes lembrada, pois temos apenas nosso planeta para morar e, portanto, não existiria plano B.

De fato, ainda não há, mas há um candidato a plano B: Marte. Nos planos para torná-lo habitável, serão as plantas que produzirão o oxigênio para formar sua atmosfera, ou seja, será graças ao agro que a humanidade terá chance de, enfim, ter um segundo endereço.

Como há uma longa jornada até lá, melhor ir exercitando com o que temos e incorporando novas formas de fazer, cada vez mais eficientes, para chegarmos lá sem maiores sobressaltos.

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