23 de janeiro de 2023

Coluna Versátil News

Desigualdade social, exclusão e polarização política

André Naves (*)

A polarização político-eleitoral, que tantos males traz ao desenvolvimento nacional, é uma consequência da nefasta desigualdade social existente em nosso país. Essa desigualdade pode ser percebida em cada grupo ou setor social que se encastelou em bolhas ideológicas incomunicáveis, formadas a partir de diferentes conjunturas e percepções da realidade de cada um.

Condições materiais extremamente distintas levam a incomunicáveis torres de marfim habitadas por setores sociais cada vez mais apartados uns dos outros: é o tecido social que se esgarça, o diálogo que se rompe, e realidades diversas são ignoradas.

Com grupos incomunicáveis, a representação política, que deveria ser democrática, e, portanto, deveria contar com a participação de todos, se torna exclusiva dos setores sociais que possuem influência política. Dessa forma, grupos politicamente dominantes predam os recursos públicos, instituindo políticas públicas exclusivistas e ineficientes, geradoras de privilégios, desvios e deturpadoras das prioridades sociais. Esse mecanismo excludente determina a menor transparência das relações políticas, impulsionando a corrupção.

A desigualdade social leva à políticas públicas corruptas e excludentes. Nascidas no seio da desigualdade social, políticas públicas exclusivistas promovem ainda maior exclusão de setores populacionais já historicamente excluídos, marginalizados ou precariamente incluídos.

Ora, políticas públicas que privilegiam injustamente certos grupos dominantes em detrimento de outros geram sentimentos e ações de ressentimento e revanchismo por parte daqueles excluídos. Onde deveria haver uma relação social de cooperação, vicejam os males da competição destrutiva. Onde os valores do progresso e da inclusão deveriam florescer, a reação à exclusão é a tônica.

A desigualdade social gera a polarização política que, por sua vez, determina estruturas sociais excludentes que realimentam a desigualdade!

Para que a polarização política seja minimizada, faz-se urgente reduzir ao máximo as desigualdades sociais por meio de políticas públicas inclusivas, que ajudem na construção de estruturas sociais sustentáveis, emancipatórias e justas. Dessa maneira, será possível concretizar e aprofundar os Direitos Humanos: cada indivíduo e a coletividade poderão contar com a efetiva e real igualdade de oportunidades!

*André Naves é Defensor Público Federal, especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social; Mestre em Economia Política.

Coluna Versátil News

Mentoria inédita ajuda OSCs e negócios sociais a desenvolverem gestão estratégica e otimizar resultados

Único programa nacional focado em negócios e organizações do setor, DNA da Marca de Impacto apresenta conteúdo focado nas principais dores dos atores de impacto social

Empreender e causar impacto positivo em uma comunidade é o sonho de muitas pessoas, mas engana-se quem acredita que esta é uma tarefa fácil. Um levantamento do Sebrae, em parceria com o Programa das Nações Unidas (PNUD), identificou mais de 800 negócios sociais no Brasil. Porém, nem sempre eles sabem dar os passos certos para ter sucesso. Entre seus desafios estão a saúde financeira, a ausência de estratégias eficazes, dificuldades de gestão, falta de patrocínios, pouca clareza sobre a identidade da marca e baixa presença digital.

As organizações da sociedade civil (OSC) experienciam adversidades semelhantes e se esforçam para atrair voluntários e outras pessoas que doem tempo, habilidades ou recursos financeiros para maximizar o impacto socioambiental. Há mais de 815 mil OSCs no país, calcula o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), e destacar-se nesse universo exige conhecimento e preparo. Para ajudar organizações e negócios sociais a exercerem suas missões com sucesso, o Adverso Lab – que utiliza a tecnologia e o design para criar soluções criativas e sustentáveis para o setor de impacto social – irá lançar uma mentoria inédita: DNA da Marca de Impacto.

Trata-se da única mentoria nacional especializada em marcas e organizações que causam impacto social. O programa possui duração de dois meses e foi desenvolvido para auxiliar negócios sociais e OSCs a descobrirem seu DNA e a serem referências em suas áreas de atuação, tornando-se atraentes para parceiros, investidores e conectando-se ao público em geral. A mentoria também é voltada para quem almeja desenvolver uma marca ou organização do zero e melhorar as estratégias de comunicação. Serão oferecidas apenas seis vagas para cada turma.

As inscrições para a primeira turma já estão abertas e vão até 31 de janeiro. O início da mentoria ocorre no dia 4 de fevereiro e encerra em 31 de março. Já as inscrições para a segunda turma começam em 30 de janeiro e se estendem até 13 de fevereiro e o programa será realizado entre 17 de fevereiro e 14 de março.

Ferramentas inovadoras 

Os participantes terão acesso a sessões em grupo e individuais, exercícios complementares, aulas gravadas com especialistas em Branding e ferramentas inovadoras. Entre elas, destaca-se a metodologia Inverso, desenhada especialmente para o setor de impacto e que proporciona ensinamentos valiosos de forma lúdica e cooperativa por meio de canvas e baralhos. As marcas e negócios sociais que completarem a mentoria terão em mãos um planejamento estratégico de marca para os próximos dois anos e uma plataforma completa com identidade verbal e visual.

“Ter uma boa marca é importante para qualquer organização. Mas gerir tudo sozinho não é simples, especialmente sem estrutura adequada. Já atendemos clientes que viviam um verdadeiro pesadelo. A mentoria foi o caminho que encontramos para tornar nossa solução acessível e desenvolver marcas por meio de exercícios, jogos e reuniões divertidas guiadas por especialistas”, Catarina Alencar, CEO da Adverso Lab.

São 24 aulas gravadas, quatro sessões de mentoria individual, duas sessões de mentoria em grupo e um encontro com um investidor de impacto. Todo o conteúdo é dividido em três módulos: Cultura, que tratará de aspectos relacionados à personalidade da organização ou do negócio social, Estratégia, que fará uma análise de mercado, identifica públicos e personas e estabelecerá um posicionamento, e Tática, no qual serão definidas as identidades verbal e visual dos participantes.

Outro diferencial está nos bônus: Pitch de sucesso: Aprenda as melhores dicas para criar um pitch de sucesso com Marina PiresJornada do registro de marca: Aula com Mateus Lins, tire suas principais dúvidas sobre como registrar uma marca; encontro com investidores de impacto e Baralho do InVerso. O programa também oferece um manual de identidade visual, um manual de identidade verbal e certificado de conclusão.

Especialistas no setor de impacto social

DNA da Marca de Impacto conta com quatro especialistas para orientar os participantes a desenvolver uma identidade única, atrair voluntários e construir relacionamentos duradouros com parceiros e apoiadores. Dentre eles está Catarina Alencar, CEO do Adverso Lab, especialista em Negócios Sociais, designer pela Universidade Federal do Ceará, professora na Ago Social e no programa BTG Soma. Outra especialista é Marina Pires, designer e gestora de projetos no Adverso Lab. Ela também atua em pesquisas e projetos para o setor de impacto, com foco em storytelling e tecnologia.

Outros integrantes da equipe são Samuel Martins e Mateus Lins. Samuel é designer há mais de 13 anos, gestor de projetos, foi jurado de Branding no Brasil Design Awards 2022, é consultor e mentor de estratégia de marca. Mateus é advogado com atuação no campo da Propriedade Intelectual, mestre e professor e consultor jurídico do Adverso Lab. Ele também ministra oficinas de escrita criativa.

“Unimos a nossa expertise a um formato ágil, que vai cocriar com você uma marca que as pessoas se identificam e querem saber mais. Vamos trabalhar juntos para desenvolver sua voz, construir um planejamento e tornar sua marca atrativa para que doadores, investidores ou clientes prestem atenção e se engajem com a causa.” Marina Pires, gestora de projetos da Adverso Lab.

O preço é outro atrativo da DNA da Marca de Impacto: com R$ 3500,00 (ou R$ 3325,00 à vista), os inscritos adquirem os mesmos materiais que o Adverso Lab utiliza em seus processos de consultoria de marca e que são vendidos por cerca de R$ 15.000,00, ou seja, há uma economia de 77%. Caso o aluno não se adapte ao método, é possível solicitar reembolso de 100% do valor investido em um prazo de até sete dias após o início das sessões de mentorias individuais. Para participar da mentoria, preencha o formulário de inscrição.

Sobre o Adverso Lab

O Adverso Lab é um laboratório que utiliza o design e tecnologia como ferramentas para solucionar adversidades dos negócios de impacto social. Fundado em 2021, o Adverso já atuou em conjunto com mais de 70 iniciativas do setor de impacto brasileiro, auxiliando-as em seus desafios de modelos de negócios e gestão de marcas. Nesse período, o Lab também auxiliou grandes empresas, como Votorantim Cimentos, Amil, SAP e BTG Pactual. Em dois anos,  o trabalho impactou mais de 5700 pessoas diretamente e mais de 110 mil pessoas indiretamente. Mais informações, acesse: https://adversolab.com/

Coluna Versátil News

Crianças cuidando de crianças

Por José Carlos Sturza de Moraes

Uma das pautas prioritárias das gestões estaduais e federal, recém-eleitas, é a Educação – tema foi recorrente na maioria dos governos municipais no pleito realizado há dois anos. É prioridade de inícios de mandato porque, em regra, não é prioridade de Estado real. Apesar de tratar-se de um direito previsto na Constituição Federal, a Política de Educação não tem sido bem encaminhada pelos governos.

Além disso, a Educação não é uma ilha e depende de fatores externos às políticas educacionais. O rendimento escolar, muitas vezes, também está ligado ao contexto socioeconômico dos estudantes e de seus familiares. As classes C, D e E, por exemplo, enfrentam o tema absurdo e persistente de crianças e adolescentes cuidando de outras pessoas da família, normalmente irmãos mais novos, em vez de focar sua atenção aos estudos.

Pesquisa publicada pelo UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), realizada em agosto de 2022 e que ouviu 1.100 meninas e meninos de 11 a 19 anos de todas as regiões do Brasil, constatou que 11% não haviam voltado às escolas após o isolamento social provocado pela pandemia. O dado representa uma evasão escolar de mais de dois milhões de estudantes no país. Entre as causas apontadas pelos ex-alunos, 28% destacaram o fato de terem que cuidar de familiares em suas casas. Dos 21% que seguiram estudando, mas que pensaram em desistir da escola nos três meses anteriores à pesquisa, 19% trouxeram este mesmo motivo.

 A falta de creches e pré-escolas e de ensino em turno integral, especialmente para estudantes dos anos iniciais do Ensino Fundamental, explica a maior parte dessa realidade preocupante. Um misto de exploração do trabalho infantojuvenil “invisibilizado”, aliado à fragilização do cuidado familiar, por vezes expondo crianças a ações arbitrárias das agências de proteção, como a retirada de crianças de suas famílias por negligência ou abandono, mesmo sendo essa negligência claramente do Estado e não das famílias. Também as crianças estão expostas a riscos de acidentes e negligências diversas, em vez de usufruírem do direito constitucional à Educação.

Perante essa realidade, é impossível se pensar no Direito à Educação sem o apoio às famílias em maior situação de vulnerabilidade. Ainda mais quando essa vulnerabilidade tem relação direta com o não atendimento adequado da própria Política Pública de Educação como é o caso da falta de vagas na Educação Infantil, tanto de creches quanto de pré-escolas, e da baixa oferta de turno integral nas escolas brasileiras.

José Carlos Sturza de Moraes é cientista social, mestre em Educação e atualmente coordena o Instituto Bem Cuidar (IBC), uma iniciativa da Aldeias Infantis SOS.

Rolar para cima