Coluna Versátil News

Quando a IA decide por você: os limites éticos que ainda precisamos estabelecer

O avanço da inteligência artificial generativa inaugurou uma nova etapa da revolução digital. Sistemas capazes de produzir textos, imagens, vídeos, áudios e códigos com impressionante realismo passaram a fazer parte da rotina de empresas, governos e milhões de usuários. Ferramentas como ChatGPT, Gemini, Claude e Llama ampliaram as possibilidades de inovação em áreas que vão da saúde à educação, do direito ao mercado financeiro.

Mas, junto com o entusiasmo tecnológico, cresce também um debate urgente: como garantir que essa transformação aconteça de forma ética, transparente e respeitosa com os direitos individuais?

Para o especialista em tecnologia Thiago Souza, consultor em arquitetura cloud, DevOps e engenharia de dados, com experiência em projetos de modernização de infraestrutura e automação em ambientes AWS, a discussão vai muito além de inovação ou produtividade. “Estamos construindo sistemas capazes de influenciar decisões sobre empregos, crédito, diagnósticos médicos e até liberdade civil. Quando essas decisões são tomadas com base em padrões estatísticos que muitas vezes nem os próprios desenvolvedores conseguem explicar completamente, entramos em um debate que envolve direitos fundamentais e responsabilidade social”, afirma.

O desafio da “caixa-preta”

Grande parte dos sistemas de inteligência artificial funciona como uma espécie de “caixa-preta”: recebem dados, processam informações e produzem respostas complexas, mas sem que seja possível compreender com clareza todo o caminho que levou àquela decisão.

Esse problema se torna ainda mais sensível quando a tecnologia passa a atuar em áreas críticas. Um algoritmo que influencia concessões de crédito, recomenda diagnósticos médicos ou analisa currículos de candidatos a emprego pode gerar impactos concretos na vida das pessoas.

Por isso, cresce globalmente o movimento pela chamada IA explicável, ou Explainable Artificial Intelligence (XAI), um conjunto de técnicas que busca tornar mais compreensível a lógica por trás das decisões automatizadas. “Em um Estado de Direito, toda decisão que afeta um cidadão precisa ser justificável”, diz Souza. “Se delegamos parte dessas decisões a sistemas automatizados, precisamos garantir que eles também possam explicar suas escolhas.”, completa.

Quando a IA erra – e erra com confiança

Outro fenômeno que preocupa pesquisadores é o das chamadas “alucinações” da inteligência artificial. Modelos de linguagem podem gerar informações falsas com a mesma segurança e fluidez com que apresentam dados corretos.

Casos recentes mostram que esse tipo de erro não é apenas teórico. Em tribunais, por exemplo, já houve situações em que documentos jurídicos incluíram precedentes inexistentes gerados por sistemas de IA.

Em contextos sensíveis, como medicina ou serviços financeiros, esse tipo de falha pode gerar consequências sérias. Por isso, especialistas defendem que sistemas de alto impacto sempre incluam mecanismos de verificação humana.

Privacidade sob pressão

Se por um lado cresce a demanda por transparência, por outro surge uma tensão inevitável: a própria inteligência artificial é treinada com enormes volumes de dados produzidos por pessoas: textos, imagens, registros e conteúdos disponíveis na internet.

Esse modelo de treinamento tem levantado debates sobre privacidade, direitos autorais e uso de dados pessoais. Em diferentes países, autoridades regulatórias já começaram a questionar empresas sobre a origem e a legalidade das informações usadas para treinar algoritmos.

No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) estabelece regras para o tratamento de dados pessoais e garante ao cidadão o direito de solicitar revisão de decisões tomadas exclusivamente por sistemas automatizados. “Os dados que tornam os modelos mais inteligentes são os mesmos dados que pertencem às pessoas”, explica Souza. “Encontrar o equilíbrio entre inovação tecnológica e proteção de direitos é um dos maiores desafios da próxima década.”, conclui.

Deepfakes e desinformação

Entre os riscos mais visíveis da inteligência artificial generativa está a criação de deepfakes: vídeos, imagens ou áudios falsos que simulam pessoas reais com alto grau de realismo.

Essas tecnologias já foram usadas em golpes financeiros, campanhas de desinformação e ataques reputacionais. Em muitos casos, vítimas descobrem tarde demais que sua imagem ou voz foi manipulada digitalmente.

Para enfrentar o problema, novas legislações internacionais começam a exigir mecanismos de identificação de conteúdo gerado por IA, como marcas digitais e sistemas de rastreamento.

O papel da regulação

Diante desse cenário, países e organizações internacionais vêm desenvolvendo marcos regulatórios específicos para a inteligência artificial.

Para Thiago Souza, o momento é decisivo. “A inteligência artificial generativa pode ser uma das ferramentas mais poderosas já criadas pela humanidade. Mas o verdadeiro avanço não está apenas no que ela consegue fazer, e sim em como escolhemos usá-la.” Segundo ele, o futuro da tecnologia dependerá da capacidade de governos, empresas e sociedade de construir modelos de governança que conciliem inovação, transparência e respeito aos direitos individuais. “A pergunta central não é se a IA pode fazer algo. A pergunta é: em nome de quem ela faz, com os dados de quem e com prestação de contas para quem.”, finaliza.

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Planetários itinerantes ampliam acesso à ciência e transformam experiências educacionais

Iniciativas móveis levam astronomia e tecnologia a escolas de diferentes regiões do país

O uso de planetários itinerantes tem se consolidado como uma ferramenta relevante para ampliar o acesso à ciência e estimular o interesse pelo conhecimento entre estudantes de diferentes realidades sociais. De acordo com o astrônomo e professor Emerson Roberto Perez, da Urânia Planetário, essa iniciativa permite levar experiências imersivas de astronomia e divulgação científica diretamente para escolas e comunidades que muitas vezes não têm acesso a equipamentos tecnológicos ou centros de ciência.

A proposta de um planetário móvel vai além de uma simples sessão de observação do céu. O projeto inclui apresentações educativas, conteúdos audiovisuais e atividades pedagógicas que aproximam alunos de temas científicos complexos de maneira acessível e envolvente. Em muitos casos, essa pode ser a primeira oportunidade de estudantes conhecerem tecnologias utilizadas na divulgação científica e explorarem conceitos ligados ao Universo, à física e à exploração espacial.

As atividades também são estruturadas para dialogar com o ambiente escolar. Professores e alunos podem participar de oficinas pedagógicas alinhadas à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), além de ter acesso a cursos gravados, lives sobre observação do céu e materiais de apoio desenvolvidos para utilização em sala de aula. Esse conjunto de recursos amplia o alcance da experiência, integrando o planetário às práticas educativas e estimulando discussões científicas mesmo após a realização do evento.

Segundo Emerson Roberto Perez, a astronomia possui um caráter integrador que conecta diferentes áreas do conhecimento e desperta a curiosidade científica. Quando levadas para comunidades escolares, essas experiências também fortalecem o vínculo entre alunos, professores e famílias, criando um ambiente de aprendizado coletivo e motivador.

A expansão de iniciativas como os planetários itinerantes demonstra o potencial da divulgação científica como ferramenta educacional e social. Ao aproximar estudantes do conhecimento sobre o Universo, essas ações contribuem para despertar vocações, incentivar a investigação científica e reforçar o papel da educação como motor de transformação social.

Para saber mais assuntos sobre ciência e astronomia, acesse Urânia Planetário – YouTube ou pelo instagram @uraniaplanetario.

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Automationedge

IA sem orquestração é um risco que as empresas ainda subestimam

Por Fernando Baldin, Country Manager LATAM da AutomationEdge

A adoção de inteligência artificial nas empresas avançou rápido até demais, em muitos casos, organizações estão colocando IA dentro de processos críticos com o mesmo nível de controle que usariam em uma ferramenta experimental. Isso, na prática, é um acidente anunciado.

Existe uma premissa que ainda é pouco discutida fora dos times técnicos, que a IA, por natureza, não é determinística, especialmente nos modelos generativos, onde há um risco real de inconsistência, interpretação equivocada e até “alucinação”. Isso não é um defeito, é uma característica da tecnologia. O problema começa quando essa característica é ignorada dentro de processos de negócio que exigem precisão, rastreabilidade e conformidade.

Não existe uso seguro de IA em escala sem orquestração e validação

Muita gente ainda associa inteligência artificial à ideia de agentes que executam tarefas específicas e esse modelo funciona bem em vários cenários. São aplicações com começo, meio e fim, regras claras e escopo limitado. Um agente que classifica e-mails, extrai dados de documentos ou responde perguntas frequentes, por exemplo, tende a operar dentro de um ambiente relativamente controlado. Mas o cenário muda completamente quando falamos de processos organizacionais de ponta a ponta.

Quando a IA passa a atuar em fluxos completos, que envolvem múltiplas etapas, regras de negócio, exceções e impacto direto em decisões, o nível de exigência sobe. Não basta mais “funcionar”, é preciso garantir que cada etapa esteja alinhada às políticas da empresa, que as decisões sejam verificáveis e que exista controle sobre o que está sendo executado. Sem isso, o ganho de eficiência pode rapidamente se transformar em risco operacional.

Orquestração, nesse contexto, não é apenas organizar tarefas, é criar uma camada de governança sobre a atuação da IA, é definir como ela executa, em que sequência, com quais validações e sob quais regras, e é garantir que o resultado final não seja apenas rápido, mas confiável.

Orquestração implica validação contínua

Cada ação da IA precisa ser verificável dentro de parâmetros definidos, isso significa implementar “guardrails”, assegurando que o processo siga dentro dos padrões esperados. Não se trata de limitar a IA, mas de direcioná-la e de garantir que ela opere com autonomia, mas dentro de um contexto controlado.

Um exemplo simples: imagine o processo de auditoria de despesas corporativas com base em uma política de viagens. Tradicionalmente, isso exige análise manual, conferência de recibos e interpretação das regras. Com IA, é possível estruturar automaticamente os dados desses recibos e compará-los com a política da empresa. Mas sem orquestração, esse processo pode gerar inconsistências, como interpretações erradas de regras, exceções mal tratadas ou decisões sem rastreabilidade.

Com orquestração e validação, o cenário muda completamente

A IA não apenas executa tarefas, mas passa a operar dentro de um fluxo estruturado, onde cada etapa é definida, cada decisão pode ser auditada e cada resultado é validado contra critérios claros. Nesse modelo, o próprio processo, com suas regras e políticas, se torna a lógica que guia a execução.

Esse processo abre espaço para algo maior do que automação, estamos falando de uma nova forma de desenhar o trabalho. Em vez de processos documentados que dependem de interpretação humana, passamos a ter processos estruturados que são, ao mesmo tempo, documentação e execução. A operação deixa de ser apenas seguida e passa a ser orquestrada.

Esse é o ponto de virada

A discussão sobre IA nas empresas não pode mais se limitar ao “onde usar”, mas precisa evoluir para “como governar”, porque o desafio real não é implementar inteligência artificial, é garantir que ela opere com consistência, segurança e alinhamento ao negócio.

IA sem orquestração pode até funcionar em pequena escala, mas quando inserida em processos reais, ela amplifica não só eficiência, mas também erros.

Fernando Baldin é Country Manager LATAM na AutomationEdge, com mais de 25 anos de experiência nas áreas de Gerência Comercial, Recursos Humanos, Inovação e Operações. Ao longo de sua trajetória, liderou iniciativas estratégicas de transformação organizacional em empresas de grande porte. Conta com diversas certificações de alto nível, como ITIL V3 Expert, ITIL Manager e HDI KCS, além de atuar como membro do conselho consultivo estratégico do Help Desk Institute.

Sobre a AutomationEdge

A AutomationEdge é fornecedora de soluções de Hyperautomação, Robotic Process Automation e IT Automation. Seu RPA inteligente, altamente avançado, reúne todos os recursos essenciais necessários para automação empresarial, como inteligência artificial, machine learning, chatbot, ETL, integrações de API prontas e automação de TI.

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Entre treinos e provas: como alunos-atletas equilibram alta performance esportiva e rotina escolar

Histórias de duas potiguares campeãs sul-americanas mostram como escola, família e esporte caminham juntos na formação dos estudantes

Quando o sinal toca, é o fim das obrigações de muitos estudantes. Entretanto, para aqueles que têm o esporte como parte da sua vida, o dia está apenas começando. Entre escola e sessões de treino intensas para competições nacionais e internacionais, alunos-atletas potiguares encaram uma jornada que exige disciplina, planejamento e apoio da escola e da família para manter o equilíbrio entre desempenho esportivo e rendimento acadêmico.

No Colégio Ágora, em Natal, histórias como as das estudantes Antonella Maciel Costa, de 11 anos, e Júlia Nascimento Diógenes, de 15, mostram que é possível conciliar as duas frentes para manter o resultado de medalhas e boas notas. Antonella, estudante do 6º ano, vive dias marcados por uma agenda regrada: pela manhã, dedica-se às aulas; e à tarde e à noite, alterna entre curso de inglês, preparação física, treinos de jiu-jitsu e judô. 

“O kimono já vai na bolsa e ela o veste após a aula, dentro do carro, a caminho do treino”, relata a mãe, a médica Clarissa Maciel de Andrade, que cuida da organização para que a filha cumpra todas as atividades.

Igualmente cheia é a rotina da ginasta Júlia Nascimento Diógenes, da 1ª série do Ensino Médio. Depois das aulas pela manhã, ela segue para o centro de treinamento onde pratica ginástica rítmica das 14h às 19h30, de segunda a sexta. Aos sábados, as atividades esportivas vão das 8h às 16h, e em períodos próximos às competições também há atividades aos domingos.

Ao chegar em casa à noite, ainda precisa estudar e realizar tarefas escolares. “Em dias comuns ela dorme por volta das 22h. Quando tem prova, às vezes vai até meia-noite ou uma da manhã estudando”, relata a mãe, a arquiteta Roberta Diógenes.

O esforço tem rendido resultados expressivos. Em 2025, Antonella foi convocada para a seleção brasileira de judô e representou o país no Campeonato Sul-Americano realizado em Assunção, no Paraguai, onde conquistou o título de campeã. No mesmo ano, Júlia conquistou medalha de ouro no Campeonato Sul-Americano de ginástica rítmica júnior, na cidade de Posadas, na Argentina.

Calendário escolar x competições

Para alunos-atletas, um dos maiores desafios é lidar com o encontro entre calendários de competições e acadêmicos. As competições costumam ocorrer aos fins de semana ou em viagens, o que pode reduzir o tempo disponível para estudar ou descansar antes de avaliações importantes.

“Quando a escola entende essa rotina e é parceira, tudo se ajusta. Ela consegue fazer as provas antes ou depois e seguir acompanhando o conteúdo”, afirma Roberta, mãe de Júlia.

Segundo o coordenador de esportes do Colégio Ágora, Luiz de França, a instituição trabalha de forma conjunta com a família para apoiar esses estudantes sem perder de vista o compromisso com a formação acadêmica.

“Entendemos a prática esportiva como uma ferramenta de formação que contribui para valores que acompanham os atletas em formação dentro e fora das quadras, por isso, buscamos equilibrar as duas áreas, oferecendo acompanhamento e orientação para que se possa conciliar bem estudos e treinamento”, explica.

Luiz destaca que a escola mantém diálogo constante entre coordenação, professores e famílias para acompanhar o dia a dia dos jovens e ajustar o calendário quando necessário. 

Entre sonhos e escolhas futuras

Embora o esporte de alto rendimento abra portas e oportunidades, muitas famílias enxergam essa trajetória também como parte de uma formação mais ampla. Para Antonella, a possibilidade de seguir carreira esportiva existe, mas sempre acompanhada da valorização dos estudos.

“Nosso objetivo é que ela tenha uma formação sólida. As artes marciais podem ser uma carreira ou uma ferramenta de desenvolvimento pessoal, mas a educação sempre será prioridade”, afirma Clarissa.

Já Júlia começa a refletir sobre novos caminhos. Com a aproximação do vestibular, a ginasta pensa em dedicar mais tempo aos estudos e sonha em cursar uma universidade fora do país. Enquanto essa decisão não chega, a rotina segue equilibrando livros, treinos e competições, mostrando que, para muitos jovens atletas, a busca por excelência acontece tanto nas quadras quanto na sala de aula.

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As sequelas de uma política irracional de juros

12/03/2026   10h53

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O juro real acima de 10% ao ano inibe o investimento produtivo, afeta o consumo das famílias e penaliza especialmente as camadas de menor renda

A política irracional de juros reais acima de 10% ao ano terá consequências graves para o setor produtivo, com impacto devastador para a economia nacional. Na indústria, enfrentamos o começo de um processo de inadimplência em pequenas, médias e grandes empresas, que rapidamente vai se alastrar e acarretar um efeito dominó em toda a cadeia produtiva. Passou da hora de o Banco Central reduzir os juros de forma efetiva.

O juro real acima de 10% ao ano inibe o investimento produtivo, afeta o consumo das famílias e penaliza especialmente as camadas de menor renda. Não podemos admitir que a economia brasileira seja prejudicada por uma inconsequente política de juros reais fora da normalidade. Nada justifica que o Brasil tenha essa taxa de juros tão elevada, com uma Selic a 15% ao ano, enquanto deveria estar ao menos 4 pontos abaixo desse patamar.

O resultado é uma alta do endividamento e da inadimplência das empresas e das famílias. Segundo o próprio Banco Central, o endividamento das famílias passou de 48,4% para 49,7% entre os meses de dezembro de 2024 e 2025. Já a inadimplência das pessoas físicas com o sistema financeiro subiu de 3,5%, em dezembro de 2024, para 5,2%, em janeiro de 2026. A inadimplência com o sistema financeiro também cresce entre as empresas, tendo passado de 2,0% para 2,6% nesse mesmo período.

A atual política monetária do país inviabiliza qualquer continuidade de uma atividade produtiva com competitividade, principalmente se olharmos para o nível das taxas de juros no mercado internacional. Não tenho dúvidas de que esse patamar estratosférico é desnecessário para controlar a inflação e prejudica o crescimento da economia.

Por isso, vejo como prioridade número um para o país que o Banco Central que inicie de forma consistente e efetiva uma sequência de cortes na taxa básica de juros. Sem essa medida, cada vez menos a indústria brasileira conseguirá competir no cenário global e os atrativos do nosso mercado serão anulados, frustrando projetos de investimentos, que ficarão apenas no papel.

Fatores como os juros altos, o preço exorbitante da energia, os gastos sem freio do poder público e os custos excessivos para produzir têm levado o país a um caminho preocupante. O chamado Custo Brasil faz o Brasil jogar fora todos os anos mais de 20% de seu PIB, por não resolver burocracias e dificuldades estruturais, como o excesso juros e de tributos, o déficit de infraestrutura e as dificuldades para financiamentos e qualificação de pessoal para o marcado de trabalho.

É imprescindível que governo federal volte a ter uma política fiscal equilibrada e interrompa com urgência o crescimento dos gastos públicos, principalmente com alterações na dinâmica de expansão dos gastos obrigatórios. Não podemos aceitar que o Brasil vá na contramão do mundo. Reduzir incentivos fiscais e aumentar tributos a essa altura, como vem ocorrendo para que o rombo das contas públicas seja amenizado, torna o nosso país cada vez menos competitivo.

Clamo os poderes constituídos para que se mobilizem e compreendam as suas responsabilidades com o país. Esperamos que Executivo, Legislativo e Judiciário falem a mesma língua para trabalhar em conjunto e em prol da retomada do crescimento econômico. A indústria está atenta a cada passo e quer ser uma aliada do setor público nesse desafio, mas espera celeridade na tomada de providências para que o Brasil pegue um caminho rumo a prosperidade.

Assuntos como os juros excessivos e a crescente inadimplência, que deveriam ser tratados como pautas prioritárias no país, acabam ficando em segundo plano em razão de pautas motivadas por palanque político, em pleno ano eleitoral. Refiro-me, por exemplo, ao debate da redução da jornada de trabalho.

A discussão da escala é 6×1 é legítima e necessária, mas qualquer decisão dessa dimensão deve levar em conta a avaliação de impacto e seus efeitos econômicos. A produtividade no Brasil ainda está muito aquém de países semelhantes e há escassez de mão de obra. Por isso, ainda não é hora de reduzir a escala.

A sociedade brasileira espera respostas para termos um país mais justo, com mais oportunidades e menos desigualdade, mas ao mesmo tempo não pode conviver com riscos de manutenção de juros estratosféricos, de excessos de gastos públicos e de redução da jornada de trabalho. Tais cenários, se não houver correção de rumos, só farão aumentar a distância do país rumo ao desenvolvimento sustentável e resultarão em perdas para a população e para a economia brasileira.

Agência de Notícias da Indústria

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