27 de setembro de 2018

FLASHES E BRILHOS

600 mil recorrem à informalidade

Por de trás da Casa de Saúde São Lucas, no bairro de Petrópolis, em Natal, o vendedor ambulante Samuelson da Costa, 44 anos, tornou-se presença certa nas tardes de segunda à sexta. Costuma chegar às 13h com o seu carro, modelo Parati de cor preta, carregado de bolos, tortas, salgados, sucos e comidas regionais, e só sai quando vende tudo. Têm dias que isso não demora a acontecer, segundo relata: os clientes conquistados pelo simpático vendedor fazem fila no início da tarde para levar os seus produtos para casa. “Graças a Jesus, as coisas estão dando certo”, afirma sorridente, ao falar das vendas.

Samuelson da Costa vende salgados, bolos e comidinhas na rua por trás da Casa de Saúde São Lucas, em Petrópolis

Samuelson da Costa vende salgados, bolos e comidinhas na rua por trás da Casa de Saúde São Lucas, em Petrópolis

O autônomo é um entre os mais de 600 mil trabalhadores informais do Rio Grande do Norte, que se dedicam a ocupações sem garantias de previdência e outros direitos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A parcela significa quase a metade dos 1,3 milhão de pessoas que têm alguma ocupação de renda no estado. Desde 2015, início da crise econômica, esse número está em crescimento.

Cobrador de ônibus durante nove anos e oito meses, Samuelson mudou de trabalho há um ano e dois meses, depois de passar um período desempregado. “Deixei de ser cobrador e comecei a entregar currículos em outras áreas, mas foi na época da crise econômica e não consegui nada”, relembra. Com uma larga experiência no transporte coletivo, queria procurar outra área para se sustentar. “Aí minha esposa lançou o desafio: por que não vender produtos?”.

Aceitou o desafio e começou  a venda  com salgados, bolos e refrigerantes. O local escolhido para improvisar o seu ponto de vendas foi a rua atrás da Casa São Lucas, lugar de trabalho da esposa. Assim a divulgação do trabalho ficaria mais fácil. Foi ganhando clientes aos poucos – a maior parte funcionários do hospital – e hoje é conhecido por todos. “A divulgação foi boca a boca”, diz. “Hoje, o pessoal todo já conhece, e eu já tenho clientes até de outros locais de trabalho aqui perto”.

Samuelson se tornou tão conhecido, junto com a esposa Naide, que começaram a expandir a lista de produtos e serviços oferecidos. Em 14 meses, passou de três para mais de oito. Hoje, o homem, além de vender no ponto montado, faz encomendas de tapiocas recheadas, cuscuz, tortas doces e salgadas, munguzá, arroz doce, mais de três sabores de bolo, refrigerantes, salgados e sucos variados.

Com exceção do refrigerante e do salgado, o restante é preparado por Naide. Todos os dias, antes de ir para o trabalho, a técnica em enfermagem prepara os produtos em casa. A tarde, a mulher passa a atuar no Centro Cirúrgico do São Lucas e Samuelson vende. Quando acaba de vender, o autônomo aproveita para lavar a louça de casa e evitar trabalho de limpeza no outro dia, e, se for o caso, vai ao supermercado para comprar os produtos que vai necessitar. Às 19h, volta para buscar ao São Lucas para buscar a esposa.

O casal tem se dado bem com a rotina. Naide, segundo conta o marido, é “uma boleira de mão cheia” e “sempre soube cozinhar”, mas nunca havia trabalhado com vendas. As únicas encomendas eram para os familiares. “Aprendeu tudo sozinha e hoje faz sucesso”, elogia. Para dar o descanso à esposa, escolheu trabalhar de segunda à sexta. Os fins de semana e feriado não estavam valendo a pena. “No fim de semana estava vendendo pouco”, explica. “E eu também prefiro não trabalhar por conta da minha esposa, que é a responsável pelos produtos. Ela merece um descanso”.

Fazendo um balanço, Samuelson não se arrepende de ter topado o desafio da esposa. Juntos, conseguem a renda da casa, composta somente pelos dois – o casal não tem filhos. “Isso aqui está dando certo primeiramente por conta de Deus e, depois, dos amigos”, relata. “Hoje, eu consigo pagar as despesas do mês direito e estou melhor do que quando estava dentro da área de transporte coletivo”. Se pensa em largar? “Só se aparecer uma proposta muito boa, mas eu penso no hoje. E, hoje, eu estou satisfeito”.

Do bugre à parati
Quando decidiu se tornar vendedor autônomo, um obstáculo se postou diante de Samuelson: como transportar os produtos e onde montá-los? Nem ele, nem a esposa tinham veículo para isso. A solução foi um bugre inutilizado do irmão, dado para ajudá-los.

Nos primeiros meses, era na traseira do bugre cor de vinho, já velho, que as vasilhas e bandejas de produtos eram colocadas para a venda. Aos poucos, o vendedor juntou dinheiro e comprou uma parati, em estado mais novo. É na mala do carro que os produtos são colocados em exposição. “Daqui a uns quatro anos eu quito, mas ficou melhor porque é um carro que cabe mais coisa”, relata.

O carro é utilizado também para o lazer do casal. Ele facilitou a vida de Samuelson para comprar os ingredientes e melhorar o deslocamento. Outro fator positivo foi a segurança. “O bugre é um carro aberto, os produtos ficavam todos lá, mas nunca aconteceu nada não, ainda bem”, relembra, aos sorrisos.
Por trás dos números 
A série “Por trás dos números – Emprego” traz, nesta última semana do mês de setembro, reportagens sobre a vida das pessoas que estão em diversas situações de ocupação. Nesta quarta-feira, abordamos os trabalhadores que atuam na informalidade.

Rio Grande do Norte
627 mil trabalhadores estão em situação de trabalho informal no Rio Grande do Norte

1.330.000 pessoas tem alguma ocupação no estado

Fonte: IBGE

FLASHES E BRILHOS

Diploma não é garantia de emprego

O taekwondo surgiu na vida de Fábio Matias em 2007 e ganha cada vez mais importância desde então. O potiguar começou a dar aulas da modalidade em escolas de Natal com apenas três anos de prática e, em 2012, iniciou a graduação de Educação Física para se qualificar e seguir em definitivo na área. A formação e as aulas ministradas se tornaram inconciliáveis por causa do horário. Fábio teve que trocar de emprego e hoje, um ano depois de formado, insere-se entre 1,3 milhão de brasileiros com ensino superior completo que ingressaram no mercado de trabalho entre 2014 e 2017 em funções que exigem somente o ensino médio.

Fábio Matias prefere trabalhar na área de formação: “dar aulas me satisfaz, é algo que eu gosto e faço com maior prazer”

Fábio Matias prefere trabalhar na área de formação: “dar aulas me satisfaz, é algo que eu gosto e faço com maior prazer”

 

Os dados são de um estudo feito pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Diesee) no ano de 2017. Não há números regionais. O estudo mostra que grande parte dos profissionais desempregados empreendem ou aceitam trabalhos com menor nível de especialização. No caso de Fábio, o problema não foi diretamente o desemprego: quando se graduou, em julho de 2017, já ocupava a vaga de atendente online em uma empresa de telecomunicação. Entretanto, a mudança, para retornar para a área de Educação Física, está sendo um desafio.

“Dar aulas me satisfaz, é algo que eu gosto e faço com o maior prazer”, declara o educador físico, de 30 anos. “Mas desde que eu me formei ainda não consegui uma vaga de emprego na área, apesar de estar distribuindo currículos e me preparando para fazer concursos públicos”.

Professor de taekwondo mesmo sem a formação superior, Fábio chegou a dar aulas em três escolas de Natal, localizadas na zona Norte.  A carga horária dependia do dia, mas, na maior parte da semana, as aulas findavam somente às 17h. Depois que passou a fazer Educação Física em uma faculdade particular localizada na zona Sul, começou a se prejudicar. As aulas começavam às 18h. Entre a hora em que era professor e a em que era aluno, precisava se arrumar para a aula e atravessar a cidade de ônibus. Não havia tempo e era normal chegar trinta minutos atrasado.

Nas três escolas, Fábio tinha contrato de prestação de serviço, sem carteira assinada. Pesou os prós e contras de se manter neles e trancar o cursos superior ou procurar outras áreas para trabalhar, permanecendo no emprego. Optou pelo segundo e acabou sendo aceito por uma empresa de telecomunicação com atuação no estado, com o horário de trabalho entre às 8h e às 14h. “Passei a ganhar menos, mas consegui carteira assinada e podendo ir para as aulas, conseguir terminar o curso”, relata.

A formação veio em julho de 2017. Um ano depois, ele continua no mesmo cargo na empresa de telecomunicação, com duas tentativas frustradas de promoção. Mas, hoje, sente-se mais qualificado dentro da educação física para procurar empregos mais rentáveis na área. Não há muito tempo, fez entrevistas para escolas. Agora, aguarda a resposta, com a expectativa de voltar a ser professor – seja de educação física geral ou somente da modalidade em que luta há 11 anos.

No rastreio das vagas, Fábio vê o mercado de educação física um pouco restrito, mas não desanima. Se a vaga em que fez a entrevista der certo, já sabe que vai trocar de emprego. “Vou passar a ganhar semelhante, mas terei folgas nos feriados e fins de semana e um horário de trabalho melhor”, avalia. “Sai mais em conta”. Isso também possibilitaria ele voltar a atuar em mais de uma escola, o que aumentaria a sua renda.

Outra opção são os concursos – “um pouco restritos para a educação física, mas que sempre tem vagas” – de professor e de outras áreas fora da educação, como a Polícia Militar e a Polícia Federal. A área de segurança é outra do seu interesse, desde que serviu obrigatoriamente o Exército, aos 18 anos.

Ainda na espera dos resultados e de lançamento dos editais, o que Fábio sabe, com certeza, é que permanecer no seu cargo hoje não é algo que pensa a longo-prazo. “Eu vejo outras oportunidades, até mesmo o mestrado”, diz. “Quando eu era mais moleque, não pensava em educação física, mas isso foi mudando ao longo do tempo e hoje é uma área em que eu me encontrei”.
Por Trás dos Números
A série “Por trás dos números – Emprego” traz, nesta última semana do mês de setembro, reportagens sobre a vida das pessoas que estão em diversas situações de ocupação. Nesta quinta-feira, abordamos os trabalhadores com formação superior que ocupam vagas que exigem qualificação de ensino médio ou semelhante.

Brasil
2,2 milhões de pessoas com formação de ensino superior ingressaram no mercado de trabalho no Brasil entre 2014 e 2017,

1,3 milhão passou a ocupar vaga em funções que exigem somente o ensino médio

Fonte: Dieese

FLASHES E BRILHOS

Antonio Gentil ganha homenagem de Conselho de Cultura

Pelos relevantes serviços prestados à cultura potiguar, em especial à população da cidade de Campo Grande-RN, o empresário Antonio Gentil, fundador da Gentil Negócios e do Instituto Gentil, foi homenageado na tarde da última terça-feira (25) pelo Conselho Estadual de Cultura do RN (CEC/RN).

Conselho de Cultura considera que empresário trata a cultura de forma “exemplar”

Conselho de Cultura considera que empresário trata a cultura de forma “exemplar”

Antonio Gentil recebeu das mãos do presidente do conselho, Iaperi Araújo, o diploma de reconhecimento cultural durante a sessão plenária especial que aconteceu na sede da Academia Norte-Riograndense de Letras (ANRL) e contou com a presença de todos os conselheiros, além do Diretor Geral da Fundação José Augusto (FJA), Amaury Júnior.

Sob o lema “Conhecimento que Transforma”, o Instituto Gentil propõe o estímulo ao conhecimento (leitura, música, informática, arte, etc.), por meio da realização de cursos, oficinas, palestras e seminários no intuito de qualificar e  oferecer melhores oportunidades às crianças e aos jovens da cidade de Campo Grande. O Instituto acredita que transformar a vida de cada uma dessas pessoas é o primeiro passo para transformar toda uma comunidade.

Durante a apresentação do Instituto Gentil, o empresário também destacou a sua trajetória pessoal e empresarial e de como elas foram fundamentais para a criação do espaço em 1996, através de um sonho de contribuir com projetos socioculturais em sua terra natal. “O Instituto Gentil nasceu como complemento de mim. Lá procuramos ofertar o que um dia me faltou”, enfatizou emocionado Antonio Gentil.

Para o advogado Diógenes da Cunha Lima, presidente da Academia Norte-Riograndense de Letras, Antonio Gentil, através do Instituto Gentil, trata a cultura de forma exemplar e comparou as iniciativas realizadas no RN com as que acontecem nos mais diversos países desenvolvidos. “Acabamos de ver aqui, nesta apresentação, como a cultura deve ser tratada. É preciso reconhecer essas iniciativas para que outras pessoas as tomem como exemplo e passem a investir em ações socioculturais”, destacou o imortal da Academia Norte-Riograndense de Letras.

Coluna Versátil News

RN participa do maior evento de agentes de turismo do Brasil

Papo Cultura

A gastronomia, a cultura, o artesanato e, claro, as belezas naturais do Estado potiguar estarão em evidência no maior, mais completo e tradicional evento do turismo nacional. A 46 edição da ABAV Expo Internacional de Turismo acontece de hoje (26) a sexta-feira (28), no Anhembi, em São Paulo.

O Governo do RN estará presente com dois estandes, sendo um estande próprio de 100 m2, montado com recursos do Governo Cidadão via empréstimo do Banco Mundial, e usado para divulgação dos destinos do Estado, e outro de 25 m2 cedido pelo Ministério do Turismo para promoção exclusiva do consórcio praias.

“A Abav tem o diferencial de ser uma feira promovida por agentes de viagem para agentes de viagem. São eles os responsáveis mais diretos pela venda dos nossos destinos. E a feira aglutina praticamente todos os Estados da Federação, mercados que precisamos explorar mais. Então é imprescindível uma participação incisiva no evento”, reforçou o secretário estadual de Turismo, Manuel Gaspar.

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