março 2024

Coluna Versátil News

Deepfakes e democracia: O desafio da manipulação audiovisual nas eleições

 

Jurista do CEUB analisa decisão aprovada pelo TSE, que prevê punição ao candidato por uso inadequado de Inteligência Artificial

Na última terça-feira (27), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou novas regras para as eleições municipais de 2024, incluindo medidas sobre o uso de Inteligência Artificial (IA) nas campanhas. As regras exigem a identificação de conteúdos manipulados por IA, limitam o uso de chatbots e avatares na comunicação da campanha e proíbem o uso de deepfake. Carolina Jatobá, professora de Direito Digital do Centro Universitário de Brasília (CEUB) explica que a relação entre tecnologia e democracia sempre foi complexa, mas com o avanço da inteligência artificial (IA) e sua capacidade de criar deepfakes, essa relação atingiu um novo patamar de desafios.
De acordo com a jurista, as deepfakes, vídeos manipulados para parecerem autênticos, apresentam uma ameaça significativa ao processo democrático, permitindo a disseminação de desinformação de maneira convincente e de difícil detecção. Segundo Carolina, historicamente, as eleições foram moldadas por uma série de fatores, desde debates públicos até escândalos de corrupção. No entanto, com o surgimento das deepfakes, uma nova variável entrou em jogo.
“Um exemplo marcante é a suposta hesitação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em responder sobre a existência de Deus durante uma entrevista, o que supostamente custou sua eleição para Jânio Quadros. Embora o impacto preciso dessa declaração na eleição seja difícil de quantificar, é inegável que as deepfakes introduzem uma nova dinâmica, na qual a verdade pode ser manipulada de maneira convincente sem o conhecimento ou consentimento dos candidatos”, rememora a especialista.
Parafraseando Churchill “a democracia é a pior forma de governo, à exceção de todas as demais”, a professora de Direito do CEUB afirma que é difícil imaginar que ele antecipasse os desafios que as deepfakes representariam para a democracia moderna. Ela frisa que, em vez de promover um debate inclusivo e informado, a disseminação de deepfakes alimenta a polarização e mina a confiança no processo democrático. À medida que as pessoas são expostas a informações falsas que parecem genuínas, torna-se cada vez mais difícil distinguir entre fato e ficção.
Segundo Carolina Jatobá, um dos aspectos mais preocupantes das deepfakes é a rapidez com que podem se espalhar e influenciar as percepções do eleitorado. Ao contrário dos escândalos tradicionais, nos quais os fatos podem ser contestados e esclarecidos ao longo do tempo, a advogada menciona que as deepfakes têm o potencial de causar danos irreparáveis antes mesmo que a falsidade seja exposta. “Esta capacidade de manipular a verdade em tempo real representa um desafio significativo para os defensores da democracia”, destaca.
Para Jatobá, uma abordagem mais promissora pode ser colocar a responsabilidade nas próprias plataformas de mídia social. Exigir que essas plataformas informem os usuários sobre o uso de IA em vídeos pode capacitar o eleitorado a discernir entre conteúdo autêntico e deepfakes. Além disso, as plataformas poderiam ser responsabilizadas por permitir a disseminação de deepfakes sem verificar sua autenticidade.
“No entanto, mesmo essa abordagem tem limitações.” A docente crê que a contrainteligência artificial perfeita só pode ser oferecida por aqueles que criam a tecnologia, e até que isso aconteça, o público deve permanecer vigilante e crítico em relação ao conteúdo que consome.  “Em última análise, a defesa da democracia contra as deepfakes exigirá uma abordagem multifacetada que envolva governos, empresas de tecnologia e indivíduos em todo o mundo”, arremata.
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Posse e Porte de Arma: Qual a Diferença?

Tony Santtana

 

Dr. Tony Santtana, advogado especialista em legislação armamentista, traz orientações sobre a posse e o porte de arma de fogo.

Na manhã da última quarta-feira (28), um estudante de 17 anos levou uma arma para o colégio em Alexânia, no entorno do Distrito Federal. O jovem, que estava com colegas e sua namorada, ao manusear o revólver, acabou efetuando um disparo e acertando o pé de um colega de 16 anos, que foi levado ao hospital e passa bem. Ao ser interrogado, o jovem informou que a arma pertencia ao seu sogro, que é CAC, sigla para Caçador, Atirador e Colecionador.

Para entender melhor sobre o assunto, consultamos o advogado especialista em legislação armamentista, Dr. Tony Santtana. “O CAC, ao não se atentar e adotar as medidas necessárias para impedir que o jovem de 17 anos pegasse sua arma, responderá por omissão de cautela, prevista no artigo 13 da Lei 10.826, o famoso estatuto do desarmamento. A pena pode chegar a detenção de 1 a 2 anos, e multa”, comenta Dr. Tony Santtana.

Segundo o especialista, muitas pessoas se confundem com o significado da palavra “porte” de arma: “pessoas que não são conhecedoras do assunto acabam dizendo que o CAC tem porte de arma, sendo o termo correto “posse” de arma”, complementa.

O termo “porte de arma”, segundo Dr. Tony Santtana, somente deve ser usado para quem tem a autorização para andar ou utilizar o armamento, o que é mais comum para profissionais de segurança pública, membros das Forças Armadas, policiais, agentes de segurança privada e aqueles que tiveram sua integridade física ameaçada e receberam o porte pela Polícia Federal.

Já a posse de arma é mais comum para os famosos “CACs” e é “a autorização para possuir uma arma de fogo e utilizá-la para fins específicos, como treinamentos, competições, coleção e caça”, finaliza Dr. Tony Santtana.

Quem tem o direito à posse de arma deve atentar-se a mantê-la desmuniciada e com o carregador sempre sem munições, conforme o Decreto 11.615, publicado em 21 de julho de 2023.

Tony Santtana Tony Santtana

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Automedicação em casos de dengue pode agravar complicações da doença

 

Número de casos de dengue têm aumentado no país, segundo o Ministério da Saúde; pesquisa aponta que 75% dos focos estão nas residências e evitar procriação do Aedes aegypti é caminho para prevenção

Somente em 2024, o Brasil já registrou mais de meio milhão de casos de dengue. Os dados são do Painel de Arboviroses, do Ministério da Saúde, e a projeção do órgão é que o país atinja um recorde nacional e registre 4,2 milhões de casos da doença neste ano. Neste cenário, é imprescindível redobrar os cuidados para eliminar os focos do mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão da doença e de outras, como zika e chikungunya. Além disso, para quem está com algum dos sintomas da doença, a orientação é não se automedicar, porque, em casos de dengue, a prática pode agravar a situação.

“A automedicação apresenta sérios riscos à saúde e, em caso de dengue, não é diferente. Os sintomas podem ser mascarados pelos medicamentos utilizados, dificultando o diagnóstico preciso, e o uso inadequado de medicamentos podem agravar os sintomas”,  alerta a farmacêutica Kátia Tichota.

A profissional, que também é professora do curso de Farmácia da Estácio, explica que alguns remédios – como os anti-inflamatórios não esteroides – podem agravar complicações comuns à doença e levar o paciente a um choque hemorrágico, que pode resultar em óbito

Diante da suspeita de ter sido picado pelo Aedes aegypti, a profissional explica que o correto é não se automedicar, e sim procurar atendimento médico imediatamente para relatar ao profissional de saúde todos os sintomas e detalhes relevantes. Exames laboratoriais específicos podem confirmar a presença do vírus da dengue e, assim auxiliar no diagnóstico diferencial com outras enfermidades.

Sintomas da doença

Enfermeira e professora do IDOMED, Sandra Bonilha explica que, geralmente, a primeira manifestação da doença é a febre. “Geralmente, acima de 38ºC, de início abrupto e com duração de dois a sete dias, associada a dor de cabeça, fraqueza, dores musculares, dor nas articulações e dor retro-orbitária (dor ao redor dos olhos). Perda de apetite, náuseas, vômitos e diarreia também podem se fazer presentes”, explica.

De acordo com Sandra Bonilha, em casos de sintomas, o indicado é aumentar a ingestão de água e sempre procurar uma unidade de saúde.

Prevenção dentro de casa

O Ministério da Saúde divulgou recentemente os resultados do 3º Levantamento Rápido de Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa) e do Levantamento de Índice Amostral (LIA) de 2023. Os números indicaram que 74,8% dos criadouros do mosquito da dengue estão nos domicílios, como em vasos e pratos de plantas, garrafas retornáveis, pingadeira, recipientes de degelo em geladeiras, bebedouros em geral, pequenas fontes ornamentais e materiais em depósitos de construção (sanitários estocados, canos, etc.).

O levantamento apontou, ainda, que depósitos de armazenamento de água elevados (caixas d’água, tambores, depósitos de alvenaria) e no nível do solo (tonel, tambor, barril, cisternas, poço/cacimba) aparecem como segundo maior foco de procriação dos vetores, com 22%, enquanto depósitos de pneus e lixo têm 3,2%.

Neste cenário, a melhor forma de prevenção da dengue é evitar a proliferação do mosquito Aedes Aegypti, eliminando os prováveis criadouros – como pneus, garrafas plásticas, piscinas sem uso e sem manutenção; e recipientes pequenos, como tampas de garrafa. A recomendação do Ministério da Saúde é que a população faça uma inspeção semanal em casa.

“Além de manter bem tampados caixas, tonéis e barris de água, é importante colocar o lixo em sacos plásticos e manter a lixeira sempre bem fechada; não jogar lixo em terrenos baldios; se for guardar garrafas de vidro ou plástico, mantenha-as sempre com a boca para baixo; deixar ralos limpos e com aplicação de tela; limpar semanalmente ou preencher pratos de vasos de plantas com areia; limpar com escova ou bucha os potes de água para animais”, salienta Sandra Bonilha.

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Cassiano Arruda lança livro com renda revertida para a Liga Contra o Câncer

 

O jornalista Cassiano Arruda Câmara vai lançar seu livro “Jornal de Cassiano Arruda: 50 anos de reportagem” no próximo dia 21 de março. O evento para convidados faz parte da comemoração dos 80 anos de Cassiano, celebrados em 13 de março, e vai acontecer no Thomé Galeria & Bistrô e toda a renda da venda da obra será doada para a Liga Contra o Câncer.

O livro reúne as reportagens que mais marcaram sua carreira nas áreas de cultura, esportes, política, economia, ciência e tecnologia. A seleção de textos foi feita pelo jornalista Adriano de Souza.

Para Cassiano, a publicação eterniza fatos e personalidade que marcaram época, como a polarização política entre Dinarte Mariz e Aluízio Alves, a carreira do então jovem jogador Marinho Chagas que, aos 22 anos, atuava no Botafogo e até mesmo uma entrevista com um dos últimos fabricantes do carro-de-boi e a chegada da primeira prancha de surf em Natal.

“Ao contrário de um livro de memórias, a seleção das reportagens como foram publicadas na época termina tirando a possibilidade de o autor adaptar o passado às contigências do presente”, diz Cassiano Arruda na apresentação da obra.

De acordo com o jornalista, a pandemia atrasou o lançamento do livro e, durante um tratamento que fez na Liga resolveu doar os exemplares que estavam prontos. “Durante a radioterapia que realizei, percebi a importância de uma instituição como a Liga e essa é uma forma de agradecer tudo o que recebi”, conclui.

A Liga Contra o Câncer

Instituição filantrópica, a Liga Contra o Câncer atende grande parte dos casos de câncer do Rio Grande do Norte, em sua maioria pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Por isso, as doações são fundamentais para a manutenção do equilíbrio financeiro e de projetos como a Casa de Apoio Irmã Gabriela, a Clínica da Dor e a Mercearia da Liga, que entrega mais de mil kits nutricionais por semestre.

Os recursos também são usados para os projetos de ampliação dos serviços. Entre eles está a reforma do Hospital Dr. Luiz Antônio, que vai aumentar em 40% a capacidade de atendimento, a construção do novo Hospital de Pediatria Oncológica, que ainda vai contar com um setor exclusivo para Transplante de Medula Óssea, e do Centro de Diagnóstico e Ensino em Currais Novos, reforçando a capacidade de atendimento para pacientes do interior.

Doe para a Liga:Central de Doações: Whatsapp (84) 98827.1781 | Fixo (84) 4009.5578https://ligacontraocancer.com.br/doacao/

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Rio Grande do Norte possui metade da população com sobrepeso, alerta especialista

 

Cerca de 55% dos adultos no RN estavam com sobrepeso ou obesos no final de 2023

A obesidade é considerada uma doença crônica e no último semestre de 2023, 56,8% da população brasileira estava com sobrepeso ou obesas. Os dados são do Covitel, o Inquérito Telefônico de Fatores de Risco para Doenças Crônicas não Transmissíveis em Tempos de Pandemia, também apresenta que a maior parte dessa população com sobrepeso ou obesas estão na faixa etária de 45 a 54 anos (68,5%).

O dado nacional se aproxima dos números locais. De acordo com o relatório de estado nutricional do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) do Ministério da Saúde, cerca de 55% dos adultos no Rio Grande do Norte estavam com sobrepeso em setembro de 2023. Atualmente, médicos e cirurgiões apresentam a cirurgia bariátrica e metabólica como um caminho eficaz para a perda de peso e tratamento de doenças associadas à obesidade.

A cirurgia bariátrica e metabólica é um procedimento cirúrgico conhecido popularmente como “cirurgia de redução do estômago” e é indicada para pacientes que possuem o Índice de Massa Corpórea (IMC) acima de 40. O IMC é o cálculo realizado a partir do peso e altura do paciente. Desta forma, pessoas que possuem o IMC alto ou que sofrem com doenças associadas à obesidade, como hipertensão, diabetes tipo 2, gordura no fígado, dentre outras comorbidades, têm indicação para realizar a cirurgia bariátrica.

Para que o procedimento possa ser executado, é necessário que o paciente expresse a vontade de realizá-lo e esteja disposto a mudanças de hábitos, como inserir ou reforçar a prática de exercícios físicos e manter uma alimentação saudável.

Segundo o cirurgião do aparelho digestivo do Hospital Promater, João Carlos da Silva Filho, o procedimento tem colaborado muito na melhoria da qualidade de vida dos pacientes.

“A cirurgia bariátrica e metabólica tem ajudado a saúde dos pacientes que procuram o Hospital Promater. Ela geralmente tem uma indicação relacionada ao sobrepeso ou de doenças associadas ao IMC, como pressão alta, diabetes, problemas de locomoção, dentre outros”, ressalta o médico.

A partir do momento que o paciente tem a indicação de realizar o procedimento cirúrgico, ele começa a ser acompanhado por uma equipe multidisciplinar de profissionais da saúde, como endocrinologista, cirurgião do aparelho digestivo, nutricionista, psicólogo, cardiologista, dentre outros. Além disso, o Hospital Promater possui equipamentos tecnológicos de última geração e profissionais especializados.

Após a realização da cirurgia bariátrica, a pessoa que passou pelo procedimento segue sendo acompanhada pela equipe multidisciplinar do Hospital, principalmente para garantir total recuperação e manutenção da saúde do paciente.

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